Todo mundo falando do notch do iPhone X (e de todos os demais que seguiram o mesmo caminho no Android), do notch do Essential Phone (que teria começado essa nova febre)… mas na verdade, todo mundo se esqueceu que o primeiro notch do mundo da telefonia móvel apareceu mesmo com o Motorola Motofone F3.

Esse smartphone tinha um conceito muito legal. No lugar de usar uma tela colorida tradicional de LCD, ele utilizava uma tela de tinta eletrônica para exibir suas informações. Algo que hoje vemos em alguns dispositivos de fabricantes menores, que querem integrar a tela eInk na parte traseira dos dispositivos.

E com o mesmo objetivo do Motofone F3: entregar uma maior autonomia de bateria, já que as telas de tinta eletrônica gastam bem menos.

No caso do Motorola Motofone F3, eu posso falar com certa experiência, pois cheguei a comprar esse celular. E eu gostava muito dele. Era fino, leve, elegante e, principalmente, diferente dos demais. Era basicamente para quem queria se comunicar com as pessoas. Uma espécie de “resposta” da Motorola à Nokia, que era especialista em entregar celulares simples e com enorme autonomia de bateria.

E a solução da Motorola em apostar na tela de tinta eletrônica é acertada. O Motofone F3 contava com uma autonomia de bateria de até 10 dias de uso sem muitas dificuldades.

 

 

E… para exibir os elementos de sua interface de uso, ele contava com um pequeno notch na tela, separando os elementos de indicador de sinal do indicador de bateria. É claro que é um notch com objetivos diferentes daqueles que são apresentados hoje pelos fabricantes de smartphones. Mas é um notch, de qualquer forma.

Lembrando que os fabricantes Android que estão adicionando o notch nesse momento o fazem apenas por uma decisão estética, para atender os anseios dos usuários que querem um design semelhante ao do iPhone, e não pela necessidade de integrar sensores que influenciam de forma relevante na experiência de uso.

Por causa disso, o Motorola Motofone F3 pode sim ser considerado o pioneiro nessa decisão estética.

Sim, amigos. Recordar é viver.