Aprendi que a vida pode deixar estilhaços tentando alcançar o seu coração, e que você precisa seguir em frente mesmo assim. Que as marcas deixadas pelo tempo são motivadores para fazer a coisa certa. Que se assumir como herói tem consequências sérias, especialmente quando você não sabe lidar com as suas próprias fraquezas.

Aprendi que sua força está dentro de você, e não através de um soro, poção mágica ou martelo. Que em muitas vezes você precisa controlar a sua raiva para conviver com o próximo, mas às vezes é preciso se munir dela para corrigir as injustiças que nos cercam. Que você precisa ser digno para liderar o coletivo, e que mais importante que a liderança é ter a consciência do que realmente significa estar à frente de um grupo ou um povo.

Aprendi que não existe um cenário onde um tirano pode fazer a humanidade se ajoelhar aos seus pés. Que vamos perder juntos e vamos vencer juntos. Que morrer por um ideal faz com que toda a sua vida tenha um sentido edificante. Que você pode se curar dos estilhaços que ameaçam o seu coração quando você compreende qual é a verdadeira essência do herói, e que essa essência está dentro de você.

Aprendi que amigos vem e vão, mas os verdadeiros amigos ficam, mesmo que tentem re-escrever a narrativa de suas vidas. Que o trabalho em equipe pode salvar o mundo, e que a família que a gente escolhe ter ao longo da vida pode ser a base emocional que precisamos para enfrentar nossas adversidades. Que nunca estamos sozinhos porque temos uma “trilha sonora incrível” se conectando com nossas emoções.

Aprendi que “brincar de Deus”, mesmo com o nobre objetivo de proteger a humanidade, é perigoso demais para qualquer humano. Que os governos podem agir de forma ilícita, abandonando propósitos patrióticos para abraçar interesses individuais. Que por uma filha um pai pode fazer qualquer coisa.

Aprendi que guardar segredos dos amigos é uma forma de proteger a si, e não de evitar o sofrimento alheio (e que isso é falta de cumplicidade). Aprendi que “grandes poderes levam a grandes responsabilidades”. Que perder uma habilidade pode representar a abertura de conquistar outras tantas jamais imaginadas.

Aprendi que é preciso às vezes perder tudo para encontrar um novo lar e recomeçar. Que a cultura negra, tal e como eu sempre acreditei, é poderosa e rica, e que tal perspectiva precisa ser passada para as próximas gerações de negros. Que as mulheres são fortes por natureza, e que podem resolver toda a problemática.

E que o vilão pode vencer no final. Mas que só acaba quando termina.

Em 11 anos acompanhando o Universo Cinematográfico da Marvel, eu reforcei aprendizados que abracei ao longo de 40 anos de vida, mas que eu precisava relembrar ou reaprender de tempos em tempos. Porque as derrotas cotidianas, as perdas e frustrações conduzem a mente humana ao esquecimento sobre tais ensinamentos. Acompanhar uma franquia de cinema que vai além de divertir e emocionar as pessoas foi uma das melhores experiências da minha vida, e meu coração se enche de alegria ao ter a oportunidade de ver essa jornada chegar ao fim.

Vingadores: Ultimato não é apenas um filme. É um momento histórico para a cultura de massa. Tem tudo para ser um dos melhores filmes de todos os tempos, e pode encerrar de forma magistral uma história que mudou corações e mentes de uma geração inteira. E compreender que eu aprendi muito mais sobre a vida e sobre mim mesmo através do cinema é o melhor presente que eu poderia receber ao término dessa jornada.

E o mais importante: é uma história que tem como pedra fundamental o conceito do mundo em constante transformação.

Para alguém que abraçou a ideia que tudo muda o tempo todo, e que nossa caminhada só faz sentido quando seguimos adiante e crescemos em função dos passos dados, a hoje chamada Saga do Infinito é um ótimo exemplo sobre como a ficção pode sim se alinhar aos contantes movimentos de mudança da humanidade. E isso fez com que um cara que não sabia nada sobre esse universo se envolvesse por completo.

Isso é tudo o que eu entendi dos filmes da Marvel Cinematic Universe em 11 anos. É claro que eu posso estar errado. Mas eu estou feliz com a jornada e o aprendizado.

Que venha o Ultimato.