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Tá, eu sei, não é engraçado. Mesmo assim, eu dou risada. Até porque é melhor rir do que chorar nessas horas. Honestamente, eu não pensava em comprar nem o Xbox One, nem o PlayStation 4. Por que? Porque não tenho grana para isso. Simples. Acho o Xbox One caro? Para o meu bolso, sim. Mas sempre afirmei que o PS4 seria AINDA mais caro. Só não imaginava que custasse isso.

A notícia caiu como um balde gelado no copo de Coca-Cola dos gamers de plantão. Sabe, eu entendo todos os fatores envolvidos para que o PS4 alcançasse esse preço. Mas não concordo com eles. Simplesmente porque a conta não fecha. Mesmo com 70% de impostos, com o dólar no auge de R$ 2.40, esse console deveria custar, tranquilamente, na faixa de R$ 2 mil (e isso, já colocando o lucro da Sony e dos varejistas nessa conta). Mas nós estamos no Brasil, onde todo mundo precisa lucrar.

Com R$ 4 mil, eu fiz as minhas compras de Natal antecipada. Comprei um novo notebook da Sony (ATIV Book 6, que paguei em promoção R$ 1.800), um Motorola Moto X (também na promoção, por R$ 1.239) e ainda fiquei com um troco de pouco mais de R$ 900, que estou utilizando para completar o pagamento da minha viagem de férias. Tá, não dá pra comparar tudo isso com o PS4, mas mesmo assim, acho que ainda saio no lucro.

Nem vou questionar o fato do “cada um faz com o seu dinheiro o que quiser”. Nem vou julgar quem vai comprar o console. Acho que não é o momento para essa discussão em específico. Acho que o grande ponto nesse momento é tentar entender como esse tipo de coisa continua a acontecer no Brasil. Por que as grandes fabricantes de tecnologia seguem abusando nos valores de produtos que são desejados por muitos. E por que não fazemos nada sobre isso.

Acho que, nesse caso em especial (do PS4), nem mesmo a desculpa do “tem trouxa que paga” serve. É abusivo demais. Absurdo demais. Como eu disse hoje de manhã no Twitter, é estúpido. Aliás, eu cantei essa bola no TargetHD, quando afirmei que a Sony estava dormindo no ponto com sua estratégia de mercado para o PlayStation 4 (clique aqui para ler). Alguns sonystas quiseram me apedrejar por conta disso. Porém, eu estava certo. Aliás, um conselho, fanboys: se limitem a jogar. Os últimos acontecimentos mostram que vocês não entendem absolutamente nada do mercado de videogames.

Aliás, a Sony provou que, na prática, “só eles entendem”. Afinal, eles realmente acreditam que uma grande massa de gamers brasileiros vão pagar os tais R$ 4 mil, sem pensar duas vezes. Mais: sem olhar para o lado, e ver que o Xbox One, que é US$ 100 mais caro nos EUA, custa aqui R$ 1.800 a menos que o PS4. De forma bem simples.

Sério, eu dou risada de tudo isso. Não por estar certo ou errado. Eu não gostaria de estar certo. Eu gostaria mesmo que o PS4 custasse um preço menos proibitivo. Mas não aconteceu. Não é assim que acontece no Brasil. Porque aqui, tudo é supervalorizado. Todos querem tirar a sua vantagem, não importa o que aconteça. E aí, temos apenas o reflexo de todos esses desejos ocultos e, em muitos casos, ilícitos.

De novo: eu não ia comprar o PS4 de qualquer forma. Logo, dou risada de tudo isso. Mas, no fundo, não tem nada de engraçado nessa história. E está passando da hora dos brasileiros refletirem mais seriamente sobre esses “fenômenos econômicos”. E tomarem uma atitude sobre o assunto.

Não comprando o PlayStation 4 a R$ 4 mil já é um bom começo para as coisas mudarem.


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