Você não precisa de 99,9% dos produtos que os blogs de tecnologia que apresentamos todos os dias. Na verdade, nós compramos gadgets não tanto pela necessidade, mas sim pelo gosto. No caso dos smartphones flexíveis, é bem isso: um produto totalmente desnecessário que provavelmente você gostaria de ter (ou não). Mas se você pudesse escolher, teria.

Um smartphone dobrável… resolve algum problema ou necessidade? Ou é mais um produto querendo criar um problema para depois resolver?

Provavelmente é a segunda opção, mas estamos em um tempo onde o excesso de consumo impera, e muito provavelmente ninguém precisa nem de uma tela maior nem remover o conector de áudio de um smartphone. Porém, todos os dias, testemunhamos os fabricantes fazendo isso.

A Samsung não está reinventando a roda. Outros fabricantes já tentaram esse produto, e já temos até um fabricante que já apresentou uma versão de telefone dobrável antes dos coreanos. Sem falar nos protótipos no passado que não funcionaram.

Em alguns casos, não eram produtos bem ajustados. Em outros, pelo contrário: simplesmente ninguém o quis, mesmo sendo produtos muito bons. Um exemplo de algo bom que ninguém quer usar é o DeX da Samsung, que chegou tarde demais (a Motorola tentou isso antes) e ninguém precisava desse acessório, ou pelo menos não nesse formato.

Os dispositivos flexíveis vistos até agora nem mesmo podem ser considerados como futuristas. São equipamentos normais, com uma dobradiça no meio. E a única coisa flexível de verdade ali é a tela. Não o dispositivo.

Por que diabos eu quero dobrar só a tela?

Para que o dispositivo entre mais fácil no meu bolso?

Não podemos ter equipamentos flexíveis mais resistentes?

Na verdade, não. Mas com certeza muita gente pensou que sim, mas hoje sabemos que dificilmente veremos isso.

Os dispositivos com tela dupla, na sua maioria, falharam. Com exceção do Nintendo DS (que deu muito certo), os demais não conquistaram o grande público. E, mesmo assim, o console da Nintendo tem duas telas. Divididas. E no caso das telas flexíveis, tudo está em uma tela só. E esta é a única vantagem da flexibilidade.

Nesse sentido, o desenvolvimento dos dispositivos está tão acelerado, que a Google teve que anunciar que o Android terá o suporte para telas flexíveis, antes que todos os fabricantes comecem a implementar soluções próprias, tal e como a Samsung está fazendo.

Na teoria, o smartphone flexível da Samsung chegará ao mercado em 2019, em um formato mais refinado. Mas fica claro que muito provavelmente só vai encontrar usuários em potencial nos escritórios, com profissionais que precisam de uma tela maior no mesmo dispositivo que carrega consigo o tempo todo.

Só tem um detalhe: é exatamente isso que o Galaxy Note faz nesse exato momento.