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Star Trek: Discovery marcou a volta de uma icônica franquia para a TV, e sua primeira temporada foi marcada pela batalha entre as pessoas normais, que apenas queriam ver a série, e os “verdadeiros fãs de Star Trek”, que criticavam todas as escolhas criativas tomadas pela nova trama.

Muitos fãs mais viscerais acusaram a série de ser “pouco trekkie” (eu não entendo bem o que é isso). Fato é que a primeira temporada chegou ao fim, dando uma pausa às aventuras da USS Discovery, capitaneada por Lorca (Jason Isaacs) e suas inquietudes científicas e interesses pouco claros.

A primeira metade da temporada mostrava uma Star Trek: Discovery que parecia ser engolida pela sua natureza high concept, com a promessa que tudo teria sentido em cada aventura, mas que não chegávamos realmente a compreender tudo.

Felizmente, a segunda temporada começa a dar respostas mais concisas, com a exploração do universo espelho, o Império Terrano e a revelação da verdadeira razão pela qual eles estão ali.

 

 

Um arco muito interessante e cheio de tensão. Vimos o ‘reencontro’ entre Burnham (Sonequa Martin-Green) e Georgiou (Michelle Yeoh), a confirmação da natureza de Ash/Voq (Shazad Latif) e o despertar de Stamets (Anthony Rapp), entre outros.

Talvez o pior episódio dessa primeira temporada de Star Trek: Discovery foi justamente o último. Aqui, recebemos 45 minutos de um roteiro apressado e, de certa forma, torpe, como os roteiristas quisessem se livrar de vez da trama que eles desenvolveram.

O episódio até começa bem, mas a sua segunda metade é mais árduo, e resolve sua trama de forma tão surpreendente como decepcionantemente rápida. Ficou mais uma série de aventura qualquer do que exatamente Star Trek.

 

 

Tudo bem, foi fechado o arco de Lorca e o universo espelho. Mas… mesmo assim. Talvez os dois episódios a mais encomendados pela CBS All Access não estavam nos planos, e os roteiristas tiveram que rever o plano original. Pelo o que vimos, fica um pouco essa sensação.

Especialmente porque o final do episódio 13 poderia funcionar perfeitamente como o final de uma série renovada. Até mesmo a virada do final do episódio 14 poderia funcionar como gancho.

Quem sabe um pouco mais de guerra com os Klingon poderia ser bem vinda. Mas talvez o time de roteiristas entendem que uma história bélica não era mais interessante, querendo encerrar toda essa etapa para passar para algo mais genuinamente trekkie, com exploração espacial.

Sabendo que a primeira temporada é uma herança de um Bryan Fuller que abandona séries para jantar, é compreensível que os responsáveis pela trama não quiseram jogar mais com a mesma, apostando em soluções melhores para o futuro. Mas nem isso justifica o fato de não poderem dar um final melhor para a temporada.

 

 

Uma primeira temporada que serve muito bem como prólogo para a segunda. Star Trek: Disvovery, até agora, me convenceu: grandes personagens, boas histórias, e uma sensação imersiva que coloca qualquer espectador dentro da nave. Vamos ver como a segunda temporada acalma as vozes mais críticas com o espírito da série.

Já eu, que não sou “trekkie raiz”, se eu conseguir me divertir tanto ou mais que a primeira temporada, já me dou por satisfeito.

 

 


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