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American Housewife: quando uma mulher comum não tem graça alguma

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Mais uma série estreante que você tenta sobreviver. Não se ri de nada, e não diz a que veio. American Housewife (ABC) se perde entre as comédias do canal do alfabeto.

A série mostra a vida de uma mãe e esposa qualquer, que tenta conviver com outras esposas e seus filhos mimados em Westport, Connecticut. É uma espécie de visão de mulher comum do universo do Real Housewives, e como isso afeta a sua vida e o desenvolvimento dos seus filhos.

 

 

Mas isso é legal?

 

Por mais que eu me esforce em enxergar as ironias da vida, American Housewife é previsível e beira ao descartável.

As piadas são forçadas, as situações não são engraçadas, e você fica se perguntando sobre a real necessidade da existência da série.

Algumas eu compreendo. O fim dos esteriótipos do universo feminino, onde algumas mulheres se valem do dinheiro e da vaidade para ridicularizar as mulheres comuns.

Além disso, a desmistificação do império da beleza para as mulheres de meia idade, em detrimento à boa educação dos filhos.

Eu entendi tudo isso.

 

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Mas American Housewife um texto fraco, insosso e previsível. As situações são meio sonolentas e poucas coisas me convidam a seguir na série.

Os mais exigentes não vão gostar de American Housewife, e mesmo estando em um canal que vai muito bem com as comédias familiares, tem sérios riscos de cancelamento.

Meu conselho? Procure não se apegar. Não vale esse esforço todo. Veja por curiosidade alguns episódios após o eventual anúncio de renovação.

Algo que, com toda a honestidade, acho difícil de acontecer.

Primeiras Impressões | Designated Survivor (ABC, 2016)

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Não… não é o Jack Bauer na presidência dos Estados Unidos. E esta é uma ótima notícia, acredite!

O piloto de Designated Survivor era um dos mais esperados para essa fall season, e posso dizer que ele não decepciona. Um roteiro que torna tudo muito crível, um bom elenco, e um episódio com ritmo que deixa o desejo de ver o que vai acontecer na sequência.

E, é claro, Maggie Q fazendo mais uma agente do governo norte-americano. Mas isso é outra história.

 

Se você esperava ver Jack Bauer, pode esquecer…

 

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A melhor notícia que eu poderia receber de Designated Survivor é que não teríamos um Jack Bauer na presidência dos Estados Unidos.

Kiefer Sutherland finalmente entendeu que ele precisava interpretar outra pessoa dessa vez (se esqueceu disso em Touch), e dá ao seu personagem o tom crível que queremos: um Secretário da Habitação, um cara comum, com esposa e dois filhos, discreto e, obviamente, despreparado para assumir o posto de homem mais poderoso do planeta.

O ploto da série ajuda: pense no pior cenário possível, que é quando o presidente dos Estados Unidos, o vice-presidente e todo mundo do congresso morre em um ataque ao Capitólio. Quem assume? O Designado Sobrevivente.

A partir daí, vemos como esse sobrevivente se ferra de azul e vermelho, tendo que enfrentar a resistência dos militares (que, mais uma vez, se acham os donos da bola), a pressão da imprensa, a falta de confiança do time de funcionários do primeiro escalão e, para completar, a possibilidade dos ataques terroristas continuarem.

Sem falar que esta pode ser uma ameaça interna. Alguém disposto a derrubar o governo por não concordar com sua forma de fazer política.

Para muitos, seria o mundo perfeito

 

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Há várias coisas muito interessantes no piloto de Designated Survivor.

Uma delas são duas referências à 24 Horas bem sacanas: o personagem de Kiefer, com menos de 10 minutos de piloto, já acorda ao lado da esposa, e já consegue dar uns pegas nela. Desculpe o termo usado, mas as duas coisas Jack Bauer pouco fez na série, e uma delas, quando fez, a mulher morreu logo em seguida.

Deixando as piadinhas de lado, o piloto e bem feito, bem produzido e de fácil compreensão por qualquer pessoa. É um drama político envolvente, tanto na sua estrutura narrativa como no seu ritmo.

Os personagens e suas aspirações são facilmente identificáveis, e a empatia ou antipatia com alguns deles é algo imediato. E isso ajuda a acompanhar a trama de forma mais imersiva.

Você rapidamente entende que o novo presidente é um bom homem, e que está perdido com tanta gente psicologicamente mais forte. E é esse contraste que vai tornar a série mais interessante diante de todos.

No final das contas, entendo que o piloto de Designated Survivor não decepciona. A aposta da ABC pelo visto se pagou, e se não cometer grandes barrigadas de roteiro, deve garantir uma renovação segura.

É claro que eu fico me perguntando como Nikita consegue sair e entrar de tantos empregos dentro do governo norte-americano… não seria melhor manter a personagem ad eternum?

Enfim, quem sou eu pra questionar isso, não é mesmo?

Ah, e antes que eu me esqueça… muita gente por aí concorda com a forma de pensar ilustrada pelo Secretário de Defesa do piloto.

Porém, lá foi por nomeação, e aqui, o vice era da mesma chapa da presidente.

E, nos dois casos, só seguiram as regras do jogo. Entenderam? 😉

Primeiras Impressões | American Crime – 2ª Temporada (ABC, 2016)

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Tudo novo. Tudo diferente. A mesma boa qualidade. Nesse caso, até melhor.

Em 2015, a ABC estreou American Crime durante a midseason, como uma aposta de risco. Era uma série com proposta mais forte, tratando de temas mais pesados. Eu fui um dos poucos que apostou na boa qualidade dessa série, e na proposta diferenciada para os padrões do canal (o Sacer veio depois), e fico feliz em ver que essa aposta se pagou. Uma das melhore séries de 2015 volta ainda melhor em 2016, com um tema ainda mais pesado, e com a promessa de uma trama mais envolvente em todos os aspectos.

Tal como deve acontecer com toda boa limited series, a segunda temporada de American Crime apresenta uma história completamente diferente da primeira, em um local diferente, abordando um outro tipo de crime, mas com o objetivo principal de levantar a discussão daquele problema junto a sociedade, tentando despertar no telespectador um maior senso crítico, evitando a indiferença sobre algum problema que afeta uma parcela da população todos os dias. Na primeira temporada, a série abordou o preconceito contra os latinos, algo que ainda está em evidência, ainda mais com as recentes declarações polêmicas de Donald Trump. Já na segunda temporada, eles conseguem ir além nessa proposta de “dar o soco na boca do estômago” da sociedade cristã ocidental.

A segunda temporada de American Crime acontece em Indianapolis, Indiana. Taylor Blaine (Connor Jessup) é um estudante aparentemente normal, um tanto quanto depressivo e pouco popular. Vive pelos cantos quieto, apreensivo e amargurado. E tudo isso piora quando ele recebe as fotos dele mesmo totalmente bêbado, desorientado e violado sexualmente. Ele foi vítima de estupro, e nem soube direito como isso aconteceu.

Para piorar, boa parte da escola onde ele estuda fica sabendo disso, pois suas fotos começam a rodar entre os estudantes. Como se a situação não fosse séria o suficiente, sua namorada, Evy Dominguez (Angelique Rivera) é uma das poucas testemunhas do crime, e decide tomar uma providência, comunicando a mãe de Taylor, Anne Blaine (Lili Taylor), sobre o ocorrido, apresentando as fotos do próprio filho devassado.

Anne fica desesperada, e procura a diretora do colégio, Leslie Graham (Felicity Huffman), que por questões políticas (proteger o bom nome que a escola tem junto à sociedade e aos seus investidores), faz vista grossa sobre o assunto, afirmando que tudo foi o resultado de uma farra de adolescentes bêbados, e que Taylor também tinha parte da culpa por aquilo ter acontecido.

Mas, só para garantir que tudo vai ficar sob controle, Leslie comunica o assunto para o treinador do time de basquete da escola, Dan Sullivan (Timothy Hutton), que já tinha percebido o comportamento explicitamente sexual dos estudantes do colégio, incluindo a sua própria filha, que não tinha pudor nenhum de rebolar para os coleguinhas. Dan ao menos tem uma conversa séria com os jogadores do time, e vários dos alunos são considerados suspeitos em potencial do crime.

Logo, temos aqui um dos cenários mais complexos. Um estupro homossexual, que pode ter sido cometido por um negro, o que fatalmente vai levantar o tema do racismo. Tudo isso é turbinado pela questão da sexualidade dos adolescentes, o consumo de bebidas alcoólicas e substâncias ilícitas por eles. E a forma como a sociedade lida com tudo isso: ou com medo, ou com hipocrisia, ou com vergonha.

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Faltam palavras para dizer como essa estreia da segunda temporada de American Crime foi boa. Aliás, ótima. Excelente. Viu, já achei três palavras.

As propostas apresentadas no piloto criam uma elevada expectativa de uma temporada tensa, intensa, complexa e envolvente. Não dá para passar indiferente aos temas levantados pela série, e a forma séria e madura com que tudo foi abordado empolga qualquer um que gosta de uma boa série. Entendo que terão os críticos que vão dizer que “a série tem um ritmo lento demais”. Mas, nesse caso, ela precisa ser lenta. São temas delicados demais, onde os detalhes da personalidade de cada um dos envolvidos passa a ser algo fundamental para um parecer mais preciso sobre tudo o que foi apresentado. Não dá para contar tudo às carreiras, correndo.

Sem falar que esse ritmo mais pausado também resulta em um resultado final mais apurado em vários aspectos, principalmente na estética da série, que volta a ser muito bem cuidada e pensada na proposta de história que eles estão contando. Uma fotografia mais sombria, com uma certa ausência de cores, algo já adotado na primeira temporada, se torna ainda mais vital nessa segunda história, dando o tom mais bucólico e melancólico do cenário geral da trama. Além disso, várias das cenas são feitas em close nos personagens, mostrando de forma mais enfática suas expressões faciais, o que também indica os traços mais fortes de personalidade de cada um dos envolvidos.

Por fim, todo o elenco de American Crime está muito bem. Prevejo mais uma vez Felicity Huffman, Timothy Hutton e Regina King destruindo em suas atuações, mas não podemos deixar de lado Lili Taylor, que foi excelente nesse primeiro episódio. Temos que afirmar que ajuda muito quando se tem um bom texto nas mãos, e American Crime se preza por isso.

Enfim, American Crime 2ª temporada repete a ótima fórmula adotada no ano passado, e é uma das séries que você não pode deixar de ver em 2016. Diferente de Wicked City, que foi a tentativa de “chocar por chocar” que não deu certo, a série criada por John Ridley é muito bem pensada, bem estruturada e otimamente executada. É o tipo de drama inteligente, que tira o telespectador da sua zona de conforto, fazendo boa parte da população em refletir sobre aquilo que eles não querem nem pensar no seu dia a dia.

Ter séries assim no ar é algo que nos motiva a continuar a escrever sobre séries todos os dias.

Primeiras Impressões | Wicked City (ABC, 2015)

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Los Angeles é a “vila dos malucos”. E um deles quer trazer a sanidade do seu jeito.

A ABC tenta introduzir na sua grade de programação um drama mais denso e pesado com Wicked City, que segue o estilo de séries como True Detective e Aquarius. Uma limited series, com história fechada por temporada, onde vamos acompanhar não só o processo de investigação da polícia, mas acompanhar de perto também o assassino/serial killer/maluco da vez, mostrando todo o seu perfil psicológico e as suas motivações para realizar seus crimes.

O tema já não é dos mais fáceis. Na TV aberta, então, nem se fala. Mesmo assim, os canais abertos norte-americanos começaram a investir nesse segmento, tentando capitalizar um pouco em cima do prestígio de séries consagradas na TV paga. Acontece que não necessariamente estamos falando para um mesmo público. Sem falar que, tradicionalmente, a ABC investe em uma programação mais “familiar”, onde os dramas também não ousam tanto.

Qual será que foi o resultado final de Wicked City?

A série se passa em 1982, com os acontecimentos da temporada envolvendo o “assassino da Sunset Strip”. Jack Roth (Jeremy Sisto) é o detetive do departamento de homicídios da polícia de Los Angeles que lidera essa investigação desse caso, ao lado do seu novo parceiro, Paco Contreras (Gabriel Luna), que não é bem vindo por Jack. Na verdade, ambos escondem os seus podres pessoais, e em algum momento essas “pequenas divergências” entre os dois podem evidenciar os seus segredos. Ou isso, ou eles vão entrar na porrada em algum momento.

Na outra ponta dessa pirâmide, temos Karen McClaren (Taissa Farmiga), jornalista da revista LA Notorious, que acompanha o caso do “assassino da Sunset Strip” de perto. De perto até demais. Ela colhe informações nas cenas dos crimes, e está tão envolvida que chega ao ponto de contribuir diretamente com a investigação, já que em alguns casos ela acaba envolvida com algumas das vítimas.

E com o assassino, Kent Grainer (Ed Westwick).

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Como todo serial killer, Kent é metódico. Ele tem uma rotina para matar. Encontra uma moça na Sunset Strip. Não importa muito a sua origem, desde que ela esteja lá. Faz uma abordagem verbal com a vítima, envolve ela no seu jogo de sedução, e liga para uma rádio local para dedicar uma música para ela. Convida a mesma para ir até um dos pontos mais famosos dos namorados de Los Angeles (um desfiladeiro onde é possível ver toda a cidade iluminada a noite), espera a rádio tocar a música solicitada, e enquanto a vítima está fazendo sexo oral em Kent, ele realiza o assassinato. De forma fria e cruel.

Porém, o jogo começa a virar para Kent quando ele conhece Betty Beaumontaine (Erika Christensen), uma enfermeira e mãe solteira, que ele não consegue matar. Primeiro porque ela não cai na armadilha de Kent (por pura obra do destino). Segundo, porque ele vê que ela tem as mesmas tendências sádicas que ele possui. Betty acaba se descobrindo tão serial killer quanto ele, e os dois iniciam um romance regado à violência, tortura e outras bizzarices nada convencionais. Onde só os fortes sobrevivem.

O objetivo da temporada é mostrar como eles serão pegos (se é que serão pegos), mostrar a psiquê dos dois, e como os investigadores, apesar de todas as diferenças pessoais e podres que eles escondem, terão que investigar essas e outras mortes que virão.

Wicked City não é uma série fácil. Não é uma das séries mais violentas que você já viu na vida. Mas pensando no publico típico da ABC é, talvez, a série mais pesada que o canal já exibiu em toda a sua história. Não só pela violência, mas também pela linguagem e situações adultas (cenas de sexo, consumo de drogas, violência explícita, etc). Lida com temas delicados com uma apresentação pesada, e de difícil assimilação para a maioria das pessoas.

Por outro lado, a série é muito bem produzida. A ambientação da década de 1980 é muito bem feita, com uma qualidade acima da média. A trilha sonora é excelente, muito bem escolhida, e ajudando na ambientação da série. Aliás, como já destacamos nesse post, a trilha sonora tem papel importante na narrativa da série, já que é através da música que Kent determina o momento certo de executar suas vítimas.

A narrativa de Wicked City também é envolvente. Os diálogos são muito bons, e a forma como os personagens se expressam diante de cada situação deixa bem claro a aspiração e a personalidade de cada um deles. Também é importante destacar que a série não tem os “bonzinhos”. Não há “vitimas” no elenco principal. Todos levam culpa no cartório, ou contam com uma personalidade com desvios de caráter, com maior ou menor nível. Ou seja, é uma realidade onde ninguém pode julgar ou condenar ninguém por suas atitudes. Todo mundo é meio podre lá no fundo.

Tal como a vida real.

Também vale destacar o elenco, e a boa interpretação de Ed Westwick. E não estou zoando: todo mundo sabe o que eu penso da CW e de Gossip Girl, mas o Chuck Bass definitivamente não existe mais. Kent tem alma própria, personalidade própria e uma carga dramática que não o deixa caricata. Os demais personagens também apresentam certa dose de profundidade, o que é muito importante para uma série com esse tema, e com a estrutura narrativa que ela está propondo.

Mas… temos uma má notícia: não se apeguem, pois Wicked City será cancelada.

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Não me entendam mal. A série é realmente muito boa. Tem potencial para uma ótima temporada. Mas os números são frios, e contra eles não há argumentos. Wicked City estreou nos EUA com uma demo pior que o recorde negativo de audiência qualificada da já cancelada Forever (exibida pelo canal no mesmo dia e horário na temporada anterior). Além disso, em comparação com a mesma época do ano (semana com finais do baseball na Fox), a demo 18-49 anos do drama do serial killer foi quatro décimos pior que o drama do cara que morria e ressuscitava pelado no lago.

No final das contas, é uma “escolha de Sofia”. Acho que a ABC vai exibir toda a temporada de Wicked City, pois são apenas dez episódios encomendados. Mas não acredito que com tão baixa audiência a série terá uma segunda temporada. Só um milagre salva. Um milagre do tipo “série mais elogiada pelos críticos” ou “série mais indicada ao Emmy Awards”.

Acho que vale a pena dar uma chance para o piloto sim, que é um dos melhores pilotos desse começo de temporada. Vale pelo esforço da ABC em subir a barra de exigência. Em oferecer uma proposta mais ousada, adulta e pesada para a TV aberta. Mas acho uma tentativa válida. Acho que é fundamental para elevar a qualidade das séries da TV aberta, saindo da mesmice e do senso comum. Saindo da zona de conforto.

Chocar para fazer pensar.

Primeiras Impressões | Dr. Ken (ABC, 2015)

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Dr. Ken, a comédia do professor chinês maluco de Community, estreou na ABC.

Não que eu estivesse esperando por essa comédia, mas posso dizer que tinha muita gente curiosa para ver Dr. Ken, série protagonizada por Ken Jeong, muito conhecido do público pela série de filmes “Se Beber Não Case” e pela comédia “Community”. A curiosidade vem muito mais do fato de ser ele, e não a desconhecida Cristela Alonzo (por exemplo). Ken é um rosto conhecido mundialmente, e tem muita gente que gosta do tipo de humor dele. Então, uma comédia com ele como protagonista naturalmente resultaria em “muita gente curiosa”.

E foi mais ou menos isso o que aconteceu. Mas vamos primeiro falar do que a série se trata.

Dr. Ken é 100% centrada no Dr. Ken Park (Ken Jeong), um médico que passa pela crise da meia idade – e outras crises por tabela. Não que a vida dele seja um desastre, mas ele está chegando em uma fase da vida onde ele precisa lidar com o fato que os filhos estão crescendo, e que ele precisa balancear o seu compromisso de ser um pai presente e incentivador no desenvolvimento social e emocional das crianças, com a forte vontade de ver essas crianças amordaçadas por fita adesiva.

Ken é casado com a Dra. Allison Park (Suzy Nakamura), que é parte do ponto de equilíbrio de sua vida. Não apenas porque ela é a sua mulher, mas também porque ela é terapeuta. Isso impede que Ken tome decisões absurdas e sem sentido… por algum tempo. Quando ela percebe o mesmo que Ken, entende que o marido tem parte da razão em se preocupar com o fato da filha mais velha buscar asas.

A série basicamente vai mostrar como Ken vai lidar com esse novo momento da sua vida e dos filhos. Como esse casal vai se meter em encrencas pelo bem estar das crianças. E como essas crianças vão dar um baile nesses pais, apenas porque eles não querem perder o controle sobre eles. Controle esse quem, em alguns aspectos, eles já não tinham.

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O que dizer de Dr. Ken? Que era o piloto que eu esperava.

Não, amigos. Não estou dizendo que esse piloto é bom. Na verdade, ele é bem fraquinho. Não chega a ser algo insosso, mas não é exatamente aquela comédia que você vai se escangalhar de rir, caso você seja um telespectador um pouco mais exigente. Desligando bem o cérebro, o piloto é suportável, mas no modo “passa raspando de ano”.

Por outro lado, não dá para culpar Dr. Ken por ser exatamente a comédia que eu esperava que fosse, ainda mais quando é protagonizada pelo Ken Jeong. Boa parte das piadas são previsíveis, e a maior parte do humor da série fica por conta de Ken Jeong. E olha que o restante do elenco não é ruim (Dave Foley, Suzy Nakamura, Tisha Campbell-Martin, Albert Tsai…). Mas… convenhamos: sem o Ken Jeong e o seu humor físico/estereotipado, não haveria motivos para essa série existir, de tão comum que é.

Mesmo assim, acho que Dr. Ken pode funcionar, pelo simples fato de ser mais uma comédia familiar na ABC, exibida em uma noite de sexta-feira, onde o canal conseguiu consolidar uma alternativa interessante com Last Man Standing, mas não se estabeleceu com as últimas duas tentativas de comédia para o horário (Malibu Country e Cristela). O que pode fazer tudo ficar diferente é justamente o tipo de humor que Ken Jeong faz, algo que (pelo visto) agrada muita gente nos Estados Unidos.

E o mais importante: comparado com Cristela, Dr. Ken é irremediavelmente melhor (uma missão nada complicada, convenhamos). É mais leve, mais acessível, mas bobinha e menos ofensiva. Não tem piadas com asiáticos ou minorias. Só aí temos uma evolução consideravelmente interessante.

Enfim, Dr. Ken pode não se tornar um megahit na ABC, mas não será surpresa se, apesar de não ser essa Coca-Cola toda, conseguir uma renovação para uma segunda temporada. Já que o canal não comprou a ideia da vovó que chupa pirulito de maconha, ao que tudo indica, ver como uma família asiática com um pai caricata tenta encontrar uma harmonia doméstica com os filhos crescendo tende a ser aquilo que o telespectador do canal do alfabeto quer ver.

Primeiras Impressões | Blood & Oil (ABC, 2015)

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A ABC é assim: uma no cravo, outra na ferradura. Eu quase poderia trocar todas as palavras que disse sobre Quantico e aplicá-las em Blood & Oil, novo drama dominical do canal do alfabeto. Mas acho que isso não seria o suficiente para expressar tudo o que eu vi. Ao final de 42 minutos do episódio piloto, eu posso dizer que a nova série protagonizada por Chace Crawford (de Gossip Girl) “vai além”. Em vários aspectos.

Blood & Oil acontece na cidade de Rock Springs, Dakota do Norte, onde foi descoberta “a maior fonte de petróleo do mundo”. Com isso, todas as oportunidades de negócio estão lá… na teoria. Na prática, o lugar não tem nada que preste, as pessoas são caipiras, os preços foram inflacionados (já que tem muita gente de fora procurando se estabelecer por lá), e tudo é resolvido na base da bala ou da porrada. Mas na base da bala.

Com esse cenário promissor, o jovem casal Billy e Cody LeFever (Chace Crawford e Rebeca Rittenhouse) se mudam para lá para abrir uma lavanderia (até que faz sentido, já que todo mundo em Rock Springs anda sujo a maior parte do tempo). Porém, eles são tão “azarados” que antes mesmo de chegar na cidade eles se envolvem em um mega acidente com sua caminhonete, e perdem todo o investimento feito para abrir o negócio na nova cidade.

Sim, pois Billy é o único norte-americano que eu conheço que pega dinheiro emprestado DA FAMÍLIA INTEIRA (que investiu na lavanderia) e não faz seguro de ABSOLUTAMENTE NADA. Ok, beleza.

Chegando em Rock Springs, Billy e Cody tentam se virar. Cody tem mais talento e inteligência, e descobre que pode ser farmacêutica de uma cidade pequena com apenas dois anos de curso de farmácia. Já Billy tem que ir juntar lama em uma das áreas de exploração de petróleo de um magnata local, Hap Briggs (Don Johnson). No novo emprego, Billy tromba com o filho folgado/baderneiro/troublemaker Wick (Scott Michael Foster), que entre tantas cagadas, consegue causar um prejuízo para o pai de US$ 1 milhão.

Enquanto isso, Cody, no seu novo emprego de farmacêutica local, descobre que Hap está interessado na compra de uma área onde supostamente está um grande poço de petróleo. Comenta o assunto com Billy, que decide comprar o terreno para vender esse mesmo terreno para Hap por um preço muito maior. Detalhe: Billy não tem um puto no bolso.

Depois de pegar dinheiro emprestado para comprar maquinários e revendê-los por um preço muito maior, e ainda contar com a ajuda da esposa que penhorou a joia da avó, Billy consegue passar o velho dono do terreno para trás, e consegue, em uma semana, o seu primeiro US$ 1 milhão, ao revender a área para Hap. De quebra, vira sócio do velho.

E ele queria abrir uma lavanderia, senhoras e senhores.

Isso tudo será a força motriz da série, já que Billy e Hap terão que enfrentar “apenas” o malvadinho do Wick e outras ameaças locais, em uma trama de sangue e… petróleo!

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O piloto de Blood & Oil não é apenas ruim, péssimo, pavoroso, um lixo. Ele é errado!

Poucas vezes vi um piloto tão problemático. Algo tão mal feito. Algo tão desnecessário. Aliás, se o leitor foi perspicaz até aqui, já percebeu que a série não faz o menor sentido a partir do momento que o personagem de Billy, que não tem inteligência para administrar o dinheiro dos outros de forma eficiente para pagar um seguro do seu novo negócio, consegue virar, do nada, um super gênio da compra e venda, virando o sócio de uma lenda da exploração do petróleo.

Nem preciso falar muita coisa da moça que, com dois anos de farmácia, vira a farmacêutica local. Sobre o filho malvadinho, essa é, por incrível que pareça, a parte mais crível de todo o plot.

Aliás, Blood & Oil é mal montada. Wick causa o prejuízo para o pai “do nada”. Bastou um corte de câmera, ou uma mudança de ambiente da série para ele pensar “vou acelerar essa caminhonete para ver o que acontece”. Não há razão de ser. Não há porque acontecer. Só para ele ser demitido, ficar com raivinha e AÍ SIM ele querer se vingar do pai.

Uma assinatura de Blood & Oil são as coisas acontecerem sem ter muita razão de ser. Sem falar de algumas cenas de péssimo gosto, e que saem do nada para ir a lugar nenhum. As interpretações são péssimas, onde os mocinhos e mocinhas fazem força para serem bonzinhos, e os vilões fazem muita força para serem vilões.

O texto é medonho. A impressão que dá é que os roteiristas querem dar a entender que a própria série tira sarro dela mesma, mas sem aquele efeito engraçado das séries que fazem isso de forma pensada.

E o final do primeiro episódio pode ser chamado de final “filhos da p*ta”, porque é feito para que os trouxas voltem para o segundo episódio. SPOILER ALERT: Don Johnson não morre na série, pois ele é o produtor-executivo da mesma, tá?

De nada.

Blood & Oil consegue ser pior do que The Bastard Executioner e Minority Report, que já são pavorosas. É inacreditável como a ABC pode ter aprovado séries tão diferentes, e coloca as duas no domingo, apenas para que esse contraste seja maior. Quantico talvez seja a grande surpresa positiva do canal nessa fall season. Já Blood & Oil me faz pensar se realmente não seria melhor a ABC estrear logo Of Kings and Prophets.

Antes que eu me esqueça: parem de comparar Blood & Oil com o remake de Dallas. A série da TNT é muito melhor que esse lixo que a ABC jogou na nossa cara no último domingo.

Primeiras Impressões | Quantico (ABC, 2015)

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Se você achou que Quantico poderia ser o “Grey’s Anatomy dos agentes do FBI”, você está redondamente enganado. Digo mais: errou feio, errou rude. A nova série dominical do canal do alfabeto tem uma trama envolvente, com várias possibilidades, onde vamos descobrindo as motivações e segredos de todos os envolvidos. Ok, tem o grande evento que liga tudo? Tem sim. Mas também uma conspiração sem precedentes.

Quantico começa “apenas” com o maior atentado terrorista na cidade de Nova York desde o 11 de setembro de 2001, onde a jovem agente de campo do FBI Alex Parrish (Priyanka Chopra) é diretamente envolvida no incidente. Alex é acusada injustamente pela autoria do atentado, mas não é tão inocente assim. Aprontou das suas no passado, como por exemplo matar o próprio pai, que abusava fisicamente da mãe. De qualquer forma, entre matar o pai e ser uma terrorista existe uma distância enorme, e ela foi envolvida em uma grande conspiração.

Conspiração essa que começou quando ela ingressou na divisão Quantico do FBI. Alex está no mesmo grupo de outros jovens agentes, com diferentes origens, com diferentes objetivos e, é claro, diferentes segredos a esconder. É claro que aqui você precisa ignorar que o FBI do mundo das séries é, historicamente, o departamento do governo norte-americano mais incompetente da história. Mas convenhamos: se tudo fosse perfeito, essa série não existiria.

Tem de tudo entre os “coleguinhas” de FBI de Alex: irmãs gêmeas se passando por uma, um gay que andou visitando a Faixa de Gaza por quatro anos mas não contou para ninguém, um maluco que engravidou menina de 14 ano que fez ela abortar em um país onde o aborto e crime (a menina morre e ele não conta pra ninguém), um falso “garoto de ouro” que só avançou no FBI por causa de sua beleza, e a loirinha que quer vingar os pais que morreram no 11 de setembro.

Ah, tem também um agente veterano disfarçado, Ryan Booth (Jake McLaughlin), que tem que ficar na cola de Alex a mando de seu chefe, Liam O’Connor (Josh Hopkins), que tem os seus próprios problemas emocionais e psicológicos para lidar – que envolvem Alex de alguma forma -. Meses depois, temos o atentado, e rapidamente descobrimos que nossa protagonista foi colocada ali como isca. Não só para a conspiração que emerge dentro dos departamentos de defesa dos Estados Unidos, mas nas altas esferas do poder.

E podemos estar diante de eventos sem precedentes.

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Quantico pode me enganar no futuro. A série pode se perder, cair no “mais do mesmo”, e no futuro eu posso vir aqui e xingar muito. Mas pelo menos no seu piloto, ela foi muito bem. Me arrisco a dizer que foi o melhor piloto de série dramática da fall season 2015 até agora.

Mesmo com algumas barrigadas (descrevi a principal delas nesse post: o FBI é um departamento treinado por Homer Simpson), Quantico apresenta uma trama interessante, onde apesar das tragédias pessoais dos personagens aparecerem, elas não vão dar o tom da série. O evento maior (o atentado) será o efetivo destaque, e não vamos ter aqueles momentos de “eu sofro mais que você porque minha mãe tem Alzheimer” como já vimos por diversas vezes em Grey’s Anatomy.

A conspiração criada em Quantico é maior do que as tragédias pessoais. E as aspirações e objetivos de cada um torna as coisas um pouco mais complexas e dinâmicas. Você termina o piloto com a impressão que qualquer um pode fazer parte daquela conspiração. Qualquer um deles – inclusive a própria Alex – pode estar envolvido nessa conspiração, que resultou no atentado terrorista.

Eu sei… posso ter sido fisgado pelo tal “desejo de revelar mistérios”. Mas só pelo fato do piloto ter me surpreendido em não cair no lugar comum (ou na falsa impressão que o promo deixou) já me deixou otimista em relação ao avançar dos seus eventos. Quantico tem um ritmo envolvente, bons diálogos, uma boa cena de ação, e os plot twists bem aplicados, que não só criam o efeito surpresa para o telespectador, mas que ajudam a apresentar de forma gradativa e consistente a personalidade dos principais personagens.

Mesmo que Quantico não seja essa série toda ao longo da temporada, é seguro dizer que a série ao menos começou bem, e eu pretendo continuar para ver onde essa trama pode chegar. E nem preciso dizer que a ABC tomou a melhor decisão dos últimos cinco anos (pelo menos) ao colocar essa série no lugar da “maravilhosa” e “espetacular” (já cancelada, se o mundo tiver alguma coerência) Of Kings and Prophets (aka “a série da Record na ABC”).

Primeiras Impressões | The Muppets (ABC, 2015)

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Os Muppets são considerados uma instituição da TV norte-americana. São carismáticos, fazem parte da infância de públicos de diferentes gerações, sempre foram garantias de bons índices de audiência… por que não fazer um mockumentário sobre esses personagens, como “pessoas físicas”, nos bastidores de outra produção televisiva? Sim, eu sei… parece viagem de drogado. Mas dessa forma temos a série The Muppets.

É o seguinte: estamos em um universo onde a ABC decidiu fazer um documentário sobre os bastidores do novo talk-show comandado por Miss Piggy. O programa vai receber uma visibilidade ainda maior, não apenas porque estamos falando dos carismáticos Muppets, mas porque recentemente Miss Piggy encerrou o seu relacionamento de longa data com o sapo Kermit (Caco), e o programa é a sua forma de mostrar que ela está seguindo em frente.

Porém, como todo mundo sabe, a vida do sapo Kermit nunca foi fácil. Não basta você ter como ex-namorada uma porquinha muito mais popular que você. A ironia do destino manda que o mesmo sapo Caco seja o produtor-executivo do novo programa de Miss Piggy. O resultado disso é bem óbvio: Kermit é o último a falar, e o primeiro a apanhar. Dela e de todo mundo no programa.

Os demais personagens do The Muppets Show fazem parte da equipe de produtores e roteiristas do programa, que trabalham duro para conseguir atrações para o show, ao mesmo tempo que precisam driblar o ego infladíssimo de Miss Piggy. E só pelo piloto já temos uma clara ideia que essa não será uma missão tão fácil. A temperamental porquinha não aceita qualquer um no seu programa, principalmente aqueles que, de alguma forma (mesmo que essa forma seja bem subliminar e apenas para ela), esteja relacionada direta ou indiretamente com o seu término com Kermit.

Também não ajuda muito o fato de Kermit já ter iniciado outro relacionamento, com outra porquinha que trabalha na equipe de produção.

Soma-se à isso as marcantes personalidades de todos os personagens do universo dos Muppets, e temos um talk-show totalmente imprevisível, e um documentário que pode revelar muito mais sobre eles do que qualquer um de nós poderíamos imaginar.

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The Muppets é uma ideia de Bill Prady, co-criador de The Big Bang Theory (aka a comédia mais vista da atualidade), que há dois anos pensou em um mockumentary baseado nos personagens de Jim Henson. Logo, as expectativas eram altas para uma comédia de qualidade. E, de um modo geral, eles conseguiram alcançar o seu objetivo. O piloto funciona, sendo uma comédia com piadas leves e acessíveis para o público de todas as idades. As referências mais “pesadas” (por exemplo, confundir uma reunião de produção com uma reunião dos AA) são bem sutis, e os pais não precisam se preocupar com eventuais constrangimentos.

Mas o que torna The Muppets viável é que ela parece ser bem estruturada para que crianças e adultos possam assistir a série sem se sentirem perfeitos idiotas. Sim, pois estamos falando de marionetes. A série consegue fazer bem essa ponte porque todos os personagens que as pessoas conhecem há décadas mantiveram as suas personalidades, sem alterações bruscas. Isso reforça a ideia de que não são uma versão “hardcore” dos Muppets, mas sim os mesmos personagens que conquistaram as crianças do passado/adultos do presente.

Ao mesmo tempo, o texto e as situações apresentadas trabalham com as ironias da vida adulta, como a vaga no estacionamento com a foto gigante da ex, o cartaz daquela atriz famosa – que é a primeira coisa que você vê depois de terminar com o namorado, e isso marca você profundamente -, ou as dificuldades em conquistar os pais da nova namorada. Essas são situações típicas do universo dos adultos. E, como adulto, ver os Muppets encarando essas situações, acaba sendo tão inusitado, que torna tudo risível.

The Muppets não é aquela comédia que você vai terminar o piloto gargalhando, mas você vai rir por sacar as referências e ver como o mundo adulto, apesar de complicado, é divertido. A série começou com uma forte audiência na ABC, e pode dar certo por causa do carisma dos personagens, pelo horário que a série será exibida (e hoje vemos como eles acertaram em colocar no timeslot das 8 da noite, pensando em um público de todas as idades), e pela simplicidade da ideia de trazer personagens carismáticos para a vida adulta.

É cedo para dizer que é renovação segura. Mas pelo menos as expectativas de The Muppets ser uma das estreias mais esperadas da temporada se cumpriu. Quem sabe é uma das que devem se salvar na ABC em maio de 2016.

E Marvel’s Most Wanted, hein? Vai ou não vai?

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Pelo visto, vai. Mas quase não foi.

O spinoff de Marvel’s Agents of S.H.I.E.L.D. (ABC) foi anunciado antes da temporada 2014-2015 chegar ao fim, mas quando maio chegou (doravante conhecido como ‘o mês do facão’), o projeto foi oficialmente cancelado. Porém, alguma alma dentro da ABC (quem sabe o próprio Kevin Reilly, CEO do canal) ou da Marvel (que é quem injeta dinheiro nessa p*rr*) decidiu ‘voltar atrás’, e temos de volta ao mundo dos vivos o tal spinoff.

Que agora tem nome: Marvel’s Most Wanted.

A série terá como protagonistas Adrienne Palicki (Bobbi ‘Mockingbird’ Morse) e e Nick Blood (Lance Hunter), ‘casal’ que foi apresentado à audiência da série ao longo da 2ª temporada. Os eventos que darão origem ao spinoff acontecerão ao longo da terceira temporada de SHIELD, e tudo leva a crer que não teremos um ‘backdoor pilot’ dentro da série mãe, mas sim uma sequência de acontecimentos que mostrarão o rumo dos dois para a nova série.

Tal estratégia aumenta as chances do spinoff nascer bem montado, e não como algo que vem ‘do nada’, em um evento isolado, sem qualquer tipo de lógica ou coerência. Criar um arco específico para descolar acontecimentos da série principal para uma série secundária aumentam as chances da audiência de SHIELD acompanhar Most Wanted. Nesse ponto, a estratégia da ABC/Marvel está correta.

Mas… (sempre tem um ‘mas’).

Durante toda a segunda temporada, destacamos que a audiência ‘doméstica’ de Agents of SHIELD está abaixo daquilo que justificaria a uma série do seu porte a ficar no ar. A audiência geral da segunda temporada caiu na estreia de 5.98 milhões para 3.88 milhões. Mas pelo visto, isso não importa para a ABC.

A demo da série ainda é boa (3.0 na primeira temporada, 2.8 na segunda temporada), e sua audiência média dobra quando são adicionados os números dos DVRs. Esses índices são mais que suficientes para que a série seja renovada. E isso porque eu nem citei o fato de que a série é comercializada no mundo todo, o que rende um lucro absurdo para a Marvel. Sem mencionar que a série, de tempos em tempos, cruza o seu universo com a história contada nos cinemas, e isso ajuda a fidelizar o público.

Logo, Marvel’s Most Wanted até que demorou para ter o seu projeto aprovado. Acho que as dúvidas da ABC/Marvel poderiam ser de outros fatores, mas jamais sobre o potencial da série. Talvez muita gente se questione se a dupla Bobbi/Lance podem segurar uma série. Particularmente, acho os personagens bons, e que podem sim render uma boa história.

Mas… quem sabe na Netflix. Na ABC? Missão difícil.

Modern Family e The Big Bang Theory ‘ignoradas’ no Emmy Awards 2015

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Sinal dos tempos, meus amigos. Duas das grandes figurinhas carimbadas do Emmy Awards entre as séries cômicas foram praticamente ignoradas na lista dos indicados desse ano: Modern Family e The Big Bang Theory. Podemos dizer aqui um ‘finalmente’, e com gosto.

Não me entenda mal, amigo(a) leitor(a). Eu gosto de Modern Family. Não gosto tanto de The Big Bang Theory, e não ignoro a importância e relevância das duas. Porém, já havia passado da hora dos velhinhos da Academia de Ciências e Artes Televisivas ‘olharem para os lados’, buscando outras opções. Há anos a lista de indicados ao Emmys vivia da mesmice de sempre indicar os mesmos, não dando chance para que novidades nas categorias de comédia recebessem alguma visibilidade na premiação.

É… parece que os velhinhos aprenderam como usar o controle remoto.

Modern Family não foi absolutamente ignorada. Ainda está presente em muitas das categorias principais, incluindo Melhor Série de Comédia, Melhor Ator Coadjuvante de Comédia e Melhor Atriz Coadjuvante de Comédia. Porém, diferente dos outros anos, acabou aquela ‘farra do boi’, onde basicamente bastava estar no elenco adulto da série para ser indicado ao Emmys.

Em 2015, foi indicado quem merecia ser indicado em Modern Family: a série em si (pode torcer o nariz, leitor), Ty Burrell e Julie Bowen, como Phil e Claire Dunphy, que são hoje a melhor coisa que a série tem.

Já foi o tempo em que Cameron e Mitchell chamavam a atenção positivamente, e o momento do casal na série já passou (até se casaram, ou seja, não tem mais o que contar). Graças ao Senhor finalmente entenderam que Sofía Vergara só é uma gostosa que faz ela mesma (que todo episódio tem que falar ‘maaaaaanyyyyyy’). E Ed O’Neil está mais preocupado em fazer o seu e ganhar o seu salário, que é o mais alto do elenco. E pronto.

Unbreakable Kimmy Schmidt, que tem apenas uma temporada, recebeu mais indicações de Modern Family. E quem sabe não é ela que pode impedir que a série receba o sexto Emmy consecutivo como Melhor Série de Comédia em seis anos?

Vamos aguardar.

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Já o caso de The Big Bang Theory é mais flagrante e, ao mesmo tempo, mais recompensador. Pois entendo que há muito tempo ela é apenas a ‘comédia mais vista dos EUA’, e não uma das melhores comédias da atualidade.

A série vive de piadas recicladas, ou das excentricidades do Sheldon, ou das piadas em cima do Sheldon. Tudo bem, a história da série andou um bocado: gente se casou, gente foi para o espaço, a mãe de um morreu… mas o grosso da história está engessado no mesmo lugar. A série vai para a nona temporada, e salvo um detalhe ou outro, qualquer um de nós que abandonamos lá atrás podemos retomar, que vamos poder acompanhar sem problemas.

E parece que algumas pessoas entre os votantes da Academia perceberam isso.

Não só TBBT não foi sequer indicada como Melhor Série de Comédia, como Jim Parsons também não entrou na lista de Melhor Ator de Comédia. A única indicação relevante que a série recebeu foi para Mayim Bialik como Melhor Atriz Coadjuvante de Comédia.

Sinal dos tempos.

Os fãs de The Big Bang Theory que me desculpem, mas nesse caso, a ‘amnésia’ do Emmy é mais do que merecida. Demorou até para que a série caísse no lugar comum dessa premiação. Vocês podem questionar alguns nomes da lista para Melhor Ator de Comédia (eu deixo), mas a pelo menos três temporadas Jim Parsons não merecia estar nela (mesmo vencendo o Emmy na categoria nos últimos dois anos).

E sobre a Melhor Série de Comédia, por favor… faz muito tempo que The Big Bang Theory não é digna de estar nessa categoria. Com séries do porte de Veep, Silicon Valley, Transparent e Unbreakable Kimmy Schmidt, não havia espaço para a série dos nerds. E isso porque eu ainda colocaria Orange Is the New Black em seu lugar, se a mesma fosse elegível (nesse ano, o Emmy Awards cometeu a burrada de colocá-los na categoria de drama).

Não quero ficar jogando mau agouro nas duas séries. Se ambas conseguem te fazer rir, ótimo. Objetivo alcançado. Mas já faz um tempo que as duas precisavam ser deixadas de lado no Emmy Awards, pois não eram mais capazes de entregar uma qualidade que dignificassem as indicações.

Modern Family ainda pode vencer o Emmy Awards 2015 como Melhor Série de Comédia? É claro que sim! Afinal, está indicada na categoria. Mas é fato: não merece.

E The Big Bang Theory só sofreu daquilo que está bem claro nos dias de hoje: tem comédias melhores na TV. Apenas isso.