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Augusto Nunes. Ex-jornalista.

A afirmação no parágrafo anterior só não é verdadeira porque hoje em dia você não precisa de diploma para ser jornalista. No meu mundo perfeito, Augusto Nunes teria perdido a carteira de jornalista quando agrediu um colega de profissão muito melhor do que ele (um vencedor do Prêmio Pulitzer). Logo, para mim, ele é um ex-jornalista.

Na verdade, Augusto Nunes deveria perder a licença para exercer essa profissão quando ele ousou falar dos filhos dos outros, dando a entender que seus pais eram irresponsáveis porque estavam ausentes. É… ele esquece conceitos como “família moderna” (onde os dois trabalham), “cuida da sua vida” e “ninguém pediu a sua opinião”.

Achou que seria engraçado comentar esse aspecto da vida alheia.

Augusto Nunes ainda afirmou que agiu como qualquer homem agiria. Bom, isso é relativo. Ele pode estar falando do homem das cavernas. Afinal de contas, ele pode ter feito o registro “in loco” do comportamento do homem de Neandertal, assimilou a cultura primitiva e decidiu aplicá-la como uma “tradição milenar”.

Se é que você entende onde eu quis chegar no parágrafo anterior.

Quando eu vi o Augusto Nunes perdendo a estribeira no Programa Pânico porque foi chamado de covarde (com um Emílio Surita colocando pilha e mostrando o seu “elevado nível de escrúpulos” ao armar aquele cenário para o convidado agredido), eu me lembrei rapidamente da minha mãe. Uma mulher que, apesar de apoiar o atual governo (não posso culpá-la: filha de militar, 78 anos, diagnóstico de Alzheimer… como ela não apoiaria?), sempre teve bom senso para me dar o mínimo de educação para resolver os conflitos de forma mais civilizada.

 

 

Minha mãe sempre dizia: “nunca dê o primeiro soco”. E, você pode ter certeza: eu já levei muita porrada na vida. Calado, em muitas vezes. E quando tinha a razão em outras tantas.

O tempo me mostrou que eu tinha um megafone, e eu nem estou falando da internet dessa vez. Uma mente que não para de trabalhar, um coração que não para de bater e um desejo enorme de ajudar na transformação do mundo ao meu redor.

Venci e perdi discussões falando, gritando e berrando. Apelar para a agressão física diante de uma ofensa não faz você mais homem que os outros. Isso não é defesa da honra. Agredir alguém fisicamente é a mais explícita demonstração de irracionalidade e ausência de inteligência.

Na verdade, eu deveria ter pena do ex-jornalista Augusto Nunes. Ele não ficou ultrapassado apenas na profissão. Ele ficou ultrapassado como ser humano. Lembra um varão do Brasil império, que desafia tudo e todos, com uma postura verborrágica. Dá até para imaginar ele com um chicote na mão, desferindo golpes nas costas de qualquer escravo negro.

Talvez ele nem seja uma pessoa tão ruim assim. Quem sabe ele é apenas alguém retrógrado, antigo e desatualizado, que está profundamente irritado porque o coletivo detectou nele uma postura de uma pessoa que não acompanhou a marcha da evolução.

Ou porque, como tantos outros, abraçou um lado, e sente os efeitos desse abraço.

Triste fim para Augusto Nunes. Perder a razão diante de um Prêmio Pulitzer. Logo ele, que nunca teve sequer a chance de ser o melhor jornalista do Brasil.

É digno de pena. Mesmo. É triste terminar uma vida profissional dessa forma.

 


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