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O mundo gira. E, em alguns casos, para algumas pessoas, dá cambalhotas.

Antes de qualquer coisa, eu não tenho lados. Eu não escolhi lados entre PT e Bolsonaro. Eu acho os dois um lixo, e estou muito propenso a irritar todos os seus defensores. Eu até prefiro assim: prefiro despertar nos descontentes a ira e a revolta, mas ter uma opinião minimamente racional, que deixa claro a minha indisposição em defender qualquer lado. O Brasil virou um mar de irracionalidade bipolar, e eu não tenho que participar dessa loucura ignorante.

Porém, por incrível que pareça, eu não estou aqui para falar sobre política. Quero falar de jornalismo investigativo e das ironias da vida.

Na noite de ontem (9), muita gente descobriu o The Intercept Brasil, site de jornalismo independente que, entre outras coisas, mostrou para qualquer criança de 5 anos de idade, de forma transparente, como o “plano” de governo de Bolsonaro era ruim, como foi mesmo golpe e ditadura militar no passado, que o nazismo é sim de direita e tantas outras verdades que boa parte da massa ignorante não quer aceitar até agora.

Ao mesmo tempo, por causa do The Intercept Brasil, muita gente finalmente descobriu que o Telegram existe. Irônico, uma vez que o WhatsApp ficou fora do ar e muita gente foi para o Telegram de alguma forma.

Muita gente também conheceu quem é Glenn Greenwald, escritor, advogado e jornalista norte-americano, especialista em direito constitucional. Um vencedor do prêmio Pulitzer. Alguém que tem credibilidade internacional sobre os conteúdos que publica como conteúdo jornalístico.

Greenwald é quem está comandando o trabalho de jornalismo investigativo com os conteúdos do vazamento das conversas entre o então juiz Sérgio Moro, Deltan Dallagnol (jurista responsável por coordenar a força-tarefa da Operação Lava Jato) e outros envolvidos no maior plano de combate à corrupção da história do Brasil, onde os dois estariam trabalhando juntos pela manutenção da prisão do ex-presidente (criminoso, corrupto e ladrão, quero deixar bem claro) Luís Inácio Lula da Silva.

De novo, deixo claro: uma coisa não anula a outra. Nada vai mudar o que eu penso sobre Lula. Ele ainda merece pagar pelos crimes que cometeu. Porém, ao que tudo indica, a máquina da justiça estava contaminada, e ele não teve um julgamento justo. E não podemos viver em um país onde a justiça tem que ser feita a todo custo. Ou pior: a justiça é feita para beneficiar diretamente um candidato.

O sistema eleitoral brasileiro foi contaminado, e esse é um crime gravíssimo.

Podemos estar diante do maior furo jornalístico da história, e ele aconteceu a partir de um hack de um smartphone. Muitos vão tentar criminalizar o hacker ou Greenwald por divulgar as informações sem consulta prévia aos envolvidos. Isso não existe no jornalismo, caro leitor. Notícia é notícia. Se é de interesse da população, a informação é a prioridade. Não tem conversa. Os acusados que venham a se defender depois.

Agora, o que é mais irônico é ver Sérgio Moro reclamando de um vazamento quando ele mesmo fez isso para impedir uma nomeação da então presidente Dilma Rouseff (nomeação essa que eu também achei nefasta na época). Moro precisa entender que é o mundo dando voltas ou, nesse caso, cambalhotas. Tudo o que vai, volta.

Eu peço para o amigo leitor que, antes de tentar pedir que o meu corpo seja queimado em praça pública, que tenha o mínimo de bom senso e acompanhe com atenção aos acontecimentos que estão por vir. O site The Intercept Brasil afirma que tem 1600 horas de conteúdos em áudio e vídeo, além do fotos e conversas que comprometem ainda mais os envolvidos.

Então, antes de começar a pregar o #LulaLivre ou o #EuApoioaLavaJato, espere mais um pouco. E vá defender a sua bandeira munido de informação.

Ou vai gritar nas redes sociais que nem um imbecil.

Mas uma coisa é certa: o jornalismo sério pode mudar os rumos do Brasil, tal e como deveria ser.


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