Muita gente a essa altura do campeonato está dizendo “eu avisei” para a Apple. Eu não sou um deles simplesmente porque não avisei nada. Mas, se existe uma coisa que não há mais como esconder, é que a empresa de Cupertino não inova há muito tempo. A prova disso é o iPhone 5, que segundo analistas, não vai muito bem nas vendas (algo que já foi desmentido pela própria Apple, após a revelação dos seus números de vendas). De qualquer forma, o que realmente o iPhone inovou? Trazer uma tela maior não significa nada. Nem mesmo para o iPhone que eu e você conhecemos.

O analista da CNET, Eric Mack, escreveu um artigo na semana passada afirmando que o iPhone (o smartphone) pode cair no mesmo efeito que Adam Lambert, Sarah Palin e outros pseudo ícones pop que simplesmente deixaram de ser comentados depois de 2010. Calma, não é uma visão apocalíptica. É apenas a constatação que o smartphone da Apple está, aos poucos, deixando de ser o “produto referência” que era em 2010. A prova disso é que, nas principais operadoras norte-americanas, ele já não é mais o smartphone mais desejado entre os consumidores (em alguns casos, ele fica de fora da lista dos três smartphones mais desejados). No meio de tanta especulação, alguns rumores começam a aparecer, como novas cores para o iPhone, um modelo de baixo custo e com materiais mais frágeis, e o iPhone 5S, o rumor mais plausível, que deve ser anunciado no próximo verão nos Estados Unidos, com a perspectiva de, mais uma vez, ser apenas uma evolução do modelo atual.

Muitos se arriscam a dizer que a Apple já inovou o que precisava inovar, e não precisa criar nada novo para o seu produto definitivo. Ledo engano. Começo a acreditar que, mesmo que algum dia a Apple lance um iPhone 6 (vai que ela muda de ideia), ele também não vai ser um produto revolucionário. E os motivos disso estão no presente.

Para começar, o iOS é um sistema operacional congelado. Todo mundo já se cansou da cara do sistema operacional móvel da Apple, por mais funcional que ele seja. Ele é o mesmo desde 2007, e as pessoas gostam de ver interfaces renovadas em seus dispositivos. Na verdade, nem a Apple aguenta mais o iOS do jeito que está, tanto que mandou o seu responsável embora. E essa é a esperança dos seus usuários. Quem sabe um iOS 7 realmente diferente, ainda mais leve e funcional, e que realmente justifique a atualização do seu dispositivo. Eu mesmo ainda estou com o iOS 5, e não sei por quanto tempo ainda ficarei com ele. Até porque não vi motivos suficientemente fortes para atualizar o meu dispositivo.

Outro motivo para a Apple começar a se coçar está no seu maior rival, a Samsung, que junto com o Android, vem apresentando soluções novas e diferenciadas para os usuários. O Galaxy S3 canibalizou um bocado o mercado onde o iPhone era considerado intocável, com um dispositivo com um hardware muito superior à proposta da Apple. Sem falar que a fabricante sul-coreana vai apresentar ao mundo o Galaxy S4 antes da Apple anunciar um novo iPhone. Ou seja, a Samsung terá um dispositivo novinho, mais moderno e com novas possibilidades antes que você diga “mas onde eu posso comprar esse produto mágico e revolucionário?”.

Além disso, a Apple nas mãos de Tim Cook é uma empresa diferente, e não pelo lado bom. Falta a ênfase de Steve Jobs para fazerem as coisas darem certo, ou serem entregues em um estágio muito próximo da perfeição. A Apple continua forte, mas segue hoje um modelo mais tradicional de entregar aos seus consumidores o que eles querem, e não aquilo que eles podem querer, que é o que Jobs sempre pregou. Um exemplo claro disso é o lançamento do iPad Mini, algo que Jobs nunca admitiu publicamente que seria viável, e os rumores de um iPhone de baixo custo (algo que ainda custo a acreditar que vai acontecer).

O resultado desse “congelamento” da Apple tem um reflexo direto e imediato no consumidor. Hoje, os mais jovens não acham mais a Apple “a empresa descolada do momento”. Para a geração que era adolescente na época do lançamento do primeiro iPod (2001), tudo bem, a Apple segue sendo aquela empresa referência na qualidade de produtos, deisgn e funcionalidades. Mas, para a nova geração, que teve como primeiro smartphone o Samsung Galaxy S2, acha o iPhone um smartphone “de velho”. Acham mais interessante levar no bolso um Android, um Windows Phone e até mesmo um BlackBerry (pasmem), que são sinônimos de “ser descolado”.

Isso, sem falar no preço do iPhone, que tanto aqui quanto lá fora, é um dos smartphones mais caros (senão, o mais caro) do mercado. O preço ainda é determinante na hora da compra, e com concorrentes com produtos vantajosos e que fazem basicamente a mesma coisa que o smartphone da Apple faz, a escolha por outro produto acaba sendo inevitável.

Por fim, e o mais importante: está passando da hora da Apple surpreender novamente. Sabe, causar o efeito “wow” de uma coletiva ou apresentação, tal como fez nos lançamentos do iPod, do iPhone e do iPad. Muita gente pode falar no Siri, o assistente pessoal do iPhone. Mas, convenhamos… mesmo ele sendo um recurso interessante, ele não é uma inovação genuína. Sem falar que o sistema é tão burro, que depois de quase 2 anos do seu lançamento, ele não compreende o português.

O iPhone como conhecemos é um produto bem maduro. Tanto na sua consistência de funcionamento, como no seu tempo de mercado. Nos últimos 10 anos, a Apple foi a empresa que sempre surpreendeu os seus usuários e a indústria como um todo com o efeito surpresa, com a inovação, ou com um “wow” em uma coletiva de imprensa. E faz um bom tempo que ela não consegue arrancar exclamações empolgadas dos jornalistas que acompanham o mercado de tecnologia. E particularmente, acho difícil que um futuro iPhone 6 consiga nos surpreender, apesar de torcer (de verdade, sem sacanagem) para que eles alcancem esse objetivo.

E você, o que acha? Estamos diante do fim da era iPhone? Ou o smartphone da Apple ainda tem muita lenha para queimar?