Como uma nova versão de um sistema operacional pode fazer toda a diferença. A Microsoft apresentou ontem (20/06) de forma oficial o Windows Phone 8, que se inovou pouco aos olhos do público, traz um grande salto nas suas especificações técnicas, mostrando que a Microsoft chega batendo pesado, e com o objetivo fixo de entrar com os dois pés no mercado de sistemas operacionais móveis.

O Windows Phone 8 foi feito para ser mais rápido, mais prático, mais objetivo, e mantendo a experiência integrada com os demais produtos que contam com a logomarca Windows. Mesmo sendo uma versão que aparentemente é uma atualização da versão anterior, o sistema oferece variantes tão novas e possibilidades para um hardware tão mais potente (na teoria), que faz com que a nova versão seja praticamente nova, se comparada com a versão 7.5 Mango.

Vejamos: multitarefa real, suporte para telas com resolução em HD, processador multinúcleo (no caso, um Qualcomm Snapdragon S4 Plus de dois núcleos, mas segundo a própria Microsoft, o Windows Phone 8 pode suportar processadores de até 64 núcleos), melhor suporte ao sistema de mapas, nova tela inicial, com maior nível de personalização, suporte para slots de chips SD, novo Nokia Mapas com turn by turn… e isso porque citei apenas aqueles que eu me lembro nesse momento. Mas só esses já justificam a teoria que o Windows Phone 8 é o “produto final”, e que o Windows Phone 7 foi apenas o “ensaio”.

Muita gente reclama da tal segmentação. No caso do Windows Phone, essa segmentação só será dos modelos de entrada, que são os smartphones que hoje estão no mercado, e que só serão atualizados até a versão WinPho 7.8 (que conta com alguns recursos da versão 8), e dos novos modelos, com Windows Phone 8, que serão lançados no terceiro trimestre de 2012 (sabe lá Deus quando eles chegam ao mercado). Um detalhe importante é que a Microsoft não revelou quais são as especificações mínimas de hardware para aceitar a nova versão do seu sistema móvel. Por outro lado, já sabemos que, no mínimo, o seu processador será de dois núcleos. Jamais abaixo disso.

A ausência dessas informações representa uma faca de dois gumes para a empresa de Steve Ballmer. Se por um lado eles ainda contam com um tempo razoável para arredondar o sistema antes de chegar aos fabricantes, fica aquela dúvida de saber o quão caro pode ser o preço desses modelos. E esse temor é justificado, principalmente para fabricantes como Nokia e Samsung. Por mais que esses fabricantes tenham se esforçado para lançar modelos com preços competitivos, eles não são “tão competitivos assim”, se comparados aos smartphones Android de entrada.

Além disso, o grande “pecado” do Windows Phone ainda é a falta de oferta de aplicativos. A gigante de Redmond anunciou que a loja já possui mais de 100 mil aplicativos disponíveis, e acredito mesmo que a Windows Phone Marketplace é a loja que (proporcionalmente) mais cresce no mercado mobile. Mas ainda não é o suficiente. Muitos aplicativos relevantes e importantes ainda não estão presentes no Windows Phone, e é um fator que afugenta o consumidor na hora da compra.

A boa notícia é que o Windows Phone é um ótimo sistema mobile, e tudo o que vi sobre o Windows Phone 8 me dá a certeza que ele será incrível. Mas em um mundo com iOS e Android consolidados, não basta ser incrível. A Microsoft precisa convencer os seus consumidores em potencial que sua proposta é tão ou mais atraente que os concorrentes. Nos recursos, eu não tenho dúvidas disso. Nas funcionalidades, também não. Falta mostrar para a galera que sim… o Windows Phone é tão legal quanto o Android, e tão inovador quanto o iOS.

Mais: convencer os usuários que “quando você usar o nosso telefone, ele vai funcionar da mesma forma que o seu notebook, o seu Xbox 360, o seu computador do escritório…”. Mostrar que ninguém vai se sentir perdido com interfaces diferentes, com mundos diferentes.

E nisso, acredite: a Microsoft está indo no caminho certo.