A notícia do final de semana, e que repercutiu ao redor do planeta foi sobre a decisão da HTC fechar as suas portas no Brasil. Isso foi noticiado em todos os grandes blogs e sites de tecnologia do mundo, e muitos deram a nota com pesar, uma vez que lá fora, temos o HTC One X como um excelente aparelho, mas que nunca vai chegar ao nosso mercado. Porém, eu lanço a pergunta: será que a HTC, em algum momento, realmente esteve no Brasil?

Eu quero deixar bem claro que não tenho nada contra a HTC. Pelo contrário. Através do TargetHD, testei alguns dos seus smartphones, aprovei alguns deles, e até gosto de sua interface Sense. Porém, como já disse antes, acho que essa decisão de não ir para a briga contra Nokia, Samsung, LG, Apple e derivados uma grande burrice. É claro que nessa opinião (pessoal e imparcial; é bom avisar para os chatos de plantão, que pedem “imparcialidade”) eu pesei todos os prós e contras, e entendi os motivos da empresa em baterem em retirada. E, mesmo assim, é um erro sem tamanho abandonar o mercado brasileiro.

Vamos por partes, como diria o açougueiro do supermercado vizinho de casa.

O motivo principal para a saída da HTC do Brasil é aquele que afeta de forma implacável a HTC, as demais empresas de tecnologia e todo e qualquer brasileiro: a elevada carga de impostos. Esse câncer criado pelo Governo Federal para arrecadar recursos para supostamente serem destinados em projetos sociais e/ou melhorias para a população. Recursos esses que bem sabemos que nunca chegam ao seu destino (e você, pró PT, pode dizer o que quiser, mas não vai me convencer do contrário), e que, em muitos casos, vão para outros “projetos sociais” (a.k.a. Mensalão, Carlinhos Cachoeira, Demóstenes Torres…). Mas esse post não é lugar para isso.

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A alta carga de impostos realmente afugenta as gigantes de tecnologia a produzirem no Brasil. A Apple, por exemplo, só começou a produzir os seus principais gadgets em território nacional depois de árdua negociação para obter isenção fiscal. Por outro lado, empresas como Samsung, Sony, LG e Nokia fabricam os seus celulares e smartphones aqui no Brasil, recebendo as mesmas isenções, e obtendo lucros com vendas. Ok, nem preciso discutir com você sobre o elevado preço dos seus produtos considerados top de linha, mas fato é que isso não fez com que todas essas empresas não desistissem de produzir os seus produtos por aqui.

A HTC foi na contramão das demais. Jamais demonstrou interesse real em aumentar os seus investimentos no Brasil, de fabricar os seus produtos por aqui. Apostou apenas na importação de alguns modelos que em muitos casos estavam muito defasados em relação ao mercado internacional, e buscava obter lucros nivelando o mercado brasileiro por baixo. Para vocês terem uma ideia, a empresa ainda apostava em lançamentos com Windows Mobile 6.5 (não confunda com o novo Windows Phone) e Android 2.1 até o ano passado. Enquanto isso, nos demais mercados, modelos com Android 2.3 e 4.0 enchiam as prateleiras.

Ok, preciso ser justo: o último grande lançamento da empresa no Brasil foi o HTC Ultimate, aparelho esse que considero um excelente smartphone, com uma tela ampla, excelente para se trabalhar com o Windows Phone. Porém, no ato do seu lançamento, foi exclusivo de uma operadora, por um preço elevado (R$ 1.699), e em um momento onde todos estavam esperando mesmo era os lançamentos da Nokia com o sistema da Microsoft. Eu não vi a HTC trabalhar com marketing pesado em cima desse lançamento no Brasil, que naquele momento, era o primeiro smart com Windows Phone a chegar no nosso mercado.

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É nesse momento que a HTC deveria ter apostado tudo nessa cartada, dado a cara pra bater, e ao menos tentar a todo custo convencer o consumidor brasileiro que estava vivo no mercado brasileiro. Mas, convenhamos, ela não chegou nem perto de fazer isso. Aliás, historicamente, a HTC fez de conta que esteve no Brasil. Foram poucas as vezes que vi propagandas da empresa em revistas, jornais ou na TV. Nas lojas de operadoras, nenhum destaque era dado para os seus modelos. No e-commerce nacional, nenhuma promoção, e no mercado como um todo, a HTC sempre foi uma coadjuvante. E pelo visto, a empresa estava satisfeita e acomodada com essa posição.

Mas… por que a decisão de sair do nosso mercado é uma burrice?

Simples: porque todas as demais estão lucrando no Brasil!

O discurso de “impostos elevados, falta de incentivo fiscal, por favor nos ajudem…” está bem mais fraco que nos últimos anos. Isso é sinal que os fabricantes estão lucrando e muito no mercado brasileiro, que está em expansão. Hoje, não ficamos mais chocados com smartphones de R$ 2 mil (não temos grana para isso, é claro, mas não é algo que ficamos surpresos), e temos ótimos modelos intermediários na casa dos R$ 1 mil, que é um valor que o brasileiro médio pode pagar em 10 vezes sem juros (no carnê ou no cartão de crédito). Logo, o Brasil é sim um mercado muito promissor, cheio de oportunidades, onde o consumidor brasileiro está disposto a comprar alguns dos principais lançamentos do mercado.

Faltou para a HTC coragem e disposição para investir no nosso país. Sobrou preguiça para trabalhar melhor os seus produtos em terra tupiniquim. Acreditou que em um nicho menor poderia se dar bem, mas na prática, o nicho foi tão pequeno que tornou a empresa inexistente. Por isso, cabe a pergunta do título do post…

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Será que a HTC algum dia REALMENTE esteve no Brasil? Na minha humilde opinião, não!