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25 anos de Feitiço do Tempo (ou como você sabe o que é o Dia da Marmota)

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Uma definição de clássico é ‘relativo a um autor ou uma obra, algo que se tem por modelo digno de imitação em qualquer arte ou ciência’. E Feitiço do Tempo (Groundhog Day, 1993) é, definitivamente, um clássico. Um modelo a ser seguido de comédia de fantasia.

Muitos tem na mente esse filme de Harold Ramis, porque é um filme atemporal (no sentido de clássico). Sem falar que, por causa desse filme, muita gente sabe o que é o Dia da Marmota.

Hoje, 14 de fevereiro, comemoramos os 25 anos de estreia de uma comédia atípica e precisa. Um filme que mostra Bill Murray eno seu melhor, com uma sensibilidade absurda para o tragicômico que poucos conseguiram mostrar no cinema até hoje.

 

 

O roteiro de Feitiço do Tempo é impecável, mas ele seria insuficiente sem o grande trunfo do filme: Bill Murray. Outros atores foram considerados para protagonizar esse filme – entre eles, Tom Hanks -, mas não só o intérprete do Dr. Venkman em Os Caça-Fantasmas foi o dono do papel, mas foi o dono do filme todo. E isso funciona perfeitamente.

A facilidade como Murray se revela como um cínico e pouco agradável apresentador de TV sem precisar recorrer a recursos diversos é superada ao longo do filme pelos seus esforços para se acoplar com o desenvolvimento da narrativa e alterar a percepção inicial, que é muito diferente no final da odisseia do seu personagem.

Um personagem que terminamos amando de forma incondicional, depois de acompanhar o nosso herói pelo período indefinido de tempo (há quem fala de dez anos, há quem fala que foi 15, 20, 30 ou 40 anos), em um dia que se repete sempre, ao longo de 100 minutos do filme. Mesmo assim, temos um leque de diferentes aspectos de sua personalidade, onde a sutileza de Murray rende inevitáveis risadas.

 

 

Soma-se a isso o fato da personagem de Andy McDowell, que faz o contraponto perfeito para reforçar ainda mais a ideia de que o personagem de Murray tinha que entender em toda a sua dimensão o egoísmo humano (e o dele mesmo), e que a felicidade dos que nos rodeiam começa por nós mesmos, onde Phil Connors sente que sua viagem pessoal é algo singular.

A maior virtude de Feitiço do Tempo é sua inequívoca transição entre a escuridão e a luz, sem tentar provocar gargalhadas histéricas, mas sim risadas sinceras do espectador, do primeiro ao último minuto. Talvez porque nos vemos nessa parábola do mundo materializado em que vivemos, ou talvez porque o filme tem uma qualidade espiritual simplesmente inevitável.

 

 

A transformação de Phil em uma versão melhor dele mesmo (que não é diferente do que ele é) fica ilustrada na determinação do personagem em ser uma pessoa capaz de namorar Rita (McDowell) em um único dia. Adicione esse componente romântico, e temos um filme que evita com humor as áreas mais escuras da viagem do protagonista, sem deixar o filme vazio e, com autoridade, se tornando um indiscutível clássico do cinema.

 

 


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Publicado emEspecialResenhas e Reviews