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A “presença de Anitta” no MTV VMA 2023

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Dona Larissa desceu o morro por diversas vezes, carregando seus sonhos no coração. E nem mesmo nos seus mais loucos sonhos ela imaginou que poderia conquistar o mundo.

Mais uma edição do Video Music Awards (VMA) da MTV aconteceu, e em uma cerimônia de premiação que durou quase quatro horas (céus… Quase um Oscar em plena terça-feira à noite… por que, MTV?), mais uma vez a cultura pop foi celebrada de forma plena.

A boa notícia para nós, brasileiros, é que podemos colocar ao lado de uma Taylor Swift que conquistou todos os prêmios possíveis e imagináveis, da justa comemoração dos 50 anos da cultura hip-hop e da consolidação do K-Pop aquilo que oportunamente vou chamar de “presença de Anitta”.

Em um cenário musical que hoje é dominado completamente pelas mulheres pela quantidade e qualidade das músicas e videoclipes apresentados, dona Larissa fez história em uma das mais importantes premiações da indústria musical, vencendo pela segunda vez consecutiva o prêmio de Melhor Videoclipe Latino e se apresentando no palco principal do evento em duas oportunidades.

E é nesse momento que algumas reflexões precisam ser feitas.

Logo de cara, eu digo: amigo(a) leitor(a), é seu pleno direito não gostar da Anitta. Não vou discutir o gosto das pessoas. Exceto é claro aquelas que gostam de jiló, pois esse é o tipo de gente que destruiu as papilas gustativas ao longo da vida.

O que não podemos mais colocar em pauta de discussão é a relevância de Anitta no cenário da música global. Ela se tornou a artista brasileira com maior visibilidade no planeta, e sua presença está consolidada neste aspecto.

Eu mesmo entreguei os pontos. Não sou ávido consumidor de sua música, mas reconheço suas conquistas, pois são fruto de trabalho duro e dedicação.

Anitta soube trabalhar o marketing pessoa a seu favor, controlou a própria narrativa inclusive quando se viu envolvida em polêmicas, se vilanizou quando necessário e (principalmente) não teve medo de apostar nela mesma e nas suas visões criativas.

Criticar a Anitta pela hipócrita acusação de sexualizar e banalizar a música chega a ser algo cretino. Como se ninguém fizesse sexo na vida, sendo que alguns dos críticos mais vorazes ou estão com uma vontade louca de ter a mesma liberdade sexual, ou que já cometeram as suas infidelidades longe dos olhos dos outros, mas pagam de moralistas, de forma bem conveniente.

É fácil criticar uma mulher que decidiu fazer do “meu corpo, minhas regras” uma realidade prática, não é mesmo?

Além disso, Anitta escolheu defender o funk como sua música. A música do seu país. Tá, ela navega por vários outros estilos musicais hoje. Mas dessa vez, ela venceu por um estilo musical que é defendido pela galera do morro. Pelos favelados. Pelos excluídos.

Anitta tem razão. O funk será o próximo estilo musical a dominar o mundo. Aliás, ela reforça a ideia das culturas afro serem musicalmente mais completas. O hip-hop, cultura dos negros afro-americanos que se desenvolveu no auge do racismo nos Estados Unidos, hoje domina o mundo.

O samba, que no começo do século passado era criminalizado a ponto de levar negros para a prisão, é a principal identidade cultural do brasileiro.

É fácil criticar o estilo musical que vem do povo preto que vive no morro, não é mesmo?

E mesmo enfrentando tudo isso, em uma espécie de “contra tudo e contra todos”… dona Larissa fez história.

Eu assisto ao MTV Video Music Awards de forma regular e acompanhando com a mínima atenção para os movimentos do cenário musical norte-americano desde 1993 (pelo menos).

No passado, o máximo de espaço que um artista brasileiro tinha era os poucos segundos da exibição do videoclipe no segmento dos vencedores da categoria “Escolha da Audiência”, e isso me enchia de orgulho.

Logo, mesmo não sendo um ávido consumidor de sua música, foi impossível não se orgulhar da Anitta ontem.

Considerando tudo o que ela enfrentou e trabalhou para alcançar esse status em sua carreira, só posso aplaudir de pé suas conquistas e, de alguma forma, me inspirar nelas para projetar meus sonhos e materializar minhas realizações.

Anitta representa hoje a vitória da mulher brasileira moderna. Chamem a moça de arrogante, prepotente, grosseira… hoje, eu vejo esse tipo de crítica como algo estruturado e conveniente a partir de uma sociedade machista e hipócrita que, bem lá no fundo, tem e as mulheres empoderadas.

Seria um exagero pensar que 2023 é o ano do empoderamento feminino na cultura pop?

Afinal de contas, “Barbie” é o filme do ano. Taylor Swift revolucionou o mundo da música ao lutar para ter o direito de suas músicas de volta, e o VMA foi dominado pelas mulheres na lista de vencedores.

Dito isso, é bom ter uma mulher brasileira entre as mais relevantes. E no caso da “presença de Anitta”, é emblemático.

O funk venceu, minha gente. Antes do sertanejo universitário, da sofrência e da Banda Calypso.

E isso, porque a tal “cena da boquete” nem apareceu no videoclipe de “Funk Rave”…

P.S.: ah, você não sabe o que significa o termo “boquete”? É sinal que você muito provavelmente não está preparado(a) para toda essa revolução que está se construindo diante dos seus olhos. Até porque estamos falando do “furacão Anitta”…


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@oEduardoMoreira