Anatel e seu presidente

Não precisava eu escrever isso em um blog. É a coisa mais óbvia do universo: a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) nunca esteve do seu lado, e as recentes declarações de seu presidente, João Batista de Rezende, são apenas evidências explícitas disso.

A ideia estapafúrdia de limitar a franquia da internet brasileira veio da própria Anatel, que por decreto abriu essa possibilidade. O objetivo? Atender os interesses das operadoras/prestadoras de serviços, que podem oferecer um serviço ainda pior e cobrar a mais por isso. Ou ter um gargalo no serviço que já é uma porcaria, e cobrando a mesma coisa. De qualquer forma, nós perdemos, eles ganham.

O mesmo João Batista de Rezende tem relacionamento próximo com as grandes operadoras. No lugar de ser o presidente de um órgão regulador, ele atua praticamente como o “papai bonzinho” para ela, abençoando a ideia de limitação de banda, já que atende ao que ele “acredita ser o consumo correto” da internet pelo brasileiro. Ou como muitos já afirmam, no melhor estilo Coreia do Norte de acessar a internet.

É engraçado como esse cidadão vê a internet como “um privilégio”, e não como um direito fundamental do cidadão, como por exemplo água e energia elétrica. Hoje em dia, praticamente tudo é feito pela internet, inclusive procedimentos relacionados ao governo federal. As pessoas dependem da internet para trabalhar, estudar, procrastinar, Aliás, que negócio é esse de não termos o direito de fazer o que quiser com o serviço que estamos pagando?

Não existe.

A liberdade de uso, no entendimento da Anatel, é uma utopia. É algo que, para o Brasil, um mercado que até outro dia estava em plena expansão, não serve. O mais irônico disso é que sediamos a maior Campus Party do planeta. É patético ver o presidente de um órgão regulador dizendo que não vai criar regra nenhuma para impedir que as operadoras prejudiquem os clientes na cara dura!

É a filosofia do “quando pior, melhor?”. Sério mesmo?

Já disse isso antes quando a questão foi “Uber vs taxistas”: não podemos barrar a evolução. A tecnologia existe para tornar a vida das pessoas melhores e mais práticas. A internet existe, é um fato, é uma necessidade da maioria das pessoas, e não podemos voltar atrás nisso. Principalmente quando essa medida é a favor das operadoras de internet, que também oferecem o serviço de TV por assinatura, que por sua vez perde a cada ano mais e mais audiência para os serviços de streaming, que oferecem entretenimento de qualidade por um preço muito menor do que o cobrado pelos absurdos e caros pacotes de canais.

A única chance que a população tem para evitar o pior é fazendo barulho. Muito barulho, e na orelha dos políticos. Deixar muito claro que não aceitamos esse tipo de mudança nas regras do jogo, que vai na contramão de uma natural evolução de várias esferas da sociedade.

Ou senão as pequenas empresas, comércios conectados e inclusive meus blogs simplesmente vão desaparecer. E eu não quero isso. Você pode até querer. Mas eu? Não. E é o que importa.