BIE - Banco de Imagens Externas da Agência Senado. Cabo de rede. Crédito: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Eu não estou brincando! Falo sério. Se tudo o que a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) se cumprir, será mais fácil navegar pela internet com a internet discada do que com a banda larga, que será mais lenta do que nunca. Pior: apoia iniciativas das operadoras em reduzir a velocidade de conexão ou até a interrupção do serviço, caso o usuário consuma a sua cota de dados.

A ideia da nobre agência (controlada pelo governo) é simplesmente colocar limites no consumo de internet banda larga, com cotas de acordo com o consumo. Isso só prejudica quem usa mais, já que a ideia da agência é a mesma para o consumo de energia elétrica: quem consome mais, paga mais, e quem consome menos, paga menos. Na teoria deles, isso é lindo. Na nossa, é o fim de muita coisa.

A questão não está em quem consome mais ou menos. Hoje em dia, qualquer usuário consome pra caramba. Não importa o que consome. Hoje, a internet tem bem mais conteúdo do que há 10, 15 anos atrás. Qualquer usuário que se preze assiste vídeos no YouTube, acessa regularmente o Facebook (rede social com elevado consumo de dados), envia muitos dados na nuvem (tendência essa mundial), utiliza comunicadores instantâneos e redes sociais. Hoje, não há mais consumo baixo ou elevado.

Quem consome mais tem o direito de consumir. Não há ônus para quem usa menos. O serviço é o mesmo para todos. Você tem que pagar pelo serviço e/ou velocidade de conexão (que, por sinal, é oferecido apenas 10% para todo mundo… ou será que a Anatel vai obrigar as operadoras a entregarem uma velocidade maior do que recebemos?), e não pela quantidade de dados consumido, que já está vinculado ao serviço. Sem falar que 130 GB de dados não dá para nada: baixe quatro jogos de Xbox One, e pronto: a cota do mês já foi.

Logo, é uma desculpa que não cola mais. E é uma desculpa dita em coro pelas prestadoras de serviços, que são as reais interessadas. As operadoras não querem dizer com todas as letras que “não aceitamos a concorrência com Netflix, YouTube e derivados”. E querem seguir capitalizando em cima dos serviços de internet e TV por assinatura. Aliás, no caso da TV paga, eles não querem é perder clientes, algo que está acontecendo de forma gradativa e quase vertiginosa nos últimos meses, por conta da crise econômica brasileira que persegue o bolso do brasileiro.

Muita gente já abandonou a TV paga para viver de streaming de vídeos ou downloads de filmes e séries. Eu mesmo adotei essa estratégia. Posso muito bem viver sem TV paga, já que não tenho mais tempo para ficar em casa vendo TV. Trabalho o dia inteiro durante o dia, e tenho várias atividades durante a noite. Logo, o que vejo de TV no final de semana são as séries que assisto regularmente. Isso quando não vou ao cinema, onde um filme é mais barato que o pay-per-view.

As operadoras estão sentindo o peso desse prejuízo. Estão sentindo que o consumidor já entendeu que é melhor ter internet em casa do que uma TV a cabo que vive de reprises, qualidade de imagem ruim, alguns canais que não servem para nada, e ficar preso aos horários da grade de programação. O telespectador mudou seus hábitos. E tudo por conta da internet. Da massificação da internet.

Logo, Anatel… limitar a internet do brasileiro é voltar aos tempos da internet discada. Vamos fazer todo mundo acessar depois da meia-noite, nos finais de semana, ouvir aquele barulho gostoso que tanto faz falta. Vamos voltar para 1996, onde não existia o YouTube, o Netflix e o Facebook. Onde todo mundo navegava pelo Netscape, e o Terra se chamava Zaz. Vamos dar 15 passos para trás.

Anatel… acorda para cuspir! Operadoras, acordem para a vida! Ainda vamos mostrar que vocês estão errados! Que essa palhaçada não vai perdurar. Não vamos deixar.

Até porque com internet limitada, eu fico sem meus blogs, e deixo de existir na internet. Basicamente. Vários Home Offices serão fechados. O bom é que volto a ter um pouco de conversa com o mundo real. Bom, mais ou menos isso, vai…