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Banda compõe 1.000 canções de 30 segundos e hackeou o Spotify

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Se é para protestar contra uma plataforma de streaming que ganha muito dinheiro às custas da sua música, que ao menos faça de forma inteligente e efetiva. E, se possível, dê aquela trollada na plataforma, só para ela ficar esperta.

Uma banda indie chamada The Pocket Gods teve uma ideia genial para dar aquela trollada no Spotify para, de quebra, protestar contra as suas políticas comerciais. Ela subiu para a plataforma um álbum com nada menos que 1.000 músicas de 30 segundos cada.

Aí, você me pergunta: “por que diabos eles fizeram isso?”.

E esse post existe para oferecer respostas.

 

 

 

É pura matemática, meu caro Watson

Antes de responder a pergunta do segmento anterior, é importante colocar o assunto em perspectiva, para que você possa entender melhor a genialidade do protesto.

As plataformas de streaming, de um modo geral, ganham muito dinheiro. Mas contam com vários pontos débeis. No caso das plataformas de streaming musical, o seu grande calcanhar de Aquiles está nas tarifas que os artistas pagam para manter as suas músicas no serviço.

Taylor Swift que o diga.

Conforme o número de usuários do Spotify aumenta e o tempo de uso se torna maior, maiores são os números de reproduções das músicas alojadas no serviço e, com isso, maiores são as taxas que os artistas precisam pagar para manter as músicas na plataforma.

E quem realmente ganha com o aumento dos números como um todo?

Isso mesmo, meu caro Watson: o Spotify.

Pois bem, Mark Christopher Lee, líder da banda The Pocket Gods, explica que o Spotify paga apenas 0,002 euros por cada reprodução de uma música dentro da plataforma. Ou seja, para um artista ganhar apenas 1 euro no serviço, a sua música precisa ser reproduzida por, pelo menos, 500 vezes.

E, mesmo assim, existe mais uma condição para o dinheiro ser creditado na conta do artista: a canção deve ser reproduzida por, no mínimo, 30 segundos. E é por isso que as canções dos artistas no Spotify estão ficando cada vez mais curtas, com várias músicas abaixo dos 3 minutos.

Isso torna o Spotify algo simplesmente inviável para os artistas independentes. Apenas os gigantes da música ganham com a plataforma e, ainda assim, testemunham uma boa parte dessa grana indo direto para os cofres do Spotify.

Dito tudo isso, aqui está a ideia genial do The Pocket Gods.

 

 

 

Uma trollada no Spotify sem precedentes

O álbum do The Pocked Gods, 1000×30 Nobody makes money anymore, está disponível no Spotify e conta com 1.000 músicas com pouco mais de 30 segundos de duração. Assim, mesmo que seja pela curiosidade dos usuários, é certo que os caras vão ganhar dinheiro com a estratégia.

A banda reforça que essa é uma forma de protestar e chamar a atenção para a política de royalties do Spotify, e o plano dos caras deu muito certo: o álbum rapidamente acumulou mais de 600 mil reproduções.

Resultado: Daniel Ek, fundador do Spotify, marcou uma reunião com a banda para entender a situação. Aliás, podemos ver aqui uma antecipação de um futuro que pode efetivamente acontecer, com artistas lançando canções curtas apenas para obter as reproduções nos vídeos do TikTok.

O protesto parece ter dado resultado no seu objetivo final, já que o responsável pelo relacionamento com os artistas no Spotify se comprometeu a subir os valores pagos pelas reproduções no próximo aumento de mensalidade dos usuários.

Moral da história: quer fazer barulho contra um sistema que está prejudicando você? Basta jogar o jogo deles de forma inteligente. E, de quebra, fique famoso com a briga que você comprou.


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@oEduardoMoreira