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Intel matou a Optane, tecnologia cara que não resolveu o problema de ninguém

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Triste fim para a tecnologia Optane. E o que é pior: eu vi essa criança nascer.

Eu fui convidado pela Intel em 2018 para o workshop da tecnologia Optane, e no papel, eu achei tudo aquilo fantástico. Até recebi um kit de montagem de PC com essa memória para testes mais aprofundados.

Agora, com o anúncio do fim do Optane cinco anos depois do seu lançamento (a Intel apresentou oficialmente a tecnologia ao mundo em 2017), eu me pergunto se eu “ziquei” os caras!

 

 

 

Poderia ser e não foi

O principal objetivo da tecnologia Optane era simplesmente enterrar o disco rígido mecânico tradicional e competir de forma direta com as populares unidades SSD.

Ou seja, era a Intel sendo ousada para conquistar um segmento de mercado que precisava ser conquistado: o melhor desempenho possível para leitura e armazenamento de dados.

No final das contas, a Optane se comportou como um pato que nada, anda e voa, mas não consegue fazer nenhuma dessas coisas direito ou com o mínimo de qualidade.

Na verdade, essa tecnologia da Intel nem chegou perto de acabar com o HD tradicional (que ainda é utilizado como sistema de armazenamento secundário de baixo custo), muito menos de enfrentar o SSD, que se tornou o método dominante de armazenamento com a redução dos preços.

A impressão que fica é que a Intel perdeu tempo com essa divisão, quando poderia investir recursos em competir de forma direta com a AMD no segmento de processadores. Agora, encerrar o projeto da Optane chega a ser um acerto diante de tudo o que já foi investido nessa iniciativa.

A Optane era sim mais rápida para boa parte dos computadores que ainda trabalhavam com HDs tradicionais. Porém, ela contava com dois problemas logo de cara.

O primeiro problema desta tecnologia é que ela era compatível apenas em equipamentos muito específicos e modernos, e bem sabemos como isso pode ser complicado para o grande grupo de consumidores. De qualquer forma, a Intel conseguiu resolver isso com o passar do tempo.

O segundo problema da Optane foi o que praticamente decretou a sua morte: o preço.

As unidades custavam preços realmente absurdos, e o valor por GB era muito superior ao do SSD que, por sua vez, foi ficando cada vez mais barato com o passar do tempo.

E esse segundo problema jamais foi solucionado pela Intel.

Sem falar que, nos aspectos técnicos, a Optane jamais era uma substituta real do SSD, já que atuava como uma espécie de memória cache para as unidades de armazenamento tradicionais.

Alias, sua existência não fazia qualquer tipo de sentido quando era utilizada com uma unidade de armazenamento em SSD, se tornando uma espécie de cópia do Fusion Drive da Apple.

 

 

 

Uma morte previamente anunciada

O anúncio do fim da divisão da Optane na Intel é apenas um desligar de aparelhos de um paciente que estava morto desde o ano passado.

Em janeiro de 2021, a mesma Intel reconheceu a derrota da Optane, mesmo que parcialmente. Na ocasião, a empresa anunciou o anúncio do abandono dessa tecnologia para o mercado de PCs, centrando seus esforços para servidores e data centers.

Algo que fazia uma certa dose de sentido, pois algumas dessas empresas poderiam utilizar essa solução para tentar reduzir custos operacionais.

Porém, as vendas da Optane se tornaram cada vez mais minguadas, principalmente pelo fato da tecnologia do SSD só melhorar ao longo do tempo (com a chegada dos padrões PCIe 4.0 e PCIe 5.0) e, ao mesmo tempo, se tornando mais e mais acessíveis para o grande público.

Agora, some as taxas de transferências espetaculares que as gerações mais recentes do SSD alcançam com um preço ainda mais competitivo, e temos como resultado o desaparecimento de uma tecnologia concorrente que não conseguia competir em pé de igualdade.

De novo: se a Intel tivesse investido seus recursos nas melhorias dos seus processadores, a AMD não estaria tão forte hoje, e o cenário desse segmento seria bem diferente. Quem sabe com uma força dominante (o que não seria bom para o mercado).

Então, de alguma forma, temos que agradecer ao fracasso da Optane, pois isso evitou um indigesto monopólio dentro desse segmento.

 

 

 

Adeus, Optane

Agora, a Intel anunciou que vai deixar de desenvolver produtos com a tecnologia Optane.

A decisão veio com os (ruins) resultados do segundo trimestre de 2022, e isso motivou não apenas o fim da divisão como a liquidação dos estoques remanescentes das memórias Optane.

Ou seja, se o seu computador mais antigo precisa de um upgrade e você realmente acredita que vale a pena investir na Optane no lugar de um SSD (que é bem mais barato), a hora é agora. Mas não acredito que a sua visão de mundo seja tão curta a ponto de ignorar tudo o que eu escrevi até agora.

Como último detalhe relevante antes de encerrar este artigo, a própria Intel informa que o inventário relacionado com a tecnologia Optane que a empresa deixou de vender resultou em um prejuízo de nada menos que US$ 559 milhões.

E isso responde aquela pergunta que fiz no começo do post: não, eu não “ziquei” a Intel. A Optane jamais poderia alcançar aquilo que um dia sonhou em ser, e eu não tenho culpa sobre esse fracasso (felizmente).


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@oEduardoMoreira