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Uma reflexão…

Por muitas vezes eu disse que “o uníssono é a força total do coro”, e eu ainda acredito nisso. Juntos, somos mais fortes.

Porém, com o passar do tempo, aprendemos a apreciar o som plural da divisão das vozes, que podem se multiplicar para construir estruturas harmônicas complexas. Ou podem simplesmente caminhar em paralelo para entregar um resultado final que conecte os objetivos de cada cantor com aquela pessoa que está assistindo aquele coral cantar.

O objetivo final do canto coral é alcançar o coração daquela pessoa que saiu de casa animada para ouvir as canções de sua juventude. Ou aquela pessoa preocupada com o projeto em desenvolvimento, mas quer “dar uma pausa” e se inspirar com músicas de qualidade. Ou até mesmo ajudar aquela pessoa que simplesmente quer chorar as mágoas ouvindo canções que conversam com o seu coração partido.

Como integrante de um grupo de canto coral, é fundamental pensar nessas pessoas antes de pensar em nós mesmos. Deixar individualismos e pensamentos unilaterais de lado, delegar ou decidir de forma que promova a harmonia e o entendimento comum do coletivo e, principalmente, se doar para o processo de desenvolvimento musical por inteiro, com empatia e entrega.

Nem sempre a nossa visão individualizada e baseada em conceitos pouco dinâmicos refletem os desejos dos demais membros do coletivo, ou até mesmo os anseios do espectador que vai nos ouvir. A própria prática do canto coral ensina que é um claro sinal de unidade saber ouvir as demais vozes, sentindo o momento de aplicar as dinâmicas sonoras entre os naipes e cantores para que um grupo se destaque como um todo.

Um “uníssono polifônico”.

Eu sei que isso não é possível nos aspectos técnicos e musicais, mas não se apegue ao termo, e sim ao contexto aplicado nessa narrativa.

E…. antes que eu me esqueça….

Em um tempo onde vivemos a “era do sincericídio”, que pode facilmente ser confundido com ruídos verborrágicos de pessoas que não vivenciam o complexo e trabalhoso processo de desenvolvimento musical coletivo, e que claramente são manipuladas por agentes externos e forças contrárias, o melhor conselho que eu posso dar é…

As vozes que estão conscientes sobre a importância do processo de construção musical com responsabilidade, transparência e compromisso com a inovação podem e devem se harmonizar. Tanto no canto como na visão de pensamento coletivo.

A prática de canto coletivo ensina que é possível neutralizar posicionamentos não pautados na genuína visão técnica do trabalho realizado com a união de vozes e mentes que acreditam que o caminho da inovação é o correto, deixando para trás um “modus operandi” que perdurou por tempo demais para estabelecer posturas e visões objetivas pouco democráticas, arcaicas e ultrapassadas.

É sempre melhor valorizar a opinião daqueles que se apresentam diante de nós com palavras de incentivo e correções inspiradas no desejo de crescimento do que ouvir os ruídos de vozes anônimas ou manobradas por aqueles que, por diversos motivos, não desejam ver o coletivo crescer.

Essa reflexão não é feita para um coral em específico, mas para diversos projetos em desenvolvimento. Quero acreditar que, em diferentes cenários, eu não serei o único a buscar soluções objetivas para desenvolver a prática do canto coral com a garantia de uma evolução musical e conceitual.

O trabalho com o canto coral me abriu um campo extraordinário para a ampliação dos meus recursos e habilidades como ser humano. O fato de se cantar ouvindo outras melodias é um tipo de exercício fundamental para a vida, exercitando de forma direta um dos elementos mais básicos para a convivência com o próximo: o saber ouvir. Um bom cantor, assim como qualquer ser humano com ampla visão de mundo, precisa, acima de tudo, aprender a ouvir. Mais do que simplesmente cantar, é preciso estar receptivo a receber o som do cantor ao seu lado.

Grato pela atenção.


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