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O Macintosh Portable, o primeiro equipamento portátil da Apple com bateria integrada, foi apresentado de forma descompromissada por Jean-Louis Gassée em 1989.

Naquela época, a tecnologia era no esquema “é o que tempos para hoje”, mas montar um computador portátil modular, algo impensável hoje nos equipamentos da Apple, era algo sem precedentes. O Mac Portable deixa claro como a evolução no setor foi espetacular, superando aquela sofrida pelos desktops.

 

 

Jobs não tem nada a ver com isso

 

 

John Sculley assumiu o comando da Apple em 1983, depois de deixar a Pepsi. Lá, tomou decisões singulares, como a permissão dos fabricantes em produzir clones de equipamentos da Apple. Em 20 de setembro de 1989, em uma apresentação muito formal, o computador portátil foi apresentado, sem se diferenciar muito dos equipamentos produzidos até então por marcas como Compaq, HP ou Toshiba.

Porém, o Mac Portable contava com um grande diferencial: oferecia aos usuários Apple uma alternativa aos seus desktops. Seu design recebia uma tela LCD monocromática de 9.8 polegadas, e uma bateria de carros adaptada, que entregava uma surpreendente autonomia de 10 horas de uso, segundo a Apple (na prática, eram 2 ou 3 horas).

 

 

Seu trackbal poderia ser colocado do lado esquerdo ou direito do teclado, favorecendo usuários destros e canhotos e reforçando o seu aspecto “modular”. E o seu interior escondia easter eggs, como uma carcaça recebendo as assinaturas das pessoas envolvidas no desenvolvimento do equipamento.

A apresentação mostrou os seus principais módulos, dando ênfase para esse aspecto e mostrando com todo o conceito funcionava muito bem para os padrões da época.

 

 

De portátil, ele tinha quase nada

 

 

O Mac Portable não era especialmente portátil com pouco mais de 7 kg de peso com a unidade de disco rígido conectada. Outro grande obstáculo para o seu sucesso era o preço sugerido: sem a unidade de disco rígido, o preço do equipamento era de US$ 5.800 na época. Um preço absurdo para qualquer tipo de equipamento informático.

Mesmo com a Apple reduzindo o seu preço, o marketing do produto foi equivocado, já que ele foi orientado para usuários com pequenas viagens, escaladores, profissionais em construção ou para o elegante executivo que precisava arrastar aquele peso todo.

E o Mac Portable nem foi o primeiro Mac portátil. Outros fabricantes compraram peças da Apple para montar clones, entre eles notebooks baseados no Mac OS.

Resultado: o Mac Portable vendeu entre 8.000 e 10.000 unidades no seu primeiro trimestre de vida, e meses depois as vendas eram de apenas 1.000 unidades por mês. Também, pudera: de portátil, ele tinha muito pouco, e suas configurações eram muito abaixo das presentes em desktops muito mais baratos. E apenas uma minoria se aproveitava de suas características.

 

 

A Apple aprendeu com esse fracasso. No final de 1991, apresentou o seu primeiro PowerBook, que não aspiravam ser substitutos dos desktops da época, sendo menos potentes, mais portáteis e menos caros (US$ 2.500).

Para muita gente, o PowerBook era uma boa opção. Com trackpad no centro, abaixo do teclado (no local onde hoje é o touchpad), ele vendeu 400.000 unidades. Tal sucesso evoluiu, e o produto se transportou em um notebook bem mais potente, para depois dar espaço ao iBook e, em um segundo momento, ao MacBook. E aqui temos uma mudança radical no comportamento de todo um mercado, onde o notebook virou o segundo equipamento de muita gente.

Na verdade, hoje o MacBook é o primeiro e único computador que muitos precisam em suas vidas.

Até que o smartphone chegou. Mas isso é outra história.

 


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