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As últimas novidades e apresentações envolvendo o Windows 10 Mobile indicam um perfil de usuário bem mais laboral para os seus produtos. O Continuum é uma solução que não está em todos os smartphones, e mesmo não sendo concebida para esse âmbito, fica claro que sua aplicação (ou suas demonstrações) se alinham para o usuário mais produtivo. Estaria a Microsoft centrando sua divisão móvel em satisfazer o cliente com perfil profissional?

Esta ideia na verdade não é tão absurda. Há oito meses Satya Nadella (CEO da Microsoft) emitiu um comunicado onde ele explicava claramente que a empresa que ele dirigia vivia um momento de mudança. Uma virada cujo protagonismo de certo modo era da divisão móvel, muito em parte pelo fraco desempenho do segmento.

No comunicado, Nadella disse que, dentro dessa nova fase da Microsoft, o segmento móvel ia atender três pontos: os tops de linha, os produtos acessíveis e o entorno laboral. Se a médio prazo vimos os primeiros produtos dessa nova fase não atenderam estritamente esses pontos, o Lumia 650 se apresentou como “a escolha inteligente para os negócios”.

 

Mais vale o bem conhecido

Deixando de lado os dados e os números, ficamos com a experiência. A Microsoft é a empresa que, de um modo geral, informatizou nossos hábitos, tornando a informática algo normal em vários âmbitos do dia a dia. De forma mais concreta, um entre seus produtos foi o trampolim para deixar a empresa na história.

O Windows? Não. O Office!

O pacote de escritório existe há 25 anos. Sobreviveu e evoluiu até ocupar o seu lugar nos dispositivos móveis, um passo obrigatório para qualquer software que queria evitar o esquecimento. Não só para aqueles dispositivos que contavam com o Windows, já que o Office hoje é multiplataforma e gratuito (até um certo ponto).

 

A redefinição da linha média

Na MWC 2016, a Microsoft explicou melhor por que o Lumia 650 era a opção perfeita como ferramenta de trabalho. O modelo se justifica assim por conta do seu preço e pelas especificações. Ou seja, a essência do representante da linha intermediária, mas contando com o pacote Office bem no centro de sua interface, como quase propositalmente. É a Microsoft reforçando o slogan.

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Assim, com uma Microsoft com DNA importado dos finlandeses, vimos nos últimos anos tentando definir as suas linhas, renovando apenas uma parte dos seus modelos existentes, além de reinterpretar alguns dispositivos em casos pontuais. No passado, vimos um colorido Lumia 640 em plástico, com duas opções de tamanho e configuração. Algo completamente contrastante com a opção única atual, nas sóbrias cores preto e branco, e com um design metálico bem cuidado.

 

A era “pro-PC” e a expansão do desktop

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Muitos falavam da era pós-PC, mas os tablets ficaram no limbo. A Microsoft não só conseguiu manter a sua linha de tablets relevante, como também lançaram um portátil que representa uma grife nas duas categorias de produtos: o Surface Book.

São produtos que reforçam o apelo pela produtividade. Sua base principal é ter as funcionalidades de um computador em um tablet (ou a mínima expressão do computador), com um software que vai além do consumo de multimídia. Algo que escapa das limitações que encontramos nos tablets por conta das diferentes especificações entre um sistema específico para tablets e outro para desktops.

A estratégia da Microsoft está funcionando. Sem ser o principal setor da empresa, as vendas do Surface seguem crescendo (29% a mais para o segundo trimestre do seu ano fiscal em 2016). Foram lucros de US$ 1.350 bilhão (22% a mais do que os obtidos no mesmo período do ano anterior). Não sabemos em qual medida se vendeu cada modelo. Mesmo assim, tudo é mérito do Surface Pro 4 e Surface Book.

Logo, dá para entender a experiência de desktop que o Continuum oferece. É uma característica de peso e mais focada no setor profissional, algo que a Microsoft planeja para muitos dos seus dispositivos no futuro.

 

Um passado colorido, um presente preto e branco, e um futuro no ar

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Ainda que existam smartphones cada vez mais potentes e versáteis, sempre teremos alguns que se focam em cobrir aspectos mais relacionados com o trabalho baseado em um entorno informático. Algo que antes era feito muito bem pela BlackBerry com seus dispositivos e seu software baseados na segurança. E, ao que parece, a Microsoft quer esse lugar.

Por enquanto, vemos que a era dos smartphones coloridos e apelos para uma câmera vitaminada ficaram para trás, e que o caminho a seguir passa pelos projetos com foco mais ‘business’. Não sabemos se veremos no futuro o muito especulado Surface Phone. Mas certamente veremos os avanços da Microsoft no Windows 10 e mais smartphones com características muito interessantes para os produtivos.