Só pode ser influenciador se você tem diploma para falar de um determinado assunto? | @oEduardoMoreira Press "Enter" to skip to content
Início » Internet » Só pode ser influenciador se você tem diploma para falar de um determinado assunto?

Só pode ser influenciador se você tem diploma para falar de um determinado assunto?

Compartilhe

Se isso realmente acontecer e virar tendência global, pelo menos metade dos produtores de conteúdo na internet ficarão desempregados.

O governo chinês decidiu restringir o tratamento de determinadas temáticas nas redes sociais, e apenas aqueles produtores de conteúdo online que demonstrarem contar com um profundo conhecimento sobre o assunto poderão compartilhar os seus pensamentos nessas plataformas.

Para ser mais direto: um idiota completo com nome de bicicleta velha não poderá compartilhar os seus pensamentos com o mundo sobre assuntos com os quais não tem qualificação para isso, como por exemplo medicina, direito ou sociologia.

 

 

 

Censura prévia? Ou preocupação com a desinformação desenfreada?

As novas regras são especialmente voltadas para os streamers de plataformas como Tencent ou Alibaba, muito populares na China. E a medida (pelo menos na teoria) é bem pertinente em um momento em que a desinformação compartilhada por alguns produtores de conteúdo é uma ameaça real aos regimes democráticos e, em casos mais sensíveis, à vida das pessoas.

O poder de persuasão dos influenciadores digitais é enorme, e muitas pessoas menos esclarecidas acabam seguindo os pensamentos, opiniões e padrões de comportamento de alguns produtores de conteúdo irresponsáveis a ponto de culpar a bebida por suas opiniões irracionais.

Porém, neste caso em específico, estamos falando da China. E aqui, essa decisão é mais uma dentro de uma série de restrições que o governo local estabeleceu nos últimos meses contra os streamers, com a falsa desculpa de garantir a segurança dos seus cidadãos.

A China é um país que tem leis que proíbem a publicação de conteúdos que prejudiquem a liderança do Partido Comunista Chinês, com critérios que só eles entendem quais são. Também conta com legislação que impede o uso da tecnologia de deep fake com líderes do partido e exige a remoção de qualquer conteúdo que não agrade ao governo em qualquer plataforma online.

Além da censura direta, a China aprovou leis que (hipocritamente) tentam garantir a moralidade, sempre de acordo com o que isso significa para os seus dirigentes. Por exemplo, os menores de 16 anos estão proibidos de ver conteúdos via streaming após as 22h e compartilhar artigos virtuais para enviar dinheiro para influenciadores digitais.

Outro ponto de veto na China é que os streammers não podem ostentar um estilo de vida considerado extravagante pelas autoridades, nem mostrar desperdício de alimentos ou conteúdo provocativo em suas transmissões. E os lucros obtidos com as plataformas digitais pelos influenciadores digitais não podem ultrapassar os US$ 1.570 diários.

As medidas do governo chinês também afetam outras áreas consideradas influentes dentro das atividades cibernéticas, como os videogames e o comércio eletrônico, com o único objetivo (também) de limitar o poder das grandes empresas de tecnologia do país, exercendo um controle maior sobre elas.

 

 

 

É proibido proibir?

Sou contra qualquer tipo de censura, mas defendo a liberdade de expressão com responsabilidade. Você pode falar sobre o que quiser, mas deve pagar pelas consequências se falar besteira para um grande público. Entendo que essa regra deve permanecer, para a segurança de todos.

Confesso que tenho muita vontade em ver lacrado o bueiro que alguns insistem em chamar de boca para evitar que essas pessoas promovam a desinformação e as fake news de forma deliberada e sem qualquer filtro de bom senso. Mas prefiro acreditar que toda e qualquer violação neste caso deve ser punida de forma implacável.

Por outro lado, é preciso se estabelecer um critério sobre quem realmente entende sobre um assunto, e quem é um palpiteiro de plantão. E nem isso exclui a possibilidade de alguns especialistas disseminarem a desinformação para o grande público.

Ou todos nós já nos esquecemos dos médicos que defenderam práticas ineficazes para tratamentos de doenças cujo tratamento precoce não existia?

Pois é… assunto complexo, que precisa ser debatido de forma mais extensa e profunda.


Compartilhe
@oEduardoMoreira