A CES 2013 acabou, e entre tantas novidades pensadas para o mundo do entretenimento (principalmente TVs com telas com resolução 4K), os dispositivos móveis ficaram um pouco “ofuscados” na feira de Las Vegas. Mas tem um motivo muito justo para isso ter acontecido: no final do mês de fevereiro, teremos a Mobile World Congress 2013, em Barcelona. E aí sim os dispositivos móveis devem reinar absolutos. Mas isso não quer dizer que pelo menos um anúncio ligado ao mundo da mobilidade não merecesse destaque.

A Sasmung decidiu “brincar” (no bom sentido), anunciando uma nova plataforma de processadores para smartphones, a Exynos 5 Octa, que possui nada menos que 8 núcleos de processamento ao seu dispor. Vale lembrar que não estamos falando de um processador “octa-core”, ou seja, um único processador com oito núcleos de processamento. Basicamente, eles conseguiram colocar dois potentes processadores quad-core no espaço de um único processador, e esses dois processadores vão trabalhar de forma independente, para entrar em ação em momentos específicos. Um deles atua com as tarefas mais simples, enquanto que o outro se encarrega com as tarefas mais complexas e pesadas no smartphone. Mas ambos trabalhando juntos, gerenciando o sistema juntos, e convertendo esse trabalho todo em uma economia de bateria e melhor performance.

Sabe, lá atrás, quando comecei a ouvir falar de smartphones na minha vida (na metade da década de 1990), eu me dava por satisfeito se eu tivesse um telefone com funções de agenda eletrônica, ou que pudesse gerenciar meus contatos e compromissos de forma eficiente. Os modelos de Palm que eu tive no passado faziam isso muito bem, e até mesmo alguns celulares mais incrementados, que insistentemente chamávamos de “smartphone” pela gama de recursos conseguiam fazer isso sem uma grande necessidade de recursos de hardware. Um processador bem mais simples, com poucos MHz e pouquíssima quantidade de RAM era o suficiente para gerenciar uma ROM bem feita.

Hoje, ficamos irritados quando trabalhamos com um smartphone com um único núcleo de processamento. E posso dizer que não é nenhum exagero essa irritação.

Com o passar dos anos, os fabricantes aumentaram nossas expectativas em relação aos dispositivos móveis. Ofereceram mais e mais possibilidades aos smartphones, que hoje, para muitos casos, eles substituem o nosso notebook em tarefas simples. Logo, quanto mais rápido ele “pensar”, e quanto maior for o “fôlego” (a.k.a. RAM) ele tiver, mais coisas ele vai fazer. Mas muitos achavam que os processadores para dispositivos móveis estavam chegando em seu ponto limite de evolução e desenvolvimento com os processadores quad-core. Pois bem, a Samsung chega para mostrar que o limite é um pouco além disso, com uma solução que podemos dizer que é uma inovação, já que pouquíssimos fabricantes tinham pensado nisso antes.

Sem falar em todo o trabalho de engenharia envolvido para colocar dois processadores em um espaço ainda menor, dentro de um único chip. Tudo indica que os sul-coreanos dessa vez deram um passo muito consistente para oferecer o smartphone “dos nossos sonhos”. Não que ele já não exista, mas ter um dispositivo que é mais potente, mas que oferece uma eficiência de autonomia de bateria de até 70% maior que a média do mercado é simplesmente o sonho de todo geek.

Nessa semana, respondi o comentário de um internauta dizendo que era “um absurdo” um RAZR HD ter uma autonomia de bateria que é suficiente para aguentar o horário comercial (das 9h até as 18h). E isso porque estamos falando de um dispositivo com processador dual-core de 1.5 GHz, tela de 4.7 polegadas HD, conectividades 3G, WiFi, GPS… enfim, uma gama de recursos que naturalmente consomem uma grande quantidade de bateria. Até compreendo o desconhecimento do usuário (pois a maioria é assim), mas em partes, eu concordo com ele. É difícil de entender que os fabricantes tenham chegado nesse ponto de desenvolvimento de hardware, mas não encontraram uma solução para aumentar a autonomia de bateria nos dispositivos.

Quem sabe a solução está justamente no processador, parte vital no gerenciamento de todos os recursos do equipamento. Mais: quem sabe a solução seja justamente aumentar a capacidade de fazer mais coisas ao mesmo tempo, e direcionar o que esses núcleos a mais vão fazer. No mundo “normal”, em grandes corporações, as funções designadas se convertem em melhores resultados para todos. Talvez a Samsung também tenha entendido isso, e descoberto no Exynos 5 Octa a nova fase no segmento de processadores para smartphones.

Torço para que seja verdade, e para que os demais fabricantes acompanham essa mesma ideia.