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Ontem (06) aconteceu em São Paulo a LG Digital Experience 2013, evento anual da empresa para anunciar o portfólio de produtos para a temporada. O mais esperado dos blogueiros e jornalistas do segmento de tecnologia era o Nexus 4, o super smartphone do Google, que lá fora tem um preço incrível. Porém, isso não aconteceu. Apesar de estar no catálogo de lançamentos da LG para o primeiro semestre de 2013 no Brasil, nada sobre o produto foi comentado além de formalidades, como “estamos negociando com o Google”, “o Brasil é muito importante”, entre outras frivolidades. Bom, de oficial, foi isso. E ficamos com o ótimo Optimus G, que foi construído nas mesmas bases que o Nexus 4.

Mas o que eu queria mesmo era o Nexus 4.

Sem esse anúncio, começou uma sadia (mesmo, de verdade) discussão no Twitter sobre o que levaria uma empresa a não anunciar de forma oficial um produto que já estava em seu catálogo de lançamentos entregue aos jornalistas no evento. De forma não oficial (naquele esquema “um amigo de um amigo meu que conhece um executivo que estava no evento”), dizem as más línguas que a LG estava pronta para anunciar o Nexus 4 no Brasil hoje, mas não rolou. Por causa do Google. A fonte não entrou em detalhes, mas tudo indica que as diferenças são as mais óbvias para quem acompanha o mercado de tecnologia: preço, impostos, subsídios financeiros, etc.

Mas estamos falando do Google, ou da LG, que ainda tenta explicar por que o Nexus 4, lançado em novembro, ainda não chegou ao Brasil. E isso porque não estamos falando do fato que o produto sofreu atrasos em todos os mercados internacionais onde estava disponível, se esgotando rapidamente e ficando semanas sem vender uma única unidade  nesses mercados.

O problema é que os rumores sobre o lançamento do Nexus 5 são frequentes, e muitos veículos internacionais apostam que ele deve ser apresentado ao mundo até o mês de maio. Ou seja, corremos o sério risco do Nexus 4 chegar ao Brasil sem ser o modelo top do Google. O que seria um mico próximo ao que a Nokia cometeu no passado com modelos como o N900, que chegou ao Brasil com um ano de delay em relação ao mercado internacional.

Um delay médio de quatro meses é o que temos no Brasil em alguns fabricantes. É muito. A Nokia ainda tem esse atraso, uma vez que só anunciou os novos smartphones Lumia com Windows Phone 8 em fevereiro. Outros fabricantes como Samsung e Motorola conseguem trazer alguns de seus lançamentos rapidamente para o Brasil. Ok, as duas contam com fábricas em nosso país, o que facilitam o processo. Porém, a Nokia e a LG também fabricam os seus dispositivos por aqui, e promovem esse tal atraso de quatro meses. (exceção feita ao Optimus G, que foi anunciado na MWC 2013 e chega ao nosso mercado em maio, sendo fabricado aqui).

A Apple também entra nessa fatia dos atrasildos. Vide o caso do iPad 3, que está gerando até processo na Justiça. O iPad Mini corre o sério risco de entrar no mesmo exemplo. O pequeno tablet da gigante de Cupertino foi anunciado em outubro de 2012 nos Estados Unidos, e nós estamos em março de 2013, sem nenhum tipo de previsão de lançamento para o Brasil. Os rumores de novos iPads em abril ou maio começam a ficar mais fortes, e as chances de um novo iPad Mini ser anunciado e a primeira versão sequer chegar ao Brasil (ou recém chegada ao nosso mercado) são enormes. Aí, teremos de novo todo aquele falatório que já rendeu muito em outubro do ano passado.

Tá bom, eu sei que tudo no Brasil é difícil. Essa política de proteção ao produto nacional, que enche de impostos os produtos importados é um saco. Os próprios impostos cobrados em nosso país (que são mal empregados em diversos aspectos) é algo que irrita. Porém, ainda vejo que ficamos relegados a segundo ou terceiro plano em termos de lançamentos de tecnologia. Até entendo que isso está mudando aos poucos, e as empresas que estão liderando essa curva de mudança (Samsung e Motorola principalmente) estão se aproveitando disso. Mas também entendo que os geeks e fãs de tecnologia em geral querem ter ao seu dispor os recentes lançamentos, os produtos top de linha.

Ainda somos um mercado interessante para os fabricantes de tecnologia. Porém, com um delay de quatro meses, fica difícil entender que realmente isso se concretize na prática. Mas, podia ser pior. Esse atraso já foi muito maior no passado.