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A bolha dos heróis nos cinemas está prestes a estourar?

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Que a Marvel Studios esmigalhou a DC na San Diego Comic-Con 2022, isso é fato consumado, e nem mesmo os DCnautas terão coragem em contestar tal afirmação.

Apresentar o trailer de dois filmes que todo mundo já sabia que existiam e sem revelar planos futuros para o seu universo cinematográfico fez com que a DC fosse ridicularizada por fãs e detratores dos seus personagens.

Sem falar em toda a expectativa criada pela possível presença de Henry Cavill no evento, algo que não aconteceu (e não ia acontecer; qualquer pessoa por dentro dos paranauês de Hollywood sabia disso).

Mas… será que não estamos vendo tudo isso com uma visão meio limitada?

Existe algo a mais que essas decisões de Marvel e DC quer nos dizer?

 

 

 

Overdose de Marvel Studios em nossas vidas

Quero deixar bem claro que “pago um pau” para tudo o que a Marvel Studios está fazendo nos cinemas neste momento. De verdade.

Kevin Feige é um gênio (quero dizer, fica mais fácil ser um gênio quando se trabalha em uma empresa com uma pilha de dinheiro), pois tem uma visão de futuro para esse negócio. E temos que confiar nele porque (pelo menos até agora) ainda não fomos decepcionados pelas suas decisões.

Porém, o painel da Marvel Studios na San Diego Comic-Con 2022 foi uma espécie de “repetição” do painel realizado em 2019, organizando algumas datas e acrescentando eventos importantes, como dois novos filmes dos Vingadores no mesmo ano e a chegada do Quarteto Fantástico no MCU.

E tudo isso significa que vamos ter conteúdo da Marvel no cinema e na TV até dizer chega. Dá pra cansar ou ir à falência com tantas coisas para assistir. E eu sei que, no meu caso em particular, um dos dois vai chegar primeiro, de forma quase inevitável.

O plano é claro até para nós, que não entendemos direito o que se passa na cabeça do Kevin Feige: se antes tudo foi contado em 11 longos anos porque o Disney+ não existia, hoje as histórias levam menos tempo para serem contadas, pois é possível entregar mais conteúdo em menos tempo.

Sem falar que a Marvel não anunciou tudo o que podia na San Diego Comic-Con 2022. Ainda tem espaço para mais novidades na D23, evento da Disney que acontece em setembro.

O problema é o “efeito overdose” que será criado.

Será que precisamos de tanto conteúdo da Marvel Studios em nossas vidas? Não estava bom antes ter três ou quatro filmes por ano? Agora, será pelo menos um filme ou série POR MÊS, e eu não sei se tenho tanta paciência ou tempo para me fidelizar nessas histórias.

Pode não parecer, mas eu tenho outras coisas para fazer na vida além de ficar acompanhando heróis tentando salvar o mundo de tempos em tempos.

E, se a audiência cansar, podemos estar diante do estouro da bolha dos filmes de heróis como um todo, e não apenas da Marvel Studios.

 

 

 

DC dosificando seu conteúdo

É claro que eu tirei sarro do escasso painel da DC na San Diego Comic-Con 2022. Ela foi humilhada pela Marvel Studios em todos os sentidos e, neste caso, se era para apresentar tão pouco conteúdo, seria melhor nem sair de casa.

Mas as coisas não são tão simples quanto parecem.

Antes de mais nada, é sempre importante lembrar para aqueles mais desavisados que ainda estamos passando em um momento de transição na Warner Bros. Discovery.

A nova empresa está se estruturando, realinhando os seus projetos em diferentes frentes e, é claro, replanejando a rota com os conteúdos da DC.

Várias séries da DC foram canceladas nos últimos meses. A única que está mais ou menos estável é The Flash e, ainda assim, seu futuro é oficialmente incerto. Está no ar porque é um sucesso comercial global, e ninguém quer deixar de ganhar dinheiro nessa vida.

Sobre os filmes da DC, os executivos da Discovery querem replanejar tudo. Quem sabe a volta do DCEU que nunca deu certo esteja nos planos, apesar dos filmes solo dos personagens funcionarem melhor.

A ideia é apostar mais em propostas como Coringa, que fez com que a DC chegasse mais uma vez ao Oscar. Aliás, essa é uma abordagem que funciona com os seus personagens, já que Batman: O Cavaleiro das Trevas tinha feito o mesmo que o filme protagonizado por Joaquin Phoenix uma década antes.

Agora, some tudo isso com o enorme problema chamado Ezra Miller, e temos uma Warner Bros. Discovery que está fazendo o que pode com os conteúdos da DC. E os fãs terão que entender isso.

A melhor estratégia para os caras neste momento é mesmo dosar os lançamentos e avançar aos poucos, em doses homeopáticas. Não dá para competir com a Marvel Studios em curto prazo, e os projetos precisam ser estruturados para, quem sabe, uma competição existir entre os dois estúdios para daqui a cinco anos.

Até lá, paciência, DCnautas. Vocês serão zoados por muito tempo.

 

 

 

O “boom” dos heróis de quadrinhos nos cinemas está chegando ao fim?

Neste momento, são os filmes de heróis (ou melhor, os filmes da Marvel Studios) que ainda justificam a existência da cara pipoca que pagamos nas bombonieres. Mas isso está mudando aos poucos.

Quando filmes como Top Gun: Maverick, Elvis e Jurassic World: Domínio superam em bilheteria filmes como Doutor Estranho: No Multiverso da Loucura, é sinal de que o comportamento do espectador está em um movimento de transição.

Outro indício de esgotamento da fórmula Marvel é a bilheteria de Thor: Amor e Trovão, que só agora no final de julho de 2022 alcançou US$ 600 milhões de bilheteria global. Normalmente esses filmes chegariam nessa marca mais rapidamente.

É de se imaginar que Kevin Feige está atento a tudo isso, e algumas mudanças nessa fórmula de filmes estão acontecendo. E, de qualquer forma, ele prepara o MCU para as próximas gerações.

O grande problema aqui é saber se vai dar tempo dessas mudanças serem implementadas a ponto de não ver um êxodo de audiência que se cansou de ver tantas histórias.

Até porque todo mundo tem vida, trabalho, contas para pagar e, de vez em quando, um dia lindo de sol para aproveitar.


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@oEduardoMoreira