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Em 2012, o site de crowdfunding Kickstarter deu uma bela sacudida na internet, com o projeto do OUYA, um produto que prometia devolver os videogames para uma era mais simples do que aquela proposta pelas gigantes do setor. Na época, era uma grande aposta: o Android não parava de crescer, e muitos apostavam que o próximo passo para o sistema era conquistar os dispositivos orientados para a TV, mas foi esse projeto do OUYA a apresentar uma opção séria.

O OUYA era um console baseado no Android que era bonito, funcional, econômico e livre dos vícios das grandes corporações. Ou seja, ‘não tinha como dar errado’, certo?

Pois é… muita coisa deu errado.

A qualidade do OUYA era questionável, o catálogo inicial de jogos era praticamente nulo, o software gritava por ajustes urgentes, e seus desenvolvedores sequer conseguiram tornar o produto uma central multimídia minimamente decente. O que é uma pena, diga-se de passagem: eu mesmo pensei em comprar um OUYA, mas depois de ler tantos relatos negativos, simplesmente desisti.

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Muito tempo passou depois do primeiro contato. Os desenvolvedores do OUYA sofreram para corrigir os erros do passado, e agora os seus proprietários contam com um produto um pouco mais próximo do que deveria ser desde o começo. Também é fato que, dois anos depois, o hardware do OUYA é praticamente obsoleto, e a mancha do seu histórico é impossível de ser apagada.

Hoje, a opinião sobre esse tipo de dispositivo é bem diferente daquela emitida há dois anos. Antes, muitas expectativas foram criadas. Agora, poucos estão dispostos a arriscar em um console/sistema multimídia baseado no Android. E não é de se estranhar que isso aconteça agora. Afinal, temos que aprender com as experiências do passado, não é mesmo?

Mas de algum modo (que não consigo compreender), bateu o entusiasmo nos fabricantes. Sem saber quantas unidades do OUYA foram vendidas, gigantes como Google e Amazon decidiram apostar em projetos similares, sem  se importar para as chances dos produtos do presente fracassarem. Tal como aconteceu com os produtos do passado.

Aqui, me resta perguntar: o que leva essas empresas a correrem tal risco? Depois de tudo o que vimos, existe mesmo mercado para esses dispositivos? Quem sabe só falta uma combinação mais adequada de software, hardware e serviços para que esses sistemas baseados no Android alcancem o sucesso.

 

OUYA vs Fire TV vs Nexus Player

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Ainda que pareçam produtos similares, a verdade é que eles são radicalmente diferentes. A essência de hardware e software é muito parecida com a de um smartphone Android adaptado para funcionar em grandes telas, mas o OUYA sempre esteve 100% focado nos videogames. Já Google e Amazon foram para a direção contrária, focando os seus esforços no consumo de conteúdo televisivo, filmes e vídeos.

E é aqui que existe um pouco de esperança para esse nicho de mercado. Bem sabemos que a indústria dos videogames está cheia de vícios, e a qualidade dos seus jogos e enormes investimentos feitos deixam o segmento preso aos gamers mais exigentes. Porém, no mundo da TV via internet, a Microsoft não vingou, e dispositivos como Roku e Apple TV mandam nesse segmento com mãos de ferro.

Google e Amazon também são fortes nesse setor. A TV pela internet não só é o futuro, mas está se transformando em um poderoso presente, onde mais e mais pessoas estão chegando. No caso da Amazon em particular, a lição de casa é feita direitinho na oferta de conteúdos, e aos poucos o Google está aprendendo como fazer.

O segredo do sucesso dos dispositivos da Amazon e Google podem estar nas necessidades do usuário. O Fire TV e o Nexus Player são dois ótimos dispositivos multimídia, que podem competir em pé de igualdade com o Apple TV e outros dispositivos, inclusive superando em muitos aspectos. Tanto Google como Amazon precisam fazer muita coisa para se igualar à oferta do Roku e Apple em países como os Estados Unidos, mas as duas compensam com uma maior flexibilidade em seus produtos.

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No mundo dos videogames, o cenário não é tão claro. A maioria dos desenvolvedores não estão convencidos com as ofertas da Google, Amazon, OUYA e outras empresas, e ainda não vemos jogos que podem sequer se aventurar a competir com o que podemos ver no Nintendo 3DS ou PS Vita. Os jogos para consoles Android ainda são muito ‘indies’, e é preciso mais do que isso para seduzir um público cada vez mais exigente.

Logo, podemos dizer que se você quer ver as suas séries favoritas no Netflix, reproduzir filmes a partir de um pendrive ou HD, e de vez em quando rodar alguns dos seus jogos favoritos de sua infância em um emulador, produtos como o Nexus Player ou o Fire TV estão prontos para te fazer feliz.

Se você deseja os videogames mais complexos e com gráficos de alta qualidade, comprar esses produtos pode ser o sinônimo de uma grande decepção pessoal.