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Duelo de gigantes.

De um lado, a acusadora. A Apple, criadora do iPhone, que reclama que “foi copiada por todo mundo”, principalmente pela acusada. Do outro lado, a Samsung, que é duramente apontada como “máquina de xerox da tecnologia”, ao lançar uma série de smartphones retangulares com cantos arredondados. No meio da confusão, além dos advogados das duas empresas, tem a juíza Lucy Koh, que a cada decisão, deixa claro que tem muita raiva da empresa sul-coreana (seria porque o seu celular não funcionou como deveria?).

Essa batalha judicial patética chegou em um round decisivo, pois o julgamento mais importante envolvendo as duas empresas começou nessa semana. No meio de tantas evidências dos dois lados, ainda resta a pergunta: por que as dua empresas não gastam tempo (e lábia) para desenvolver e vender novos produtos para nós? Porque é melhor tirar do mercado os produtos dos concorrentes?

Eu sempre achei essa disputa ridícula. Se pararmos para pensar, quem deveria ganhar com a disputa do “eu faço melhor que você” era o usuário, que poderia utilizar as melhores tecnologias que cada empresa poderia oferecer. Agora, chegamos ao ponto de argumentos babacas e cômicos, como o juiz britânico que disse que “o Galaxy Tab não é tão legal para copiar o iPhone”, e o advogado da Apple que disse que “a Samsung vai se defender dizendo que ‘o demônio disse para a gente copiar o iPhone'”. Eles não podem estar falando sério, certo?

O argumento da Apple é “é mais fácil copiar do que inovar”. Porém, a Apple está apostando no caminho errado, ao meu ver. Reclamar do formato retangular com cantos arredondados, alegando que todo mundo copiou essa escolha é algo no mínimo vergonhoso para uma empresa que tem como “bandeira” a inovação. Primeiro, porque provas indicam que a Apple só chegou nesse conceito de produto depois de também se inspirar na Sony, que apresentou projetos com esse formato. Antes disso, o iPhone em si existia, mas nenhum projeto prévio chegava próximo ao conceito final do produto que temos hoje.

Segundo (e algo que todos deveriam pensar), a resposta da Samsung é bem objetiva: “por um acaso a Apple inventou o retângulo?”. Desde quando uma empresa de tecnologia pode patentear uma forma geométrica, ou o seu uso em um dispositivo de tecnologia? Já era patético a Apple querer impedir o uso dos termos “App” e “App Store” pelos seus concorrentes (oficialmente, a loja da Apple se chama “Apple App Store”). Agora então, virou palhaçada.

Se a Apple ainda argumentasse que o sistema de ícones (que a Palm já usava faz tempo) foi copiado por todo mundo, até vai (e nem assim, venceriam). Mas essa de tentar ter o poder do retângulo é demais para minha cabeça já lesada pela idade.

Para complicar a situação, a nossa juíza Koh recusou como prova da Samsung projetos de telefones com formato retangular e cantos arredondados (de novo, é nisso que a Apple se apoia no processo), que foram desenvolvidos bem antes do lançamento do primeiro iPhone. Ou seja, como alguém pode ter copiado algo de alguém, sendo que esse mesmo alguém estava, no mínimo, pensando na mesma ideia do outro alguém (é confuso, mas vocês entenderam, porque são espertos…). Além disso, uma das provas a favor da Samsung no quesito “uso do retângulo e tela de toque em smartphones” é o Samsung Prada, que foi concebido antes do smartphone da Apple.

Ou seja, a Apple não inventou o conceito. Aliás, muito menos o retângulo.

A Apple pode afirmar que “todo mundo foi no vácuo dela”. Aí sim. E isso deve irritar muito o pessoal de Cupertino, pois deve ser frustrante você ter uma ideia, e todos os outros lucrarem em cima de algo que você pensou (mas, lembrando, não criou). Mas, são negócios, e não justifica a empreitada da Apple em desejar tirar todos os smartphones dos adversários.

Aliás, a medida só mostra uma coisa: que a Apple “está com medinho” (e estou sendo educado nesse momento).

A linha Galaxy da Samsung vende muito. O Galaxy S III é um recordista global de vendas, e é um smartphone que hoje humilha (em termos técnicos) o iPhone 4S. É claro que todos nós estamos esperando pelo novo iPhone (que talvez seja revelado ao mundo em setembro), e esperamos que ele seja pelo menos bem diferente dos modelos anteriores. Aliás, a própria Apple já provou que hardware robusto não quer dizer nada. O que importa é a experiência de uso, e isso eles sabem fazer muito bem.

Porém, se for um iPhone 4S “melhorado”… será uma grande decepção. Tal como foi no lançamento do iPhone 4S no ano passado.

Não sei o que o futuro reserva. Não sei quem vai vencer esse julgamento, que pode mudar os rumos do mundo da tecnologia. Só espero que essa seja a decisão definitiva, e que essa palhaçada acabe. Chega de querer saber quem inventou a roda, o retângulo, o botão do controle remoto ou o smartphone com tela sensível ao toque. O que eu quero? Produtos melhores, atraentes e funcionais. Simples assim.


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