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O grande pesadelo do Android responde hoje pelo nome de fragmentação. E esse pesadelo é, ao mesmo tempo, o principal argumento da Apple para promover o iOS como a plataforma ideal para a maioria das pessoas. Até porque a fragmentação no iOS é algo que, convenhamos, não existe.

No sistema operacional móvel da Google, a mais recente versão, Android 6.0 Marshmallow, depois de três meses de mercado, não consegue passar de 1% de mercado. Acho que não é exagero dizer que o iOS ultrapassa essa marca na primeira hora de disponibilidade de uma nova versão. Deixemos de lado todos os fatores que dificultam uma maior participação do mercado das novas versões do Android, como por exemplo os múltiplos fabricantes e um universo completo de dispositivos, além de uma lentidão por parte dos próprios fabricantes na oferta das novas versões.

Mesmo assim.

A estratégia da Apple em oferecer as novas versões do iOS para vários modelos do iPhone e iPad ao mesmo tempo, incluindo modelos com mais de dois anos de mercado funciona e muito bem. O usuário se sente prestigiado, com uma experiência de suporte premium, recebendo os novos recursos e funcionalidades desde o primeiro dia, junto com outros milhões de usuários ao redor do planeta.

Pode não parecer grande coisa, mas é. Mais: o usuário atualiza para o novo software se quiser, na hora que mais lhe convir, sem precisar esperar pela boa vontade do fabricante para ter o seu dispositivo atualizado. Esse tipo de suporte faz toda a diferença, e é algo que eu realmente devo tirar o chapéu para a Apple nesse aspecto.

Me pergunto como seria a situação do Android se o comportamento da própria Google fosse algo similar ao da Apple. Não precisa ser exatamente igual, mas semelhante. É óbvio que o sucesso absoluto do Android no mercado mobile foi justamente abrir o sistema operacional para vários fabricantes, dando a possibilidade de cada um deles oferecer a sua “interpretação” do softtware. Isso fez com que o robozinho verde se tornasse dominante, com uma cota de mercado acima dos 80%.

Por outro lado, é inegável que muitos usuários de dispositivos Android estão descontentes com a demora absurda de alguns fabricantes em atualizar os seus dispositivos. Eu sou um deles.

Sou proprietário de um Motorola Moto Maxx (comprado por mim, e não recebido de presente via assessoria de imprensa, diferente de alguns colegas blogueiros), e todos os dias escrevo no TargetHD sobre o cotidiano de atualizações de alguns modelos do portfólio da empresa. Moto E, Moto X Play e Moto G (em algumas versões mais recentes) estão recebendo o update para o Android 6.0 Marshmallow. Porém, o Moto Maxx, que até pouco tempo era o modelo mais completo da Motorola, ainda não saiu do Android 5.0.2. Nem o Android 5.1.1 deve receber, saltando direto para o Marshmallow, o que é uma boa notícia, de qualquer forma. Mesmo assim, a demora é irritante.

O mesmo acontece com os usuários da Samsung. Alguns modelos populares não recebem a atualização para as novas versões do Android, mesmo com requisitos técnicos mais que suficientes para receber a nova versão do software. Os donos do Galaxy S6 só vão receber o Android Marshmallow agora, no primeiro trimestre de 2016, quase meio ano depois da disponibilidade do novo software.

Só citei dois exemplos. Outros fabricantes adotam a mesma estratégia, talvez pelo desejo de praticar a obsolescência programada, tentando induzir o usuário a adquirir modelos mais recentes e com software mais atualizado.

Já a Apple tenta fidelizar o seu cliente com a garantia de que o seu produto será atualizado por, pelo menos, duas gerações de novos produtos, com uma compatibilidade com o novo software de pelo menos dois anos. Em alguns casos, como é o do iPhone 4, o update de software foi feito por quatro anos. Não discuto se o iOS 9 funciona bem ou não nesse modelo que é bem antigo para uma tecnologia atual. Mas só o fato da Apple pelo menos tentar já é algo louvável.

Em resumo: a melhor propaganda que a Apple pode fazer sobre o iOS é bater no peito e dizer: “Fragmentação no iOS? Isso não existe!”.