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Não temos números oficiais da Apple (que não os revela talvez por conta do tema que vou tratar nesse post), mas muitas fontes especializadas em estatísticas de mercado afirmam que o Apple Watch, relógio inteligente da Apple, não decolou no mercado. Ok, eu sei que ele está em poucos mercados. Mas nem nesses poucos mercados ele é considerado um sucesso de vendas.

A Apple não revela números, e até entendo que antes desses números serem oficiais, é difícil determinar um parecer para que o produto não esteja vendendo como esperado. Sem falar que Tim Cook revelou no último anúncio de relatório trimestral que ‘as vendas do Apple Watch ficaram acima das nossas expectativas’. Mas… o que eram as expectativas? E o que pode ser considerado ‘bom’ para uma empresa como a Apple?

Tim Cook também disse que, proporcionalmente, o Apple Watch teve uma melhor recepção do que o primeiro iPhone e iPad na época dos seus respectivos lançamentos. Mas… o que diabos é isso? Sobre o iPad, mesmo ele sendo visto com muito ceticismo na sua primeira versão, ele foi muito bem vendido nos primeiros meses. E sobre o iPhone, eu nem preciso entrar em maiores detalhes, já que ele foi um sucesso praticamente instantâneo no seu tempo.

Bom, por partes.

Se tudo estivesse tão bem assim com o Apple Watch, Tim Cook já teria esfregado números na nossa cara. Como não fez isso, as especulações sobre o fracasso do Apple Watch aumentam. Fornecedores de componentes e fontes dentro de grandes distribuidores e varejistas internacionais afirmam que o volume de produção e vendas do relógio inteligente da Apple está em um número muito abaixo do esperado, perdendo o chamado ‘ponto de equilíbrio’ para que o produto se traduza como um sucesso comercial.

Mais: a queda na encomenda de componentes acontece no terceiro trimestre do ano, período onde normalmente aconteceria o contrário, ou seja, um aumento de solicitações de componentes para acelerar a produção de unidades, pensando no período de vendas natalinas. E não é isso o que está acontecendo com o Apple Watch.

Fato é que: independente se temos um sucesso ou fracasso do Apple Watch, o relógio inteligente não foi capaz de repetir o fator de influência no mercado que produtos como o iPod, o iPhone e o iPad fizeram no seu tempo. Definitivamente, o dispositivo não é a referência dentro de um segmento que ainda não está maduro o suficiente para que um produto se estabeleça.

As pessoas ainda não sabem o que fazer direito com um smartwatch. Ou não querem um porque estão satisfeitos com os seus relógios de pulso. Ou com os seus celulares e smartphones, que fazem um monte de coisas, inclusive mostrar as horas. Ou porque entendem não precisar de um relógio inteligente nesse momento. De fato, além da quantificação dos seus dados biométricos e das notificações vindas do smartphone – a maioria nem independente do telefone é -, não há muita razão para a maioria comprar um smartwatch.

Eu já disse que quero um smartwatch no futuro. Mas eu não conto. Eu sou geek. Sou fanático por tecnologia. Quero qualquer coisa que tenha uma bateria. Mas a maioria não é assim.

Sem falar que temos outro fator bem óbvio para o mico do Apple Watch: o preço.

O relógio inteligente da Apple é consideravelmente mais caro que os seus concorrentes, e para um segmento onde a maioria das pessoas não compreende por que precisam de um produto como esse, colocar um valor muito elevado ‘apenas porque é a Apple’ não é a melhor estratégia a ser tomada. Tudo bem, tem usuário da Apple que compra qualquer coisa. Mas até esse comportamento tem limites.

Sem falar que o produto ainda é limitado de recursos e funcionalidades. É ‘cru’ no seu software, tal como a maioria dos relógios inteligentes no mercado. O que reforça a teoria do ‘o que eu vou fazer com um relógio desses no meu pulso?’.

O Apple Watch está disponível em poucos mercados. mercados esses que a Apple considera relevante e importante. E, mesmo assim, o produto não decola. Imagina quando chegar nos mercados intermediários, e com os valores cobrados.

É… eles se esqueceram que ‘não está fácil para ninguém’, e que no terreno dos relógios inteligentes, eles precisam entender que isso se torna ainda pior. O Pebble se dá muito bem porque é mais relógio do que smartwatch e, por isso, é um produto barato. E os demais? Não ouço falar muito dos demais.

Talvez a Samsung com a linha Gear, ou a Motorola com o Moto 360. Os demais? Muito pouco.

A Apple precisa pensar em tudo isso e tomar uma atitude. Ou repensar o preço (duvido), ou repensar o produto, apresentando uma proposta mais completa, e que justifique o seu caro preço. Senão, vai ficar com um mico nas mãos.


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