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A ABC segue com suas comédias em processo de “vazamento” (ou seria “pré-lançamento”?). A próxima da lista é Back in the Game, que mostra o esporte mais tradicional entre as famílias norte-americanas como um mecanismo de distração de divorciadas com filhos, babacas que nunca jogaram baseball na vida, e um grupo de criancinhas perdedoras que mal conseguem ficar em pé, mas querem jogar baseball. Mas… será que isso tudo em conjunto é realmente engraçado?

A série conta a história de Terry (Maggie Lawson), uma divorciada com um filho que resolve voltar a morar na casa do pai, o “The Cannon” (James Caan), depois da separação. No passado, Terry foi uma ex-campeã de softball (uma versão simplificada do baseball, para crianças e mulheres jogarem sem os mesmos riscos físicos do jogo original), mas foi emocionalmente destruída pelo pai, que é um treinador que pode ser chamado de “sincero e intenso”. Até demais.

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O filho de Terry, Danny (Griffin Gluck) é um nerd que, na verdade, quer jogar no time infantil de baseball para impressionar a garota que ele está a fim no colégio. Porém, Danny não herdou as mesmas aptidões atléticas da mãe, e acaba sendo recusado no time. Inconformada, Terry vai atrás daquilo que ela entende ser os seus “direitos”, e contesta a decisão do treinador Dick (Ben Koldyke), que sequer jogou baseball na sua época colegial.

Depois de vencer uma aposta com Dick, Terry tem o direito de criar um time com os jogadores que foram renegados por Dick. Todos aqueles excluídos por serem diferentes do chamado “padrão” e que são vítimas de bullying (moral e esportivo) por serem gordos, asiáticos, gays, esquisitos e, por tabela, o seu filho Danny (que beija um cara para que ele parasse de ameaçá-lo), são agora “atletas” de Terry, que tem a missão de montar um time do material humano que sobrou. Para provar um ponto para seu filho, para seu pai, e para ela mesma.

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Particularmente, não gostei de Back in the Game. A série não é terrível, mas também não tem nenhum argumento realmente interessante que me faça assistir ao próximo episódio. Algumas soluções da série até são sacadas e pode render alguma coisa (como por exemplo a inteligência do filho de Terry, ou o jeito descolado do filho gay da ricaça latina que financia o time, Lulu). Mas o conceito geral apresentado não me agradou.

O piloto em si é bem água com açúcar, apresentando os personagens e as suas motivações para culminar nos acontecimentos que teremos a partir de agora. Porém, não mostram muita carisma ou empatia para se importar com o fato da mãe, que não queria ver baseball nem pintado de ouro, trabalhar justamente com baseball por causa do filho. Ok, entendo que uma mãe faz tudo para ver um filho feliz. Mas, mesmo assim, não prende. Não dá liga.

Mesmo James Caan, com um personagem com um ótimo potencial (como o ácido pai de Terry), não consegue fazer a série engrenar. Tudo se apresentou da forma mais simples e fria possível. Não é a comédia de se gargalhar, e o piloto apresenta duas ou três piadas que você dá uma risada, e ainda assim, razoavelmente forçada. A melhor piada do piloto é a da foto um pouco acima nesse post, quando Danny, do nada, beija na boca o moleque que fazia bullying com ele. Detalhe: na frente da garota que ele gosta.

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No fim, Back in the Game é até agora a mais fraca comédia da ABC. Pode ser que algumas pessoas gostem da série nos EUA pela identificação com o baseball, e por ser mais uma comédia familiar. Pode ser que a série melhore com o passar dos episódios. Porém, para convencer mesmo e sobreviver, precisa apresentar muito mais. Bem mais do que um velho bêbado destruindo um carro, uma mãe divorciada treinando um time de fracassados, um treinador babaca, e uma criança cantando Born This Way.


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