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Eu levei uma semana para assistir ao piloto de Ironside. E depois de terminar o piloto, eu entendi porque eu levei uma semana para assistir ao piloto de Ironside. A série é um remake de uma série já feita na década de 1960, e talvez o principal problema da produção seja justamente esse: não estamos mais na década de 1960. Estamos, no mínimo, 50 anos na frente.

A série só estreia nos Estados Unidos no dia 2 de outubro, mas tal como aconteceu com outras produções de outros canais, acabou “vazando” na internet, de forma quase miraculosa. Porém, antecipar o que? É até difícil falar sobre o piloto de Ironside, uma vez que tudo (absolutamente TUDO) se centra no personagem de Robert Ironside (Blair Underwood).

Ironside mostra a história de Robert (Ironside), um detetive da polícia de Nova York durão, capaz de ver as pistas que os outros policiais não são capazes de ver (mesmo quando elas estão na cara de todo mundo, como por exemplo dois controles de videogame, dois copos de bebida… em uma sala onde só tem o morto), com força física exemplar, mas que é uma alma atormentada. Ele é capaz de fazer o que os outros não fazem, mas é limitado por estar paraplégico.

Sua paralisia aconteceu durante uma de suas investigações. Na tentativa de capturar um dos suspeitos, o seu parceiro acaba acidentalmente atirando em Robert, que fica gravemente ferido e, posteriormente, paraplégico. O seu parceiro não se perdoa por conta disso, ficando largado por aí, e o próprio Ironside não consegue viver muito bem com a sua atual situação.

Mas nada disso importa, porque Ironside é o fodão, pegando bandidos que saem correndo apenas abrindo a porta da van, sendo intimidador, e até treinando o time de hóquei da polícia de Nova York. Resumindo: por não conseguir se adaptar nas funções burocráticas, Robert voltou a ser detetive de campo. Porque quis assim. Seus superiores disseram “tudo bem”, e temos uma nova série policial “para nossa alegria”.

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Vamos no esquema de Jack daqui pra frente (ou seja, por partes).

A NBC não tinha uma série desse gênero. Agora tem. Não podemos culpá-los por tentar. Até porque eles entendem que é esse o segmento que mais dá audiência para o canal que é líder hoje na TV aberta dos EUA (CBS). E porque muitos ficam na esperança do “se até The Mentalist dá audiência…”. Porém, não sei se essa série é o suficiente.

Pode ser que dê certo, por captar o telespectador com a situação do policial cadeirante. Vendo por esse lado, pode ser até uma boa a NBC abordar esse tema, e tentar mostrar que alguém com lesão tão grave pode fazer qualquer coisa (no caso do piloto, literalmente). Por outro lado, a série já recebeu críticas justamente por não utilizar um paraplégico como protagonista. Aqui, o canal pode se defender com dois argumentos válidos: 1) Blair Underwood é um dos produtores executivos da série, e 2) eles precisavam de um ator com certa aptidão física, para reforçar a condição de policial do personagem.

Mas o grande problema de Ironside é a série como um todo. A série não apresenta nada de novo, é um drama procedural como outro qualquer, que deve mesmo agradar os fãs do gênero. Para mim, não vai rolar. Não consigo comprar a ideia do policial bad-ass-mother-fucker em uma cadeira de rodas, enquanto que todo o restante do departamento de polícia de Nova York é composto por almofadinhas burros. Não é possível que um cara de cadeira de rodas seja mais eficiente que todos os demais! Nada contra o cara de cadeira de rodas. Ele é foda. O problema é resto da polícia de Nova York, que é muito burra perto dele.

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Eu não cravo que Ironside é cancelamento. Só digo que vamos ter que esperar para ver como a audiência da NBC vai reagir. Ano passado, muitos apostavam que Chicago Fire iria dançar, e no final das contas, até spin-off ganhou. Não é uma das piores coisas que a NBC lançou nos últimos anos, mas é uma aposta de risco. Terá que vender muito bem essa ideia do policial fodão limitado por uma cadeira de rodas para sobreviver ao facão do cancelamento.

Vamos dar tempo ao tempo nesse caso.


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