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Tarde demais para a BlackBerry?

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BlackBerry Priv

A BlackBerry anunciou mais uma redução de preço para o BlackBerry Priv, seu smartphone Android. Até o dia 31 de agosto, o modelo custará nos Estados Unidos US$ 499.

Mas a pergunta que realmente importa é: tarde demais para a BlackBerry?

 

Tudo indica que sim

Estamos diante de uma teimosa e sobrevivente. A Nokia conseguiu desaparecer antes dos canadenses, que ainda estão no mercado de telefonia móvel com uma presença basicamente residual.

Não estou dizendo que o Priv não vale a pena. Tem o seu público. Mas diante de outros modelos, ainda é caro por US$ 499.

Assim como aconteceu com os finlandeses, a BlackBerry perdeu o bonde da história. Criticou a Apple na época do lançamento do primeiro iPhone em 2007, e desdenhou do mercado como um todo, acreditando que o mercado empresarial jamais o abandonaria.

Ledo engano. Não só abandonou, mas deixou a empresa como moribunda no setor.

Se a Microsoft parece abandonar o mercado de smartphones aos poucos, com uma ausência de novidades, os canadenses insistem em oferecer produtos. Repito: de forma teimosa.

 

Os dois lados da moeda

A insistência da BlackBerry no mercado de smartphones tem aspectos positivos e negativos.

O lado bom é que a empresa ainda quer ser uma concorrente em um mercado bem saturado e dominado pelo duopólio Samsung + Apple. E toda concorrência é bem vinda.

A má notícia é que a empresa perde a grande chance de se recuperar com aquilo que ainda tem valor na mão deles: a segurança dos dispositivos.

 

A (possível) salvação: os softwares de segurança

A BlackBerry tem experiência e qualidade comprovada no quesito segurança. Suas soluções estão presentes inclusive nas plataformas de concorrentes do mercado mobile. Por que não trabalhar nisso de forma mais enfática?

Pode ser a garantia de sobrevivência no mercado, sem precisar bater de frente com os gigantes.

Acorda, BlackBerry… antes que seja efetivamente tarde. ;)

Não será surpresa se a Xiaomi deixar o Brasil

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xiaomi-logo

A notícia do dia de hoje (6) é o rumor da saída da Xiaomi no Brasil, algo que a assessoria de imprensa da fabricante já negou em comunicado oficial. Logo, por enquanto, a empresa não deve sair. Mas, se o fizer, não será nenhuma surpresa.

Teorias das mais diversas são ventiladas para explicar uma possível desistência da empresa ao nosso mercado, incluindo o modelo de negócio que eles adotaram, baseado na venda direta de dispositivos pelo site da empresa, com vendas exclusivas no cartão de crédito. Isso mudou com o passar do tempo, e agora a empresa já aceita pagamentos via boleto bancário e até fechou parcerias com diferentes e-commerces e operadoras para comercializar os seus produtos.

Mas o grande problema para a Xiaomi e outras tantas fabricantes é o atual cenário econômico brasileiro, além do comportamento do consumidor para os produtos de tecnologia. Já observei que o brasileiro tem uma certa resistência às marcas estrangeiras e/ou desconhecidas. Senti essa resistência à Quantum e Lenovo, e o mesmo deve acontecer com os chineses, que são mais conhecidos pelo público geek.

Além disso, para quem acompanha o cenário econômico brasileiro com o mínimo de isenção sabe que o mercado está retraído em várias esferas. Hoje temos a notícia que as Lojas Americanas registrou prejuízo de R$ 23,9 milhões no primeiro trimestre de 2016. Isso mostra como o mercado como um todo está complicado, e como o cenário geral está crítico.

Sem falar que o fim das isenções fiscais da Lei do Bem deixou a situação dos dispositivos da faixa de preço que normalmente a Xiaomi oferece ainda mais complicada, deixando de ter uma relação custo-benefício tão favorável assim. E isso porque não estamos falando dos problemas com as baterias Mi Power Bank, que não podem ser vendidas no Brasil porque Anatel encontrou irregularidades técnicas nas mesmas.

Oficialmente, a Xiaomi nega a sua saída do mercado brasileiro. Mas se isso acontecer, será algo bem compreensível e mais do que explicado. Não por causa do tamanho da empresa ou da sua capacidade de distribuição de produtos. Mas sim porque tem muita coisa jogando contra. Nada está ajudando, e você não entra em nenhum tipo de negócio para perder. Ainda mais esta empresa, que até o ano passado estava ganhando e muito com os seus smartphones atraentes.

O tempo vai dizer o que vai acontecer. Fico na torcida para que a empresa não deixe o nosso mercado. Já vimos o que é chato ver por exemplo a HTC deixando o Brasil, com smartphones interessantíssimos lançados lá fora. Se bem que a HTC paga caro até hoje por suas decisões equivocadas. Mas essa é outra história.

Estamos levando mais tempo para trocar de smartphone

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smartphone-quebrado

Durante os últimos dias, tivemos mais uma edição da Mobile World Congress em Barcelona (Espanha). A edição de 2016 da MWC foi uma das mais importantes dos últimos anos, uma vez que pelo menos dessa vez nos tivemos dois protagonistas fortes no evento: Samsung e LG, com os seus novos Galaxy S7/Galaxy S7 Edge e LG G5. Esses dois fabricantes (e os demais) contam com um ritmo de renovação de dispositivos que é anual. Porém, os usuários não estão mais acompanhando essa velocidade.

Apenas os geeks realmente convictos e endinheirados trocam os seus smartphones todos os anos. Teve um tempo da minha vida que eu trocava de smartphone a cada seis meses. Agora, esse ritmo desacelerou drasticamente para 18 meses. Basicamente o ciclo de vida imposto pela Google para manter a atualização de um dispositivo, algo que no meu caso já está próximo, já que a Motorola (ao que tudo indica) vai deixar o Moto Maxx abandonado no Android 5.0.2 (apesar do update para o Android 6.0 Marshmallow já estar garantido).

De qualquer forma, não vou falar por mim. Vou falar de uma tendência de comportamento que está atingindo a maioria das pessoas, e nem falo dos heavy users. A maioria das pessoas que eu conheço não estão mais trocando os seus smartphones com a mesma frequência que acontecia em um passado não muito distante. E não necessariamente os motivos estão relacionados à crise econômica que o Brasil passa. Bom, quero dizer, também tem isso. Mas não é o motivo principal.

Para começar, fabricantes e operadoras de telefonia estão oferecendo uma quantidade menor de modelos e alternativas, até mesmo sentindo esse momento de saturação do mercado, onde as pessoas já fizeram os seus investimentos, estão com suas opções feitas, e não pretendem se desfazer delas até que o seu dispositivo fique em um estado semelhante ao que vemos na foto que ilustra esse post. Antes disso, a pessoa vai usar até acabar. O que pode demorar, uma vez que temos smartphones mais resistentes e com melhor qualidade nos materiais.

smartphones

Além disso, o usuário médio tem hoje a clara percepção que, nos últimos tempos, os smartphones não avançaram tanto na sua evolução. Sabe, temos melhorias nos processadores, sensores de câmera, na tela, maior quantidade de RAM… mas nada que realmente pontue como diferencial essencial que justifique a troca. A não ser que o seu smartphone foi adquirido em 2012 ou 2013, pois aí você já está pelo menos três gerações defasado na evolução tecnológica, e até mesmo para usar os recursos conectados de hoje você teria a sua vida bem complicada.

A tendência do “eu resolvi esperar” é mundial. Países como Estados Unidos, França ou Grã-Bretanha também observam uma maior vida útil dos smartphones, onde os ingleses são os mais calmos. Por outro lado, dois países viram o seu tempo de substituição cair. Um deles é a China, que depois de um aumento em 2014, voltou a cair para abaixo dos 20 meses em 2015. Isso pode ser explicado pelas recentes aberturas naquele país em relação ao mercado, com a Apple comercializando oficialmente seus produtos no país. Sem falar que aquele é um mercado muito cobiçado por todos, o que estimula a competição e, consequentemente, um maior fluxo de alternativas para o consumidor.

O outro país é a Itália, em um caso mais raro ainda, pois o tempo de substituição de dispositivos está abaixo de 18 meses. Sem uma explicação muito clara do por que isso está acontecendo.

Quem mais sofre com isso são as lojas de vendas de smartphones, que não passam por um bom momento. Não ajuda em nada a notícia da chegada do eSIM (ou SIM virtual), o que deve reduzir ainda mais o fluxo de clientes nas lojas físicas das operadoras, já que não será necessário passar por elas para realizar uma eventual portabilidade. Some tudo isso ao fato que demoramos mais e mais para trocar o nosso smartphone, e o futuro parece ser complicado para esses estabelecimentos.

E você? Quanto tempo está levando para trocar o seu smartphone?

Quantum: mais uma tentativa da Positivo Informática se consolidar no mercado brasileiro de smartphones

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Depois da parceria com os japoneses detentores da marca Vaio, a Positivo Informática lança a Quantum, sua nova divisão de smartphones, que tem como objetivo buscar algum espaço entre os fabricantes internacionais já consolidados. Além disso, é mais uma tentativa da empresa de Curitiba ‘ser levada a sério’ dentro desse segmento.

Na verdade, a Positivo Informática carrega uma estigma de fazer produtos com qualidade de gosto duvidoso. Não digo nem abaixo da concorrência, já que algumas pessoas simplesmente ignoram a empresa quando se refere à parte de computadores. Bom, devo dizer que eu comecei a minha vida de blogueiro e podcaster escrevendo em computadores e notebooks da Positivo Informática, e eles até que me serviram bem. Principalmente o desktop, que sobreviveu por três anos, até que entendi que precisava de um equipamento mais potente.

Dito isso, a Positivo se lança ao mar dos tubarões chamado ‘mercado mobile brasileiro’ em um momento nada favorável. Além da concorrência estrangeira já ter anunciado produtos igualmente interessantes (que o diga a Motorola e a Asus, em especial), o Governo Federal decidiu acabar com a isenção fiscal do PIS/Cofins, o que seria um grande trunfo para eles em relação aos adversários.

Mesmo assim, a Positivo aposta na Quantum. Uma nova marca, uma nova proposta. Bom, na verdade não é uma proposta tão nova assim. Temos aqui uma reformulação de marca (para afastar a má impressão que o grande público tem sobre a Positivo), e um modelo de negócios que é o mesmo adotado pela Xiaomi, que é a venda direta para o consumidor final, sem passar necessariamente pelo e-commerce brasileiro.

Os modelos Quantum apostam na relação custo-benefício e no design bem ajustado para convencer o consumidor de que esses dispositivos merecem ser olhados com outros olhos. A grande diferença entre os dois smartphones Quantum GO apresentados hoje (02) em São Paulo estão na conectividade 3G ou 4G. Fora isso, são modelos muito similares, com processadores diferentes (ambos abraçando a MediaTek, que virou a rainha dos fabricantes que buscam um lugar ao sol), câmeras que prometem ser ajustadas para boas fotos e selfies, slots para microSD, e um design fino e leve.

Com preços a partir de R$ 699, a Quantum entra na briga daquele que é chamado de ‘linha divisória entre mercado de entrada e mercado de linha média’, em uma faixa de preço que o muito bem sucedido Motorola Moto G não mais pertence, mas que outros fabricantes querem conquistar. Talvez para o público menos exigente, ou para aquele usuário de entrada que vai comprar o primeiro smartphone de linha média, a Quantum aparece como mais uma das opções.

Porém, só poderei ter certeza absoluta disso quando testar os produtos lançados hoje.

Me ajuda a te ajudar, Positivo Informatica! Manda os brinquedinhos para o titio aqui fazer review, vai!

Estaria a Samsung “sabotando” deliberadamente o Windows Phone para promover o Tizen?

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Eu não duvido de mais nada, principalmente no mundo da tecnologia móvel. Muitos varejistas e operadoras de telefonia ao redor do mundo estão confusas, e estranham o fato da Samsung não se importar tanto com o Windows Phone. Só anunciaram um único smartphone nos últimos meses (Ativ S, com Windows Phone 8), e na Europa, esse modelo já não é mais encontrado nas lojas. Nos Estados Unidos, o lançamento é considerado um completo desastre, sem nenhum marketing, e sequer aparecendo na lista dos 20 smartphones mais procurados pelos usuários da operadora Verizon, onde ele é exclusivo.

Então… que se pasa, Samsung? Tá com bronca da Microsoft? É isso?

Primeiro, eles não se esforçam em vender os lançamentos com Windows Phone 8. Depois, executivos da fabricante sul-coreana malham publicamente o Windows 8, culpando o sistema operacional pela queda nas vendas de produtos. Na sequência, anuncia que vai investir em aparelhos top de linha com o sistema operacional Tizen… bom, vamos analisar esse terceiro item com maior atenção.

A Samsung planeja lançar os primeiros dispositivos com o Tizen no começo do segundo semestre de 2013. Quem confirmou isso ou o próprio vice-presidente da empresa, Lee Young Hee. O motivo da tentativa dos coreanos em um sistema alternativo não é apenas o depreciamento do Windows Phone. Existe um motivo ainda mais forte: o Google.

A gigante de Redmond quer “brecar” o domínio da Samsung no mercado mobile com Android, e os coreanos perceberam isso. Logo, decidiram responder com um “não precisamos do Android para dominar o mercado”, e vão partir para uma alternativa onde eles possuem um maior controle operacional. Se vai dar certo? Eu não faço a mais vaga ideia (e particularmente, a curto prazo, acho que não – a não ser que eles apresentem algo de outro planeta com o Tizen, mudando assim o paradigma da telefonia móvel), mas a leitura a ser feita dessas decisões é exatamente essa.

Alguns analistas acreditam até que o Ativ S nada mais é do que um simples experimento da Samsung, para que no segundo semestre venha o prato principal, que seria o tal smartphone de linha alta com o Tizen. Além disso, a própria Samsung vê que a Microsoft “efetivou” (finalmente) a Nokia como principal parceira no projeto do Windows Phone, além de reforçar suas parcerias com a ZTE e Huawei. Também não podemos ignorar o fato que o Windows Phone ainda não decolou, e lançamentos com o sistema de diversos fabricantes não conseguem ser sucesso de vendas. E a Samsung pode muito bem estar vendo esse como o melhor momento de abandonar o barco.

O risco maior que a Microsoft está tomando nesse momento é escolher a Nokia como “tábua de salvação”. Se der certo, as duas conseguem sobreviver no mercado, roubando alguma cota de mercado pertencente hoje ao Android e iOS. Se der errado, as duas empresas afundam juntas, e nesse caso, quem tem mais a perder é a Nokia, que pode simplesmente encerrar suas atividades no mercado mobile, dependendo do tamanho do buraco que eles se enfiarem.

É cedo para dizer, mas os primeiros dois meses de vendas de 2013 mostram que a Nokia precisa mesmo ficar esperta. As vendas dos novos modelos Lumia foram decepcionantes, assim como foram as vendas do novo BlackBerry Z10 (que não tem nada a ver com esse post, mas como é um lançamento recente, merece ser citado, a título de comparação). Ao mesmo tempo, a cota de mercado do Android ao redor do planeta só cresce. Em um cronograma de projeção, com um smartphone da Samsung com o sistema Tizen chegando ao mercado no final de agosto, período de volta as aulas no hemisfério norte, podemos ter um novo cenário mobile onde os sistemas menores podem se prejudicar e se destruir. Tudo vai depender dos avanços que a Samsung vai adicionar ao Tizen. Sabemos que eles conseguem criar recursos interessantes com o Android (que, por sinal, quase não foi citado na apresentação do Galaxy S IV, é bom lembrar). Vamos ver se eles conseguem fazer o mesmo com o Tizen.

O único fator que pode mudar esse cenário é se o Windows Phone e o BlackBerry 10 tiverem um crescimento de vendas considerável até o meio do ano, forçando assim a Samsung a repensar os seus planos. Não está muito claro se as operadoras vão mesmo querer apoiar os sistemas menores, e quais serão escolhidos. De qualquer forma, o terceiro trimestre de 2013 promete momentos de tensão para fabricantes, e pode definir o futuro dos sistemas operacionais móveis, como jamais foi visto na história da mobilidade.

 

Nokia Lumia 920 a R$ 1.999? HAHAHAHAHA…

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Antes de qualquer coisa, eu quero deixar algo bem claro: eu não tenho nada contra a Nokia. São eles é que tem contra mim, já que para a sua assessoria de imprensa, “o TargetHD.net não é imprensa”. Mas, tudo bem. Azar o deles. E como esse é o meu blog pessoal, eu posso, como simples consumidor, criticar sobre o último anúncio deles.

Como vocês já sabem, a Nokia Brasil anunciou hoje que o seu mais “recente” lançamento (entre aspas, uma vez que ele chega ao Brasil quase quatro meses depois do seu anúncio oficial lá fora) para o nosso mercado, o Nokia Lumia 920, que começa o seu período de pré-venda no dia 14 de fevereiro. Mas a notícia mais importante não é essa, por incrível que pareça. O que chama a atenção é que, mais uma vez, a Nokia escolhe adotar o preço “mágico” de R$ 1.999 para um lançamento de um telefone do seu portfólio.

Tudo bem, o modelo tem Windows Phone 8, tem tecnologia PureView na câmera traseira e é um dos modelos compatível com o 4G brasileiro. Mesmo assim… R$ 1.999? Ah, Nokia, faz-me rir com essa!

A Nokia Brasil repetiu a mesma estratégia no meio do ano passado, ao anunciar os que já defasados (na época) Nokia 808 PureVew e Nokia Lumia 900 a R$ 2 mil e R$ 1.800, respectivamente. Na época, fiz as mesmas críticas sobre os valores cobrados por smartphones que, com toda convicção, não valem os preços anunciados. E mais uma vez vejo a Nokia repetir a mesma estratégia: colocam um preço absurdo para um smarpthone que chega ao nosso mercado depois dos seus principais concorrentes, em um período do ano que não é o mais promissor para vendas de novos produtos, e com tudo isso, ainda quer colocar um preço de smartphone top… mesmo ele ficando atrás de muitos de seus concorrentes.

A Nokia precisa entender que, em primeiro lugar, não são mais eles que dão as cartas no mundo mobile, e isso acontece desde 2010, pelo menos. Não adianta a empresa acreditar que eles são a última bolacha do pacote, e que podem colocar o preço que eles quiserem, que automaticamente filas e mais filas se formarão diante dos shoppings, com consumidores ávidos para comprar os seus produtos. Não mais. Isso fica para a Apple, para a Samsung… outras marcas podem conseguir isso.

O Windows Phone é um ótimo sistema? Com certeza. Se eu quero ter um smartphone com Windows Phone 8? É evidente que sim. Mas, pelo visto, não será um Nokia Lumia 920. É totalmente fora da realidade cobrar o mesmo preço (ou algo próximo) daquilo que é cobrado pelo Samsung Galaxy S III, que em termos de hardware simplesmente humilha o Lumia 920, e mesmo no software, oferece uma gama de opções de aplicativos e conteúdo muito maior. Ou seja, para aquele usuário mais antenado em tecnologia (com essa grana toda para gastar), não há dúvidas sobre qual aparelho ele vai escolher.

Até mesmo em opções mais “modestas”, os usuários podem encontrar ofertas mais competitivas que o Lumia 920. Exemplos: o LG Optimus 4X HD já está na faixa de R$ 1.499, e o Motorola RAZR HD está na faixa de R$ 1.699. E, honestamente, se é para ter um smartphone que me atenda nas minhas necessidades mais básicas de conectividade e entretenimento, economizar R$ 300 é um excelente negócio.

E olha que eu nem citei a possibilidade do usuário pagar R$ 300 a mais para ter um iPhone 5, mas eu acho isso um exagero.

Mais uma vez, a Nokia erra pela ganância e cobiça. Ou acerta, sei lá. Todos os modelos que eles colocaram com preço de smartphone “top” tiveram os seus preços reduzidos com o passar dos meses. Não é mais aquele tipo de coisa do “a empresa errou na mão no preço, e depois corrigiu para menos, tornando assim o preço mais justo”. Negativo. Tudo indica que é estratégia pensada da Nokia mesmo. Afinal, qual o objetivo da empresa colocar o Lumia 920 a R$ 1.999? Para fazer com que textos como esse sejam produzidos?

Não. É para fazer com que otários saiam correndo de suas casas e comprem o Lumia 920 na primeira leva.

Desculpe o linguajar, amigo leitor, mas essa é a conclusão que chego. Quem tirou o cartão de crédito para pagar R$ 2 mil no 808 PureView, R$ 1.800 no Lumia 900, e pode pagar R$ 2 mil pelo Lumia 920 é, ao meu ver, no mínimo, otário. Primeiro, porque os modelos citados não valem esse preço, por melhor que eles sejam. Segundo, porque esses preços invariavelmente vão cair com o passar dos meses, se tornando um pouco mais justos com a realidade dos seus sistemas, e do mercado brasileiro como um todo.

Não acho que o Lumia 920 vale esse preço, mesmo com todos os benefícios exclusivos que a Nokia adicionou ao dispositivo. Também não acho que a maioria dos consumidores vão engolir essa, e vão partir para uma busca desenfreada pelo smartphone. Só acho que a Nokia não caiu na real: a posição deles no mercado mobile hoje é de coadjuvante, ou na terceira posição, no máximo. E, mesmo assim, eles precisam agradecer aos céus por isso. Se eles continuarem a acreditar que podem mesmo cobrar a mesma coisa que Apple e Samsung, que estão anos-luz na frente, e que oferecem smartphones melhores, eu só posso entender que…

… a Nokia está querendo que a gente dê muitas risadas a cada anúncio de um novo smartphone!

O mercado está mesmo saturado de dispositivos Android?

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O sistema operacional Android conseguiu estar em mais de 500 milhões de smartphones em pouco mais de cinco anos de vida (segundo os últimos dados do próprio Google, revelados em setembro de 2012). Mas pelo o que pude observar na última CES 2013 (vendo de longe, é claro), os fabricantes seguirão adicionando vários dispositivos novos no mercado com relativa facilidade, por causa de sua fragmentação, algo que vem acontecendo desde o seu início, praticamente. Isso complica o avanço de outras plataformas menos expandidas, como é o caso do Windows Phone e faz com que nos questionemos sobre a saturação do mercado do Android.

O jovem sistema operacional móvel do Google se ativa a cada dia em uma média de 1.3 milhão de dispositivos, e fazendo uma matemática rápida com a calculadora (pode ser a do Windows mesmo…), chegamos ao resultado que, no mercado atual, existem mais de 650 milhões de dispositivos Android ativos. Com a atual taxa de crescimento, o Android vai ultrapassar a marca de 1 bilhão de ativações no seu sexto aniversário, em setembro de 2013.

Posso imaginar que parte desse sucesso se baseia nas incríveis vendas que a Samsung registra com os seus dispositivos, especialmente com a linha Galaxy S, que são os modelos top de linha da empresa com o Android. Recentemente, a Samsung anunciou que alcançou a marca de mais de 100 milhões de unidades comercializadas em todo o planeta de smartphones da família Galaxy S, que tem menos de três anos de vida (o Galaxy S foi lançado em maio de 2010).

Um dos principais motivos para que o mercado atual fique saturado de dispositivos Android é justamente a sua fragmentação. Alvo de crítica por parte de consumidores e especialistas em tecnologia desde o seu lançamento, essa fragmentação na realidade não é nada mais que um efeito secundário provocado pela falta de ideias dos fabricantes, que tentam se aproveitar ao máximo da flexibilidade que a plataforma permite, para incorporar o sistema em qualquer tipo de dispositivo.

Do ponto de vista do consumidor, o ideal seria que o Android tivesse alguns requisitos mínimos para que um mesmo sistema operacional pudesse estar integrado em todos os smartphones possíveis, o que entra em conflito com o pouco esforço que os fabricantes fazem para que isso seja uma realidade. Felizmente, para aqueles consumidores que não se convenceram com a proposta do Android, o mercado de dispositivos móveis ainda oferecem opções como o iOS e o Windows Phone, que seguem essa filosofia de configurações “universais” um pouco mais a risca.

E, mesmo assim, esses últimos dois sistemas móveis citados possuem uma forma completamente diferente de abordar o tema da fragmentação no mercado. A Microsoft está trabalhando durante os últimos anos para criar um ecossistema único que envolve PCs, tablets e smartphones. Eles não só conseguiram isso, mas também estão tentando integrar ao máximo as características das novas versões em seus antecessores, como bem reflete a chegada do Windows Phone 7.8 no mercado. Por outro lado, ao ter os requisitos mínimos de hardware e software claros, os fabricantes podem adaptar suas características aos diferentes dispositivos, fazendo com que as diferenças entre eles sejam bastante reduzidas nos aspectos fundamentais.

Uma das grandes vantagens do Windows Phone 8 em relação ao Android, e pela qual poderia arranhar um pouco dessa gigantesca cota de mercado ao longo de 2013, é o fato que, graças aos fabricantes, o consumidor não tem a necessidade de gastar muito dinheiro em um dispositivo de linha alta com Android para que o telefone possa cumprir com suas necessidades. Um smartphone com a plataforma da Microsoft, com um preço muito mais barato, o usuário terá um sistema operacional atualizado, em um hardware com boas configurações.

As primeiras unidades de smartphones com Windows Phone 8 lançadas lá fora conseguiram positivos resultados de vendas. Veremos como ele vai se sair no Brasil. Enquanto isso, é esperado que novos dispositivos sejam apresentados durante a Mobile World Congress 2013, que acontece no final de fevereiro, em Barcelona. Por enquanto, modelos com Windows Phone 8 confirmados na MWC 2013 vem de empresas como Huawei, o novo Nokia Lumia, de codinome Catwalk, a LG, que pode voltar ao mercado do Windows Phone, com uma nova série de dispositivos Optimus, ente outros.

Pelo visto, mesmo com todo o sucesso do Android, e com vários acertos do sistema do Google apesar da fragmentação, parece que tanto o iOS (iPhone) quanto o Windows Phone 8 podem explorar essas deficiências do sistema operacional dominante ao longo de 2013, e conseguir resultados que podem melhorar de forma exponencial. Mas só o futuro vai dizer se esse exercício de futurologia tem sentido ou não.