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Marisa Monte | Segue o Seco | Verde, Anil, Amarelo, Cor-de-Rosa e Carvão | 1995

Ô chuva vem me dizer
Se posso ir lá em cima prá derramar você

A primeira vez que vi “Segue o Seco” na MTV Brasil eu tinha 16 anos de idade. Estava em um momento de mudanças na minha vida. Mudanças de perspectivas, de visão de mundo. Estava detectando quais eram os meus reais sonhos, e onde precisava seguir para realizar esses sonhos.

Aí, vem a Marisa Monte, faz um videoclipe visualmente belíssimo, com uma “indireta” direta e reta, para me lembrar que meus sonhos ainda eram possíveis. Pior era a vida daqueles que viviam de sonhos, mas pelas dificuldades naturais do meio que os cerca, não poderiam concretizar os seus anseios ou necessidades (o que era mais grave). Levei um choque, pois apesar de saber que a vida em regiões inóspitas do Brasil era algo muito complicado, não me lembrava mais dessa realidade. Tinha caído no comum. No trivial. E não podia pensar dessa forma sempre.

Eu acho esse videoclipe algo simplesmente lindo. Confesso que a primeira vez que o vi, as lágrimas foram inevitáveis. Pela simplicidade e objetividade. Poucos vídeos casam tão bem com a música. Explorava um drama que ainda persiste na vida de muitos brasileiros (a seca, a falta de água para plantio e agricultura, as condições de vida miseráveis pela falta d’água, etc), mas mostrando isso na TV como uma expressão de arte.

Seria fácil gostar de Marisa Monte. Desde antes, com “Bem Que Se Quis”, que é uma das obras primas de Nelson Motta. Mas, se eu descobrisse a existência de Marisa Monte nesse videoclipe, teria me apaixonado pela artista que ela é naquele momento. Até hoje carrego o respeito e admiração pela artista até hoje, pela sua independência e sensibilidade.

O multi-premiado videoclipe de “Segue o Seco” me ajudou a acordar para a vida. A entender que meu sofrimento não é maior que o dos outros. Que existe um mundo lá fora, em pleno movimento, em constante transformação. Me mostrou que era possível mostrar um videoclipe como expressão de arte. Foi a primeira vez que um videoclipe me fez chorar. Por me fazer sentir algo que eu não consigo explicar até hoje o que realmente pode ser.

Mas minha mente e meu coração entendem que é algo de elevada qualidade.

 

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