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Xiaomi arrisca ao matar a MIUI em nome do HyperOS

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A Xiaomi planeja substituir gradualmente a interface de usuário MIUI pelo sistema operacional HyperOS em seus dispositivos. Dessa forma, a empresa chinesa encerra uma era de mais de uma década, em nome da construção de um novo ecossistema de produtos.

O HyperOS terá maior presença de código próprio da Xiaomi, mas manterá a base no Android para não deixar os usuários totalmente isolados de todos os softwares e aplicativos que já utilizavam todos os dias. Mesmo assim, o objetivo final é oferecer um ecossistema unificado de produtos com o passar do tempo.

Pode não parecer, mas a missão da Xiaomi é hercúlea, em um enorme desafio de se igualar à Apple e Samsung neste aspecto. E para isso acontecer, a MIUI será basicamente destruída. E isso parece uma loucura para os mais céticos.

 

Tudo em nome do “unidos venceremos”

A transição vai impactar a todo o ecossistema de dispositivos da Xiaomi, envolvendo smartphones, relógios, tablets, computadores e dispositivos domésticos, entre outros. E a coexistência de MIUI e HyperOS implica em um compartilhamento substancial de código.

Nem poderia ser diferente. A boa notícia para os usuários é que o HyperOS tende a ser muito parecido com a MIUI, de modo que o impacto dessa mudança será menor para aqueles que já estão mais do que familiarizados com a interface de uso atual.

A atualização para HyperOS dependerá da compatibilidade do dispositivo e do ciclo de atualizações. Os dispositivos mais modernos da Xiaomi devem ser compatíveis, mas aparelhos mais antigos podem ficar de fora e jamais receber o novo sistema operacional.

E aqui já começam os problemas da Xiaomi, que precisa garantir consistência nos lançamentos futuros para tornar o HyperOS compatível com diversos dispositivos. Ao mesmo tempo, deve trabalhar duro para atualizar ao máximo possível os produtos já lançados para iniciar esse ecossistema de forma sustentável.

A integração de dispositivos de ecossistema, como Smart Bands, TVs, tablets, gadgets vestíveis e outros produtos, apresenta desafios técnicos que precisam ser superados pela Xiaomi. Afinal de contas, não é fácil fazer diferentes produtos conversarem entre si. E é mais difícil ainda quando esses produtos nunca estabeleceram um diálogo tecnológico.

 

Não vai abandonar o Android como um todo

Apesar do HyperOS se apresentar como um novo sistema operacional, a Xiaomi continuará a basear alguns dispositivos em Android com APKs. Sua dependência do sistema operacional do Google se justifica por um único motivo: não comprometer por completo a relação dos usuários com os principais aplicativos disponíveis no mercado.

Criar um sistema operacional do zero não é uma tarefa fácil, e fazer ele vingar no mercado é algo ainda mais complexo. Outros tentaram e não conseguiram, e parece que a Xiaomi entendeu tudo o que aconteceu no passado para não repetir os mesmos erros no presente.

Sem falar que os custos de desenvolvimento de um software são elevados, e a Xiaomi financia o HyperOS (em partes) através da publicidade que ainda deve ser exibida nos dispositivos com o novo sistema operacional.

Bom, pelo menos em teoria. Quem sabe na prática a Xiaomi abandona a prática nefasta com a chegada do novo software. Eu tenho quase certeza de que muitos não vão sentir falta da MIUI por causa do excesso de publicidade, anúncios intrusivos e bloatwares irritantes.

Outro fator que motiva a Xiaomi a matar a MIUI é o desejo de ser uma marca mais “internacional”, e o seu excesso de elementos asiáticos não ajuda na tentativa de penetração em mercados mais conservadores, como é o caso da Europa.

Logo, a mudança para o HyperOS também é vista como uma oportunidade para a Xiaomi se adaptar aos consumidores de todo o planeta, da mesma forma que a Samsung fez ao longo dos anos. É, acima de tudo, uma transição estratégica, tanto para o lançamento do Xiaomi 14 como para a iminente chegada do carro elétrico da empresa em 2024.

A Xiaomi vai matar a MIUI por pura necessidade. Mas esse será um assassinato bem complexo. E é bom o HyperOS dar certo mesmo. Nem quero imaginar como seria decepcionante se esse novo sistema operacional fracassar junto aos usuários.

Irritar os Mi fãs pode ter o mesmo efeito colateral que comprar briga com os fãs da Taylor Swift.


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@oEduardoMoreira