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Ok, eu sei que esses consoles podem não receber esses nomes, mas a imagem serve para ilustrar o post apenas. A partir dessa semana, de forma efetiva, vamos começar a conhecer a nova geração de consoles domésticos, iniciando uma nova fase no mundo dos games. Por outro lado, pode ser o “início do fim” de uma cultura que, penso eu, faz parte do mundo todo: a de compra e troca de jogos usados para videogames.

Quando eu era mais novo, era absolutamente normal você ir até um amigo, pegar um jogo emprestado, ceder aquele seu jogo que você não joga tanto, até mesmo para diversificar. Não falo nem do fato de você não ter grana para comprar aquele lançamento, e por estar de saco cheio de jogar o mesmo jogo, você precisa se virar para manter o seu interesse no segmento. Esse hábito foi sobrevivendo com o passar dos anos, e é mais frequente do que se imagina, principalmente em um tempo onde um simples jogo de videogame pode custar R$ 199.

Eu não nego: eu compro jogos usados. Se possível, troco aquele jogo que eu sei que eu nunca mais vou jogar, para dar a oportunidade de outra pessoa aproveitar daquele título, e ter a oportunidade de jogar outros jogos. Afinal de contas, não é todo jogo que eu quero manter para sempre aqui em casa. É uma forma de você manter o seu acervo válido com títulos que você gosta, e sem cair na mesmice.

Agora, Sony e Microsoft podem acabar com isso. Os últimos rumores de sites especializados afirmam que os dois novos consoles desses fabricantes devem contar com sistemas que bloqueiam o console para não rodar jogos que já foram utilizados em um console antes. Ou seja, se você comprou um Call of Duty, você só pode jogar no seu videogame, e em mais nenhum outro. Pior: vai ter que ficar com aquele jogo para sempre, sem poder sequer emprestar para um amigo ou parente.

Essa não está nem próxima de ser a melhor solução para combater a pirataria. Aliás, a medida não foi feita para combater o mercado pirata, e sim, para aumentar os lucros dos desenvolvedores de jogos, que são os principais parceiros das empresas fabricantes de consoles de videogames, e que reclamaram muito nos últimos anos pela falta de inovação da Sony e Microsoft (quero dizer, novos consoles para que eles possam explorar novas possibilidades técnicas e comerciais), e principalmente, alegam que não conseguem lucrar mais por causa do mercado “alternativo”. E aí, no entendimento deles, não é só a pirataria que prejudica os seus lucros, mas também aquele título que você empresta para o seu amigo, ou vende no Mercadolivre.

Tudo bem que Sony e Microsoft pensa de forma prioritária nos mercados consolidados (Estados Unidos e Japão, e em escala menor, Ásia e Europa), mas eu imagino que até mesmo lá esse hábito de empréstimo e compra de jogos usados seja algo normal entre os gamers. Para os mercados emergentes (América Latina, especialmente o Brasil), boa parte dos gamers só conseguem manter os seus acervos em atividade dessa forma. Ok, existem aqueles que acreditam que as mídias físicas para os games estão em extinção, e que a tendência é que no futuro, os jogos ou sejam ofertados via download, ou por streaming (o Ouya, aquele console Android com jogos gratuitos já começa a trabalhar dessa forma, e o Steam faz isso a alguns anos). Mas como Sony e Microsoft ainda insistem em oferecer o formato de mídia física, temos que falar desse cenário de acordo com essa realidade.

De qualquer forma, vamos esperar. Inclusive esperar para saber se esses jogos vão cair de preço. Já que eles não terão mais a concorrência do “mercado informal”, eles podem muito bem ajustar as margens de lucro em relação às perdas que teoricamente eles não vão ter. Na prática, eu duvido que isso aconteça. Principalmente porque entendo que os desenvolvedores de jogos querem recuperar o tempo perdido. Outro aspecto que temos que “esperar para ver” é se as ofertas de jogos via download se tornarão mais competitivas. Nos últimos meses, muitos dos títulos que comprei para o meu Xbox 360 foram através de download da Xbox Live, com preços bem mais competitivos que as cópias físicas.

Bom, 20 de fevereiro é logo ali. Vamos ver o que a Sony nos reserva de surpresas. Boas ou más.


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