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O Google Chromecast foi a pequena surpresa guardada no evento da última quarta-feira (24). Sim, pois todo mundo sabia que o novo Nexus 7 e o Android 4.3 Jelly Bean seriam anunciados (e se não sabiam, ao menos desconfiavam). O pequeno gadget multimídia tem como um dos objetivos ser uma resposta de baixo custo para a Apple TV, porém, não é o principal objetivo. O que a Google quer é popularizar os seus próprios conteúdos multimídia (do YouTube, por exemplo) agregando valor à publicidade desses vídeos, e aumentando o consumo de compra e aluguel de filmes na Google Play Store.

E com um preço de US$ 35, o Chromecast pode ser o primeiro grande sucesso de gadget multimídia da Google, pavimentando um futuro promissor nesse segmento para a empresa. A seguir, os meus motivos para acreditar nisso.

É um produto barato

Por US$ 35 (não sabemos a que preço ele vai chegar ao Brasil), o Chromecast é mais barato que os seus principais concorrentes (Roku box, por US$ 50, e Apple TV, por US$ 100). É o dispositivo de streaming de vídeos mais barato do mercado atual. E, para tudo no mundo da tecnologia, o preço é um dos fatores decisivos na hora da compra para a maioria dos consumidores.

Baratear o produto foi uma lição que a Google teve que aprender da forma mais dolorosa: com o fracasso da Google TV. Hoje, esses set-top boxes custam US$ 99, mas não são muitos que o desejam hoje. A Apple também aprendeu essa lição, quando o primeiro Apple TV chegou ao mercado custando US$ 300.

A chave do sucesso para muitos produtos de tecnologia é o preço baixo. É claro que não podemos comparar o Chromecast com o Xbox One em termos de recursos, mas para a maioria, US$ 35 é BEM MENOS que US$ 500. Fato.

Pode detonar os seus principais concorrentes (Amazon, Intel e Apple)

O timing da Google no lançamento do Chromecast é interessante. Esse lançamento pode acelerar o passo dos seus adversários. Faz tempo que falamos de um set-top box da Amazon de baixo custo (que até pode ser lançado no final de 2013), mas até agora, nada. A Intel está trabalhando no seu produto com características semelhantes, mas não passa mais detalhes sobre o assunto, além de revelar parcerias com grandes provedores e produtores de conteúdo.

E finalmente, a Apple, com um Apple TV estagnado, e projetando uma “TV revolucionária” ou uma próxima geração do Apple TV com novos recursos. Tim Cook já confirmou que uma TV da Apple está nos planos futuros da empresa. A pergunta é: o quão distante é esse futuro?

Enquanto isso, a Google ganha um importante espaço, com um produto barato e compatível com qualquer TV.

Entra no multibilionário mundo da publicidade na TV

Não tenho ideia do custo de fabricação do Chromecast, mas é possível dizer que a Google lucrará pouco com o produto físico. Não é uma novidade tal estratégia, pois eles fazem o mesmo com os seus smartphones. O lucro da Google com esse dispositivo será com a publicidade vinculada aos vídeos. E esse é um segmento muito lucrativo, pelo menos nos Estados Unidos.

A indústria de publicidade para a TV rende nos Estados Unidos a bagatela de US$ 66.4 bilhões em vendas por ano (segundo o site eMaker). A Google está muito interessada nessa fatia do bolo, e pode encontrar no Chromecast uma solução lucrativa para eles, e muito atrativa para os anunciantes.

A Google está implementando a sua estratégia mobile, e não substituindo

O Chromecast não exige dos desenvolvedores a criação de um aplicativo específico para ser compatível com o produto, diferente do que acontece em produtos como o Roku e o Apple TV. Essa tática da Google de integrar serviços ao Chromecast de forma mais simples, já aproveitando os aplicativos atuais das plataformas Android e iOS pode ser o grande tiro de mestre deles com esse dispositivo.

Com isso, a Google não está descartando o conceito mobile no novo produto. Está agregando o que já temos com a proposta atual. O SDK do Chromecast pode ser a porta de um volume gigante de novos recursos e aplicativos compatíveis com o serviço de streaming da Google, e é exatamente isso que eles querem.

A Google (parece) ter aprendido com o fracasso do Nexus Q

O Nexus Q foi a primeira tentativa da Google em entrar no mercado de dispositivos para streaming de vídeo. E falhou de forma quase espetacular.

Um dispositivo de US$ 300, mais caro que os seus concorrentes, com funcionalidades limitadas, como streaming do YouTube a partir dos dispositivos Android, com reprodução das músicas armazenadas no seu smartphone/tablet na sua TV… era muito pouco pelo o que era cobrado. Não era de se estranhar que o produto jamais tenha chegado ao mercado.

O Chromecast é o oposto disso. Muito barato, compatível com qualquer dispositivo (na teoria) na TV, presumidamente muito fácil no seu funcionamento, e com uma tecnologia aberta para novos aplicativos e funcionalidades. Ou seja, uma proposta muito mais promissora.

Por fim, o Chromecast não tem garantia de sucesso

O Chromecast é uma boa forma da Google começar a sua jornada na conquista do mercado de mídia, mas está longe de ser uma garantia de sucesso. Nesse momento, apenas um pequeno conjunto de aplicativos funcionam com o dispositivo, limitando assim o uso prático do produto nesse primeiro momento.

Porém, o Chromecast não tem a obrigação de ser um produto perfeito logo de cara. Ele precisa ser um produto prático para o que se destina. Se a experiência de uso for uma droga, nem mesmo preço baixo do produto vai ajudar. Os consumidores vão associar rapidamente o dispositivo ao conceito “o barato que sai caro”.

Com exceção do YouTube, o segmento de mídia é o elo mais fraco da Google. O Chomecast pode ser a forma da empresa mostrar que aprendeu todas as lições, e pode sim mostrar que pode finalmente estar na TV dos lares de todo o planeta. Algo que a Google TV não foi capaz de fazer.