smartpones-teaser

A concorrência é feroz no segmento dos smartphones, e empresas como HTC, Sony ou LG mantém suas apostas ano após ano, mesmo com a realidade berrando para que eles se retirem. Não lucram com o setor, logo… por que tanto esforço?

É a pergunta que muitos se fazem para fabricantes que há muito tempo tentam recuperar uma posição que parece ser impossível de ser recuperada. Hoje, só Apple e Samsung lucram com o setor, os fabricantes chineses são uma incógnita mesmo com o seu crescimento, e as cotas de mercado deveriam convencer HTC, Sony e LG de tomar uma decisão.

Fugir enquanto é tempo pode ser uma vitória em alguns casos. Mas por algum motivo, eles não desistem.

 

Os números são frios e (muito) cruéis

 

1366_2000

 

Os números não mentem. O segmento de smartphones é mais disputado do que nunca, e os fabricantes tradicionais não só tiveram que se adaptar ao domínio absoluto de Apple e Samsung, ma tiveram que enfrentar o sucesso dos fabricantes chineses.

Xiaomi, Oppo, Huawei, Vivo ou ZTE se transformaram em gigantes de vendas na China, e a aparição desses concorrentes fez com que a relevância dos líderes do passado fosse dizimada. As cotas de mercado de LG, Lenovo/Motorola, Sony e HTC só caíram nos últimos anos, e isso tem um efeito direto nas suas perdas por dispositivo e suas porcentagens de perda em relação aos trimestres anteriores.

Os dados das empresas chinesas são um grande mistério. A Xiaomi, que parecia ser a grande protagonista há dois anos, viram suas vendas caírem em 2015, e outros fabricantes chineses se aproveitaram disso.

 

Até quando eles vão querer perder dinheiro?

 

1366_2000-1

 

Os números mais uma vez tornam a pergunta inevitável.

A LG é o caso mais crítico: vendem 18,5% dos dispositivos que a Samsung vende em unidades, mas não para de perder dinheiro. Por SETE TRIMESTRES CONSECUTIVOS!

Mesmo assim, é uma das empresas mais corajosas na hora de apresentar novidades. Mas… até quando eles vão recusar a realidade dos números?

A Sony por exemplo centrou seus esforços nas linhas média e alta, e não adiantou de muito: há dois meses vimos como sua divisão móvel tem resultados sofríveis.

A HTC é outra que não vai nada bem, e isso porque eles lançaram o seu melhor smartphone em anos. Mas segue lutando também na média, lançando novos modelos da linha Desire.

Sobre a Microsoft? Sem comentários…

 

O lucro sempre esteve entre os tops de linha

 

1366_2000-2

 

Um dos dados mais alarmantes está no fato que o crescimento em vendas caiu de forma mais ou menos sustentável desde 2011. Os mercados emergentes que pareciam ser a grande oportunidade para vários fabricantes nas linhas de entrada demonstrou não ser algo tão relevante assim.

A linha premium está saturada. Aqueles que podiam comprar smartphones caros já o fizeram, mas agora já não tem novos mercados para vendas nos países emergentes. Tanto, que Estados Unidos, China e Europa Ocidental não só podem enfrentar novas desacelerações nas vendas, como também redução em volume, de acordo com a IDC.

Muitos justificam que, hoje, um smartphone de linha média é o suficiente para 99% da população. A linha média virou uma Terra de Ninguém, e todos os fabricantes Android já se deram conta que cada vez se ganha MENOS dinheiro com esses modelos.

A coisa muda quando falamos dos modelos top de linha. Os lucros dos fabricantes estão aqui, com margens muito maiores, onde Apple e Samsung são as claras forças dominantes. Poucos podem competir com seus dispositivos estrela, e isso com os modelos top dos demais fabricantes cumprirem todos os requisitos para competir nesse segmento.

Dado que nem Sony, nem LG, nem HTC (nem qualquer uma) pode competir nesse mercado, muitos esperam que alguma delas (ou todas) anunciem em algum momento a sua saída do segmento de smartphones. É muito sacrifício, demanda de recursos, tempo e dinheiro investido para ver os lucros indo para a Apple e Samsung.

O segmento de smartphones está em perigo: menos fabricantes fazem com que exista menos concorrência, mas é fato que os fabricantes não podem perder dinheiro indefinidamente.