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Primeiras Impressões | Son of Zorn (Fox, 2016)

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Bela tentativa de ser criativo, mas…

Son of Zorn combina animação e live action de forma semi-tosca, com o objetivo de fazer uma comédia de situação pura e simples. E não posso reclamar pela tentativa. Afinal de contas, na temporada de reboots, remakes e adaptações, essa é uma das poucas histórias e formatos minimamente originais da temporada.

Porém, é um dos argumentos pelos quais os canais estão investindo em reboots, remakes e adaptações.

 

Volta, Will & Grace! (só usei esse cabeçalho para isso, ele não está relacionado ao texto)

 

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Son of Zorn conta a história da relação entre Alan, o adolescente vegano nerd/almofadinha e seu pai, Zorn (voz de Jason Sudeikis), herói de um desenho animado.

A surrealidade não se limita à combinação de dois mundos. Também está no fato que Zorn decide deixar as batalhas na ilha de Zephyria que ele defende para voltar para Orange County para se reconectar com o filho e com a ex-esposa Edie (Cheryl Hines).

Na volta, descobre que Edie decidiu seguir em frente com a vida. Está noiva de Craig (Tim Meadows), algo que obviamente não agrada Zorn.

Mas na sua tentativa de recuperar sua vida e obter o respeito do filho, o nosso herói decide arrumar um emprego, usar roupa de gente normal e mostrar que pode ser um pai mais presente para seu filho.

Mal sabe ele que sua conexão com o moleque vai se tornar algo muito mais próximo… em vários aspectos.

 

A metáfora do “pai herói” em Son of Zorn

 

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Tá bom. Eu saquei qual é a de Son of Zorn. Sei que a série quer fazer uma brincadeira com a metáfora do “meu pai é meu herói, ele é o máximo, ele tem super poderes”, e em algum momento alguém disse “ok, vamos ver como seria se ele fosse literalmente um herói”.

O problema é que mesmo sendo um herói, Zorn se comporta como um típico cidadão divorciado. Meio largado, inconsequente e beirando à burrice mesmo.

E talvez por isso a série me causou um pouco de irritação. As piadas são meio óbvias em boa parte o tempo, e quando você começa a dar risada do fato de um desenho animado tentar matar um pássaro gigante também feito de desenho animado na base da porrada, é sinal que a coisa fica bem complicada.

A combinação da animação com o live action não é algo orgânico. É meio tosco mesmo, e talvez a ideia fosse essa. Mas o que quero dizer e que, na prática, as atuações ficam engessadas, e a série perde ritmo com isso.

Com tudo isso, não achei Son of Zorn algo detestável. Só achei fraca. Uma tentativa infeliz de fazer algo mais original em uma temporada marcada pelo mais do mesmo.

E digo até que “infelizmente” é uma série fraca. Pois precisamos de comédias de boa qualidade.

Primeiras Impressões | Lethal Weapon (Fox, 2016)

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Podia ser pior. De verdade.

Antes de ver o piloto de Lethal Weapon, li muitas críticas sobre o episódio, dizendo que o mesmo caiu no óbvio. Mas era o óbvio que eu esperava do remake de Máquina Mortífera.

Até porque não tinha muito para onde correr. A série é o que o filme era.

E insisto: poderia ser pior.

 

Nada de novo

 

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O piloto de Lethal Weapon basicamente faz uma repaginação do filme que deu origem à franquia, condensando tudo em 46 minutos.

Está tudo lá. Um Martin Riggs emocionalmente destruído, com potencial suicida lá em cima, mas ao mesmo tempo canastra e bem humorado. Um Robert Murtaugh que é bom pai, bom marido, bom policial, nem tão certinho e todo cuidadoso com a saúde, pois não pode passar por estresse.

A combinação de personalidades tão diferentes vai ser explosiva sob vários aspectos. Um vai completar o outro nos seus estilos de vida, e isso vai contribuir para que os dois solucionem os casos mais inusitados e perigosos.

É claro que a consequência direta para os dois é a vida em risco, ou situações limite como constante. Mas… é exatamente isso que esperamos de uma série chamada Máquina Mortífera, não é mesmo?

 

Não esperava algo além disso

 

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Lethal Weapon não decepciona. Você pode achar o piloto fraco, e eu concordo. Mas é um plot limitado, que não tem muito para onde correr ou se desenvolver.

A boa notícia é que a produção é boa, pelo menos. Diferente de Rush Hour (CBS), que tinha cara de filme dos anos 80, o remake de Máquina Mortífera só parece um filme dos anos 2000, o que choca bem menos.

Nesse aspecto, o piloto é bem feito e tem boas cenas de ação, apesar de algumas coisas tecnicamente bem forçadas (carro capotando por causa de um impacto com uma barreira de latões de plástico cheios de água). Mas não dá para ser algo crível o tempo todo.

O grande problema da série nesse primeiro momento é o seu elenco, ao meu ver.

A dupla de protagonistas, apesar de ter química juntos, tem uma química às avessas, onde os dois ficam meio forçados nos seus respectivos papéis.

Quem me convence que Michael Kyle é um marido sério, um policial responsável e pai de família exemplar?

Talvez por isso eu não siga em frente com Lethal Weapon. Vamos esperar para ver como a audiência norte-americana vê esse remake. Começou com forte audiência (algo que era esperado), mas tem um futuro incerto se não se atentar para os detalhes.

Não precisa muito. Se conseguir divertir a audiência da Fox já será o suficiente.

O duro e detectar o que a audiência da Fox realmente quer. Eles são tão complicados de entender…

Primeiras Impressões | The Grinder (Fox, 2015)

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The Grinder é a segunda comédia estreante da Fox na temporada 2015-2016. Aposta em uma ideia surreal e no carisma de Rob Lowe e Fred Savage para engrenar. É uma das comédias que muitos críticos norte-americanos apostam que será sucesso. Mas… será que é o suficiente?

The Grinder conta a história de Dean Sanderson, Jr. (Rob Lowe), ator que, por oito temporadas, protagonizou a bem sucedida série The Grinder, onde ele era um advogado inteligente e implacável em busca de justiça. Com a série encerrada, ele decide voltar para casa, em Boise, Idaho. Como a cidade é minúscula (e as pessoas são meio tapadas), ele vira a celebridade local. Mas isso não deixa ele feliz.

Dean quer buscar outros rumos na sua vida, e admira como o irmão, Stewart Sanderson (Fred Savage), consegue tocar a vida de forma eficiente e responsável. Curiosamente, Stewart e o pai, Dean Sanderson, Sr (William Devane) são advogados locais com relativo prestígio.

Stewart tem amplo conhecimento da lei, mas é inseguro. Precisa de cartões para fazer suas deliberações, apesar de já ter todos os casos e argumentos memorizados. Então, Dean olha para o irmão – e no seu ofício de advocacia -, e enxerga a forma perfeita de começar uma nova fase na sua vida. Como? Utilizando a sua experiência adquirida ao interpretar o advogado da série de TV por oito temporadas no mundo real.

É claro que Stewart acha essa a ideia mais absurda do mundo, por entender que Dean só quer aparecer (ou acabar com o tédio que sua vida se tornou). Porém, para a sorte de todos, a estratégia de Dean dá certo, uma vez que ele usa o seu charme e espontaneidade para defender qualquer tipo de argumento. Até porque, como eu disse antes, o irmão é uma celebridade local, e qualquer bobagem que ele fizer será bem visto pelas pessoas.

Stewart entende que a dupla com o irmão pode dar certo, e o dois começam a defender os casos mais absurdos da cidade, com métodos pouco convencionais.

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Eu fui ver The Grinder com certa expectativa, pois a premissa era interessante. Ou melhor, soava melhor na minha cabeça. Porém, ao final do piloto, ficou um certo gosto de decepção. Não que o episódio seja ruim ou péssimo. Mas eu esperava um pouco mais.

Rob Lowe está Rob Lowe. E Fred Savage está Fred Savage. Acho que era isso o que eu deveria esperar, e foi exatamente isso o que foi entregue. Você imagina Rob Lowe fazendo o papel de um astro de TV, já que ele carrega todo o esteriótipo para esse tipo de personagem. E você imagina Fred Savage fazendo o papel de uma advogado certinho, pois ele sempre carregou como característica de sua interpretação a timidez. Vide o Kevin Arnold de Anos Incríveis, que era (entre tantas coisas) tímido.

Está tudo certo aqui.

O problema é que The Grinder demora e muito para engrenar como série de comédia. O pai dos dois irmãos consegue ser apenas um idoso insuportável que gosta de tudo (detalhe: William Devane fez o secretário Heller em 24 Horas). Os filhos de Stewart são inexpressivos, e só servem de escada para as piadas de Rob Lowe. E até mesmo o texto, que tinha tudo para ser uma das coisas mais interessantes da série, se tornou apenas absurdo e cansativo.

O piloto só engata a quarta marcha nos últimos quatro minutos do episódio, quando você vê como vai funcionar a mecânica entre Dean e Stewart nos tribunais. A situação do julgamento é tão absurda, que você dá risada. Mas acho que é esperar muito tempo para finalmente rir da proposta que eles apresentaram.

Fora isso, The Grinder deixa a desejar. Precisa melhorar um bocado o seu timing para agradar. A série tem sim potencial para ser uma boa comédia. Nem precisa forçar muito. É só fazer alguns ajustes.

Quem sabe eu dê uma nova chance para eles nos próximos dois ou três episódios. Mas pelo menos nesse começo, eu vou compreender se algumas pessoas sentirem o mesmo gosto de decepção ao final dos 21 minutos do episódio piloto.

Primeiras Impressões | Grandfathered (Fox, 2015)

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E aqui temos uma das duas novas comédias da Fox para a temporada 2015-2016. A Fox tem problemas com a audiência de suas comédias, onde é difícil que uma engrene com consistência (e quando isso acontece, tem audiência nanica). Mas o problema nem é esse. O grande problema é que eu gostei de Grandfathered, mesmo não achando a melhor comédia do mundo.

Grandfathered é focada na vida de Jimmy Martino (John Stamos), um dono de um restaurante dos seus 50 anos de idade, que vive a vida que sempre sonhou. Um solteirão convicto, rico, bem sucedido, que tem o charme e a simpatia naturais para conduzir os negócios com eficiência e bons resultados financeiros. Como era de se imaginar, Jimmy é naturalmente vaidoso, e nega os sinais da idade a todo custo.

O mundo perfeito de Jimmy começa a mudar quando Gerald (Josh Peck) aparece em sua vida. O nerd meio bobão informa à Jimmy que é seu filho (uma novidade chocante para nosso protagonista) e, de quebra, revela ao pai que tem uma pequena bebezinha, que é sua filha. Ou seja, em 30 segundos, Jimmy sai de solteirão cobiçado para pai e avô. O que o deixa apavorado.

A partir daí, Jimmy tenta se encaixar nesse novo universo, conhecendo um pouco mais da vida do seu filho (um desenvolvedor de impressoras 3D, que teve a filha com uma amiga – que ele quer que se transforme em namorada), além de cobrar a antiga namorada/mulher que ele sempre amou Sara Kingsley (Paget Brewster) sobre os motivos pelos quais ele nunca soube que era pai. Apesar de tudo parecer confuso para Jimmy, ele se vê seduzido por encontrar novos objetivos na sua vida, sem falar que ele recebe “do nada” algo que ele não tinha há muito tempo: uma família.

E a partir daí, vamos ver os encontros e desencontros desse núcleo familiar totalmente desconexo e disfuncional, mas que pode funcionar juntos em prol do desejo de garantir boas condições de vida para a pequena criança.

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Eu não dava absolutamente nada para Grandfathered. O promo não ajuda, e John Stamos menos ainda. Porém, fiquei surpreso ao constatar que gostei do final do piloto, pelo simples fato dele funcionar na missão de apresentar uma série minimamente carismática e identificável para o americano médio.

Eu sei que tem muita gente que torce o nariz até hoje para John Stamos. Mas se tem um papel que ele pode fazer bem a essa altura de sua carreira é a do pegador de meia idade que tenta fugir do envelhecimento. Até porque desconfio que é isso o que ele faz na sua vida real. Logo, por incrível que pareça, ele está crível nesse papel, e isso dá “credibilidade” à proposta da série.

Aliás, a premissa geral de Grandfathered não é tão absurda assim, apesar de ser uma série onde as coisas acontecem “do nada”. Famílias disfuncionais nós temos aos montes. E essa série só segue (de forma diferente) a mesma mecânica presente em produções como Modern Family e Life in Pieces: as duas fogem de apresentar uma família convencional, mas mostrando claramente que família é aquele grupo de pessoas que estão lá por você, para ser o seu porto seguro, e que te amam incondicionalmente.

E não exclusivamente aquilo que o os políticos brasileiros entendem.

Eu não acho que vou continuar com Grandfathered até o final da temporada, e se a série for renovada, será com muitas dificuldades, ainda mais que vai ao ar durante a semana, e não aos domingos. Mesmo assim, não desgostei por completo do piloto. Eu me diverti em momentos pontuais, por conta das situações apresentadas e do bom texto. Não foram 20 minutos perdidos da minha vida como eu imaginava. Mas também não acho que vai roubar o grande público de assalto.

Bom… isso é… Grandfathered é uma excelente forma de testar a popularidade atual de John Stamos nos Estados Unidos. Se as pessoas ainda gostarem dele, ela tem alguma chance. Se eu fiquei positivamente surpreso com a série, quem sabe outros não podem ficar?

Primeiras Impressões | Rosewood (Fox, 2015)

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Desde o final de House, M.D., a Fox procura um novo procedural no mesmo estilo para chamar de seu. Ter um protagonista fodástico, que resolve todos os casos só de olhar, com uma personalidade marcante, seja como um insuportável, ou como um pegador. Ano passado, Backstrom afundou de forma miserável. E esse ano, Rosewood tem tudo para ter exatamente o mesmo destino.

O Dr. Beaumont Rosewood, Jr. (Morris Chestnut) se auto proclama “o Beethoven da patologia” de Miami. Ele se acha o cara, o macho-alfa, o pegador. É capaz de descobrir sintomas de um falecido apenas olhando para ele, e pode encontrar soluções para determinados casos mais complexos apenas olhando para um copo de água com gelo e gás. O cara é demais. Sem ele, eu não sei porque faria sentido a vida na Terra.

Rosewood quase teve a sua licença cassada, e trabalha com sua irmã em uma laboratório próprio. Ele até tem amigos na polícia, porém, essas pessoas não o consideram muito como um amigo, já que ele insiste em fazer o trabalho deles melhor do que eles mesmos. Afinal de contas, os policiais não são treinados para terem o olhar clínico do nosso protagonista, que como eu já destaquei no parágrafo anterior, se auto proclama “o Beethoven da patologia”.

Até que Rosewood se envolve com um crime à pedido de sua mãe. Esse crime faz com que o seu caminho se cruze com o da Detetive Annalise Villa (Jaina Lee Ortiz), novata em Miami que vai assumir o caso. Como é natural nessas produções, ela (e todo o departamento de polícia de Miami) não confiam na competência de Rosewood, mas como precisamos ter uma história, rapidamente a dupla se entende (já que a tensão sexual começa a falar mais alto), e os dois descobrem que podem trabalhar juntos (que surpresa…).

Agora, Rosewood entende que pode se divertir um pouco ajudando a polícia (e Villa) a desvendar os assassinatos locais. Até porque o nosso protagonista não tem muito tempo de vida útil, e ele quer fazer com que esse tempo de vida que resta realmente vale a pena.

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Sendo bem objetivo: Rosewood é uma série absolutamente desnecessária.

Não há motivos para a Fox tentar de novo emplacar um procedural com protagonista fodão, que é capaz de resolver os crimes só de olhar para o morto. Não faz o menor sentido. Não é algo atraente. É um argumento raso demais para se ter uma série dessas no ar. É difícil imaginar o desenvolvimento de uma temporada, e mesmo que se crie arcos paralelos (algo que não aconteceu, já que os únicos disponíveis são a tensão sexual entre Rosewood e Villa e o próprio Rosewood com problemas de saúde), a série não tem conteúdo suficiente para criar plots que podem ser desenvolvidos ao longo da temporada.

Aí, é necessário apelar para recursos criativos já vistos em outras séries: colocar Rosewood entre a vida e a morte, um inimigo para Rosewood ou Villa, uma vingança pessoal… e acho que todo o clima latino e alto astral que a série transborda pode impedir que isso aconteça.

Sem falar que ninguém – absolutamente ninguém – consegue ser carismático na série, principalmente o protagonista. Rosewood em si é um personagem canastrão, caricata, pouco interessante, altamente pedante, chato e inconveniente. Em um mundo perfeito, ele seria preso por assédio sexual a qualquer momento. Fica difícil fazer uma série desse porte engrenar com um protagonista que não funciona.

Bom, escrevi demais sobre uma porcaria. Rosewood não tem chances de ser renovada. É a primeira série que podemos colocar na lista de cancelamento certo (#cancelada). Aliás, não sei o que deu na cabeça da Fox para colocar uma série com plot geral tão fraco ou pouco criativo.

Melhor: não sei quem Morris Chestnut pegou na Fox para ter essa série aprovada. Só isso explica um piloto tão fraco ser aprovado.

Primeiras Impressões | Scream Queens (Fox, 2015)

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Já que o canal Fox teve a bondade de estrear Scream Queens no Brasil apenas uma hora depois da sua exibição original nos Estados Unidos, foi possível fazer esse post de primeiras impressões de forma bem rápida. A nova série da dupla Ryan Murphy e Brad Falchuk era esperada com certa expectativa, não apenas por ser a série dos criadores de Glee (e a primeira série da dupla após o fim da série musical), mas também pela proposta de oferecer na TV um thriller de terror bem humorado.

Então… será que deu certo? Vamos descobrir.

Na sua primeira temporada, Scream Queens vai mostrar o cotidiano conturbado da fraternidade Kappa Kappa Tau, da Universidade Wallace. Essa fraternidade nunca prestou, já que há pelo menos 20 anos está envolvida em escândalos de excessos de suas alunas e até mortes. Porém, estamos em 2015, onde todo mundo é mais sinistro, as patricinhas são mais corajosas, e os assassinos mais e mais ousados.

A série é centrada em Chanel Oberlin (Emma Roberts), auto-entitulada ‘abelha rainha’ da KKT. Como toda abelha rainha, conta com as suas operárias, que são pessoas das quais ela nem o nome conhece, e nem faz questão de saber, para não dar a impressão de intimidade com as mesmas. A segunda na escala de comando da KKT  é a Chanel #5 (Abigail Breslin), que é quem mais tem iniciativas dentro da KKT, e tem a maldade suficiente para substituir a Chanel original.

Os problemas de Chanel começam quando a antiga reitora da universidade morre nas férias de verão, e a vice-reitora Cathy Munsch (Jamie Lee Curtis) assume. Cathy não vai com a cara de Chanel pelo simples fato da garota saber do passado (e presente) bagaceira de Cathy, e aproveita de sua nova posição de poder para colocar a menina no freio. Decreta que, a partir de agora, qualquer garota da universidade é elegível para ingressar na KKT.

Resultado: um festival de garotas de todos os tipos se inscrevem para a comunidade. Indo de meninas surdas, esquisitas que adoram a morte, meninas que só estão lá para pegar outras meninas… e Grace Gardner (Skyler Samuels), novata que quer transformar a KKT em um lugar melhor para se viver. É o oposto de Chanel: simples, simpática, inteligente (mais inteligente do que todas as meninas da fraternidade, que fique bem claro),.. mas ao mesmo tempo meio esquisita: por que ela iria querer participar disso?

Mas a coisa começa a se complicar mesmo quando Chanel decide queimar a cara da sua empregada/mucama branca na fritadeira em óleo quente. A mulher morre. Na tentativa de ocultar o crime, ela decide fazer um pacto no esquema ‘eu sei o que vocês fizeram no verão passado’, e esconde o corpo da empregada em um frigorífico.

O que ela não contava é que a universidade já contava com o seu assassino local, e ele se aproveita desse pequeno deslize de Chanel para iniciar a sua sequência de mortes. Só no piloto, duas moças já pereceram, e ao longo dos demais 14 episódios, outras mortes virão. Até porque sem isso não temos série.

Mesmo porque só a matança desenfreada explica os 627 personagens secundários de Scream Queens. Sério, tem muita gente: o cara da cafeteria/jornalista investigativo, que vai ajudar Grace a descobrir os podres da KKT, a policial negra que fala mais que a boca, os irmãos sexualmente ambíguos… é muita gente. Não dá pra contar tudo nesse review.

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Ok… eu disse várias vezes no SpinOff Podcast que Scream Queens ia funcionar, que seria boa, e que se fosse ruim, ia ser tão ruim que ‘ia dar a volta’, e seria boa.

Errei.

Scream Queens se esforça muito para ser o que se propõe: uma comédia de terror. E fracassa miseravelmente nas duas coisas. E erra pelo excesso. Tudo bem, eu consigo identificar as mãos de Ryan Murphy e Brad Falchuk no texto e na produção da série. Esta é uma série que tem a assinatura dos dois: nas referências cinematográficas, nas piadas com a cultura pop, no texto ácido e cheio de ofensas gratuitas às minorias. Tudo isso está lá.

Porém, além do fato de termos um piloto de 1h28 minutos, o episódio inicial de Scream Queens vai perdendo o seu ritmo ao longo do tempo. As piadas são em excesso, e chega um ponto que você não se importa com as ironias apresentadas. Admito que ri de algumas coisas (principalmente na cena que envolve a morte e as redes sociais), mas não é algo que podemos chamar de hilário. Digo mais: não dá nem para qualificar como humor negro, o que certamente deixaria a série mais interessante.

Se Scream Queens lidasse com as ironias da vida – ou, nesse caso, da morte -, ela seria mais interessante. Porém, devo admitir que ir 100% para o escracho, jogando todas as referências de filmes de terror que já vimos na vida… definitivamente não foi a melhor estratégia. Nem tanto pelo fato dos assassinatos serem gratuitos é à esmo (não posso pedir muita lógica de uma série como essa), mas porque o propósito geral de diversão simplesmente se perdeu.

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Scream Queens apela para a arrogância de suas protagonistas, para uma heroína declarada, e vários personagens caricatas para tentar divertir o público, mostrando um cenário que mostra a luta pelo poder dentro de uma comunidade de estudantes universitários. Já vimos isso. Já temos isso. Esse piloto quase conseguiu fazer com que Pretty Little Liars se tornasse uma série ‘séria’ (dentro do que se propõe a fazer), ao mesmo tempo de não ser engraçada ou divertida o suficiente para justificar a sua proposta geral.

No entanto, não acho que Scream Queens é um grande fracasso. Só acho que não entregou o que prometeu, e que precisa fazer muito mais nos próximos episódios para chegar no nível de diversão prometida. Por enquanto, a palavra que define essa premiere é ‘decepção’.

Primeiras Impressões | Lucifer (Fox, 2015)

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Um dos grandes males da humanidade é julgar tudo e todos sem conhecer. Julgar pelas aparências. E me cobrem isso depois. Por enquanto, vamos falar de Lucifer, uma dos pilotos que vazaram na internet nos últimos dias, e uma das apostas da Fox para a próxima temporada. E podemos dizer que as notícias são boas.

Então, um belo dia, Lucifer, o anjo caído que decidiu se rebelar contra Deus, se cansou do seu reino de maldade e perversidade. Sabe, achou tudo muito chato e monótono, e decidiu tirar umas férias. O destino? A ‘vila dos malucos’: Los Angeles. Isso mesmo… Lucifer decide vir para a Terra, em LA, tirar uma onda. Brincar com a hipocrisia e falso moralismo humano. Apenas por diversão.

Acontece que Lucifer encontra uma humanidade tão perdida moralmente falando, que chegou a conclusão que era muito mais divertido ajudar os humanos a encontrar algum caminho na vida do que prejudicar ainda mais suas existências insignificantes. Até porque os humanos já estavam craques em fazer c*g*das no seu dia a dia. Então, decidiu abrir uma casa noturna em LA – a LUX -, e socializar, encontrando com tudo quanto é tipo de gente. Influenciando na vida dessas pessoas. De forma positiva ou negativa. E deixando bem claro quem ele era, para que a pessoa não se arrependesse disso depois.

É claro que um pacto com uma entidade desse porte tem consequências. Algumas delas desagradáveis. Para algumas pessoas, coisas ruins acontecem ‘de forma curiosa’, e esses cidadãos (ou cidadãs) acabam procurando Lucifer para ver se consertam suas vidas. Cabe ao nosso protagonista decidir se vale a pena consertar ou não a vida do(a) infeliz.

Acontece que uma popular cantora é assassinada diante de Lucifer, e a vida – ou férias – dele muda quando ele encontra Chloe Dancer, detetive local que vai investigar o caso. Nosso protagonista vê nela alguém que tenta fazer a coisa certa na vida, e que o assassinato da tal cantora está muito mais relacionada aos indivíduos que fecharam ‘acordos’ com ele, e decide ajudar Chloe no caso. E se tornam BFFs. Olha só que lindo!

Porém, nem tudo é tão simples para Lucifer. Ao deixar as suas responsabilidades malignas, ele deixa vago também a direção da esbórnia do inferno, o que deixa a possibilidade de um colapso nas forças espirituais acontecer. Mesmo porque se ‘até puteiro tem porteiro’, por que não as trevas? E Lucifer vai ter que lidar com isso enquanto suas férias na Terra são prolongadas.

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Eu confesso que não esperava nada do piloto de Lucifer, e agora posso dizer que foi a melhor coisa que me aconteceu: não esperar nada. Pois fui positivamente surpreendido com um piloto bom, equilibrado, bem feito, sem exageros e divertido.

Tom Ellis se encaixou muito bem no papel principal, com o tom sarcástico que você imagina que Lucifer poderia ter. O texto da série ajuda e muito, já que ressalta toda a sagacidade e sarcasmo do protagonista diante das situações propostas. Mas nada disso vale se o ator não conseguir colocar no personagem o tom certo que exprime esses traços de personalidade, o que aumenta as chances da série ser bem sucedida.

A Fox acertou na produção e estética de Lucifer. Sua fotografia é propositalmente mais opaca, com um tom sombrio em algumas oportunidades. As cenas são bem feitas, com uma produção excelente, e sem exageros nos efeitos visuais (graças a Deus… ops… desculpe… a Lucifer, obrigado, Senhor – das trevas). Ok, tem as asas do Amenadiel visivelmente digitalizadas, mas podemos ignorar isso facilmente. Mesmo porque dá trabalho criar asas de verdade.

Mas o mais legal do piloto de Lucifer é que ele é BEM MENOS OFENSIVO do que muita gente pintou. E quando falo ‘ofensivo’, quero dizer ‘agressivo à tradicional sociedade cristã ocidental’.

A série não se propõe a questionar a fé das pessoas em Deus ou outras crenças. Na verdade, nem fala sobre religião no piloto. É um assunto que passa completamente batido. Lucifer mostra o lado irônico de um anjo rebelde, CEO do inferno, que vem para a Terra e acaba fazendo a justiça ‘apenas por diversão’. E isso é engraçado.

Talvez a conexão que possa ser feito com a fé é justamente o fato de muita gente pedir à Deus todos os dias pela solução dos seus problemas, e aquele que está disposto a efetivamente ajudar de forma imediata é o diabo (ou algo que o valha). Mesmo assim, essa é uma conclusão minha, e acho que boa parte da audiência nem vai dar bola para isso. Logo, e desnecessário o conselho de pais dos EUA e as comunidades religiosas quererem boicotar a série em alguns estados norte-americanos, como já está rolando antes mesmo da série estrear.

Mesmo porque eles estão julgando sem ver o piloto. Julgando pelas aparências.

Lucifer merece ser olhada com maior atenção. Pode valer a pena para aqueles que tem a mente aberta, que quer um texto inteligente, que trabalha com as ironias da vida. Que tira sarro do falso moralismo da humanidade. Eu, que não dava nada para a série, já começo a achar que pode ser um dos acertos da Fox na temporada. Fico na torcida para que a audiência do canal entenda a grande piada: rir da nossa própria condição de seres imperfeitos.

Primeiras Impressões | Minority Report (Fox, 2015)

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Com o objetivo de testar algumas de suas apostas para a próxima temporada, os canais ‘promovem vazamentos’ de alguns pilotos, já que na internet está boa parte do seu público alvo. A Fox é mais uma que repete essa estratégia com Minority Report, adaptação do filme de 2002 produzido por Steven Spielberg e protagonizado por Tom Cruise. E a ausência desses dois é bem percebida nesse piloto.

Minority Report acontece em 2065 (15 anos depois dos eventos do filme de 2002), em Washington, D.C.. Dash (Stark Sands) é um Precog, alguém que é capaz de prever os crimes no futuro. Ele era membro de uma unidade especial da polícia, a Pre-Crime, que foi desativada em 2050, o que obrigou as forças policiais a buscarem novos métodos para lutar contra o crime. O problema é que os tais ‘novos métodos’ na verdade envolvem no final das contas a pura e simples investigação, que nem sempre é tão eficiente assim (vide The Following #JamaisEsqueceremos).

Mas antes da Pre-Crime ser desmantelada, Dash, seu irmão gêmeo Arthur (Nick Zano) e sua irmã mais velha Agatha (Laura Regan) ajudavam no programa com os seus dons especiais. Com a desativação, eles foram varridos dos registros, se tornando completos anônimos. Desde então, nosso protagonista busca evitar que os crimes que ele prevê aconteçam, mas sozinho o seu dom não vale de muita coisa, já suas visões são incompletas sem os outros irmãos.

Agora, Dash usa suas habilidades para ajudar a detetive Lara Vega (Meagan Good) a evitar os crimes, ao mesmo tempo em que ele procura o seu irmão perdido, e tenta manter o seu dom escondido de tudo o e de todos. Principalmente daqueles que querem capturar os Precogs a todo custo.

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Eu tenho sérios problemas com séries de ficção científica. Mais ainda com séries que jogam diversos efeitos visuais na minha cara. Logo, Minority Report perde pontos comigo logo de largada. Porém, a coisa só piora quando eu olho para esses dois protagonistas. Meagan Good não é boa atriz, definitivamente. E Stark Sands parece um robô em alguns momentos. Logo, fica difícil comprar a série desse jeito.

Nem falo tanto da premissa geral. Mesmo porque é muito parecida com a do filme, que considero muito bom. Quem sabe se aqueles que não vão ficar chocados com uma pulseira inteligente virando um drone, a investigadora com a cara tatuada, e todos os elementos ultra coloridos que aparecem na tela poderão aproveitar um pouco da trama, que apesar de ter como plano principal os tais ‘casos da semana’, ainda conta com tramas de fundo que podem fazer a série andar.

Também acontecem alguns momentos de alívio cômico na série, com piadas sutis mas bem pontuadas, que ajudam na interação da dupla de protagonistas. Ou melhor, alivia um pouco o fato deles parecerem bem insossos na maior parte do tempo.

Fora isso, todo o restante me afasta de Minority Report. Os cenários digitalizados, a proposta geral da série, o fato dela ser um procedural futurista. Não que o piloto seja um lixo. Ele começa muito ruim, e vai melhorando com o avançar do episódio. Mas não é o tipo de série que vou dedicar 42 minutos semanais para saber o que vai acontecer com o moço que prevê o futuro, com o irmão dele que tem a cara do Fofão depois do regime, da outra irmã que parece a Princesa Léia na terceira idade, e da detetive que faz coreografias para interagir com o software que recria a cena de um crime (essa última parte é vergonhosa e desnecessária).

Enfim, Minority Report é para os fortes e persistentes. Para quem curte o gênero de ficção científica, e pretende deixar de lado tudo o que não é tão legal assim na série. Lembra muito Almost Human na sua estética, e todo mundo sabe o que aconteceu com essa série depois que foi ao ar. Por outro lado, a Fox aposta na mecânica que deu certo no passado em Arquivo-X e Bones, e que surpreendentemente funcionou no começo de Sleepy Hollow: casal de detetives que solucionam os casos do dia, enquanto uma grande trama acontece em paralelo.

Porém, no caso da série da Fox, não tem Steven Spielberg, nem Tom Cruise correndo. E acho que nem os dois salvariam a série de ser de gosto relativamente duvidoso.