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Por que os cassinos pagam salários melhores que a Amazon nos EUA?

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Existe uma crise envolvendo as gigantes da tecnologia nos Estados Unidos, que demitiram em massa enquanto os executivos mantêm seus altos incentivos. Isso gerou discussões acaloradas sobre as condições de trabalho nas grandes empresas do setor que contribuíram para esse cenário preocupante.

Rumores de contratações desnecessárias nos últimos anos, visando exclusivamente minar talentos da concorrência, levantam questionamentos sobre as práticas de trabalho adotadas por essas empresas. Sem falar na estratégia nefasta em prometer o trabalho remoto para diversos profissionais que mudaram estilos e ritmos de vida em função disso, e agora estão sem emprego e sem casa pelas mudanças na visão corporativa.

Agora, um estudo sobre os salários médios dessas companhias traz à tona informações reveladoras, surpreendentes e, em alguns casos, específicos, revoltantes.

 

O trabalho remoto é a desculpa para pagar menos

A consultora especializada em análise de dados MyLogIQ conduziu uma pesquisa sobre os salários das 500 maiores empresas dos Estados Unidos que compõem o índice salarial S&P 500, considerado um dos mais importantes do país.

O advento do trabalho remoto ameaça aqueles que recebem altos salários, já que se torna mais fácil buscar mão de obra qualificada e mais barata em qualquer parte do mundo. Porém, essa é uma prática combatida por vários executivos de empresas de tecnologia, que entendem a manutenção do trabalho presencial, mesmo que algumas funções podem ser realizadas sem maiores problemas fora dos escritórios.

O estudo revelou que, dentre as 500 empresas analisadas, 278 delas melhoraram os salários de seus funcionários em 2022 em comparação com o ano anterior. Entretanto, apenas 100 dessas empresas proporcionaram um aumento salarial de 10% ou mais para seus colaboradores, destacando as desigualdades existentes.

De maneira geral, setores como tecnologia, mídia, entretenimento e energia apresentaram salários mais elevados, enquanto os segmentos de bens de consumo básico e varejo registraram os salários anuais mais baixos, conforme apontado no relatório.

 

Cassinos pagam melhor que big techs

Surpreendentemente, a empresa que paga os salários mais altos em média não pertence ao setor de tecnologia. A Vici Properties, do setor imobiliário, que possui renomados cassinos e hotéis como Caesars Palace e Venetian Resort em Las Vegas, lidera o ranking, com uma média salarial anual de impressionantes 414.500 dólares.

Em segundo lugar está a Meta, empresa por trás de gigantes como Facebook, Instagram e WhatsApp, onde seus funcionários recebem, em média, 296.320 dólares por ano. A empresa-mãe do Google, Alphabet, vem logo em seguida, com uma média salarial anual de 279.902 dólares.

No entanto, ao analisar a gigante do comércio eletrônico Amazon, nos deparamos com uma realidade alarmante.

As condições de trabalho questionáveis de seus funcionários nos armazéns têm gerado constantes protestos. Como consequência, a empresa multimilionária apresenta um salário médio anual de meros 34.195 dólares em 2022.

Essa quantia é significativamente baixa quando consideramos o alto custo de vida nos Estados Unidos em comparação com outros países, e mesmo dentro da própria Amazon, onde os funcionários de escritório desfrutam de salários bastante elevados.

Dentre as dez melhores pagadoras, incluindo empresas de tecnologia, também encontramos a Netflix, com uma média salarial anual de 218.400 dólares, a Etsy, empresa de comércio eletrônico dedicada à venda de itens artesanais, vintage e decorativos, com uma média de 248.232 dólares anuais, e a ServiceNow, fornecedora de software empresarial, em oitavo lugar, com uma média de 221.433 dólares anuais.

A análise dos salários nas grandes empresas de tecnologia nos Estados Unidos revela disparidades preocupantes e crises que precisam ser enfrentadas. Enquanto algumas companhias recompensam generosamente seus funcionários, outras mantêm condições de trabalho questionáveis e salários surpreendentemente baixos.

Essa desigualdade salarial e as condições de trabalho precárias levantam sérias questões sobre a responsabilidade social e ética dessas empresas, exigindo medidas para garantir uma distribuição mais justa dos recursos e a criação de ambientes de trabalho saudáveis para todos os funcionários.

E isso, porque estamos falando dos Estados Unidos, terra das oportunidades e país onde algumas pessoas afirmam (com um certo tom de irracionalidade) que o capitalismo venceu. Agora, imagine o Brasil, onde essa desigualdade tende a ser ainda maior, por causa de vários outros fatores que vão além das questões laborais objetivas.


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@oEduardoMoreira